Neste 1º de junho, data em que Marilyn Monroe completaria 100 anos, sua trajetória continua despertando fascínio muito além de Hollywood. Símbolo de beleza, talento e sucesso, a atriz se tornou um dos rostos mais reconhecidos do século 20. Mas por trás da imagem glamourosa, teve uma história marcada por abandono, violência, inseguranças e uma busca constante por pertencimento.
Nascida Norma Jeane Mortenson em 1926, Monroe construiu uma carreira que atravessou gerações e a transformou em um fenômeno cultural. Sua vida, porém, também se tornou um dos exemplos mais emblemáticos de como traumas, saúde mental e ambição podem se entrelaçar de forma complexa.
Antes de se tornar Marilyn Monroe, Norma Jeane viveu uma infância instável. Sua mãe, Gladys Baker, enfrentava problemas de saúde mental e não tinha condições financeiras de cuidar da filha. Por isso, a futura estrela passou os primeiros anos de vida entre famílias acolhedoras, orfanatos e lares temporários.
Depois de períodos em diferentes instituições, foi acolhida por Grace McKee, amiga próxima de sua mãe. Ainda assim, as mudanças constantes fizeram parte de sua formação. Aos 16 anos, para evitar o retorno ao sistema de acolhimento, casou-se com o vizinho James Dougherty.
Para Sun Yong Kim-Manzolini, defensora dos direitos das mulheres e empreendedora, a trajetória de Monroe é um exemplo de que a origem não precisa definir o destino de alguém – embora, muitas vezes, exerça um peso decisivo sobre ele. “Algumas pessoas não começam a vida em condições equilibradas. Elas precisam lutar para encontrar estabilidade emocional e experimentar os aspectos positivos da vida sem serem limitadas pelos traumas do passado”, afirma.
Os desafios por trás do ícone
Décadas antes de o debate sobre assédio e abuso ganhar espaço público, Marilyn Monroe já conhecia os riscos enfrentados por mulheres na indústria do entretenimento. Segundo relatos de pessoas próximas, ela alertava colegas sobre os comportamentos abusivos que circulavam nos bastidores de Hollywood.
Sua relação com a violência, no entanto, começou muito antes da fama. Monroe revelou ao longo da vida ter sido vítima de abuso sexual ainda na infância, uma experiência que muitos especialistas apontam como um dos fatores que contribuíram para seus conflitos emocionais e relacionamentos turbulentos.
Mesmo diante dessas adversidades, ela seguiu construindo uma carreira que mudaria a história do cinema.

Marilyn Monroe: da fábrica de munições ao estrelato
O acaso teve um papel importante no início da trajetória de Marilyn Monroe. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto seu marido servia às Forças Armadas no Pacífico, ela trabalhava em uma fábrica de munições. Foi lá que um fotógrafo a descobriu e passou a registrá-la para campanhas e revistas.
Em pouco tempo, seu rosto estava estampado em publicações por todo o país. Quando o marido pediu que abandonasse a carreira, Monroe escolheu seguir seu sonho. A decisão levou ao fim do casamento, mas abriu caminho para sua transformação definitiva.
Foi nesse período que Norma Jeane se tornou Marilyn Monroe. Os cabelos loiros, a mudança de nome e a entrada em Hollywood marcaram o início de uma nova fase.
O sucesso, porém, não veio imediatamente. Ela perdeu contratos, ouviu repetidas vezes que não tinha perfil para ser uma estrela e foi limitada a papéis estereotipados. Determinada a aperfeiçoar seu trabalho, mudou-se para Nova York e estudou interpretação com Lee Strasberg no Actors Studio.
A decisão ajudou a consolidar sua reputação como atriz e não apenas como símbolo de beleza, tornando-a uma das artistas mais influentes de sua geração. Ela estrelou filmes como “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), “Os Homens Preferem as Loiras” (1953) e “O Pecado Mora ao Lado” (1955).
Em 1955, insatisfeita com os papéis estereotipados e a remuneração que recebia, fundou sua própria produtora, a Marilyn Monroe Productions.
O legado além da fama
A história de Marilyn Monroe costuma ser lembrada como uma narrativa de superação. Mas seu desfecho também revela uma dimensão menos discutida do sucesso.
Em 1962, aos 36 anos, a atriz morreu em decorrência de uma overdose. Sua morte foi um dos episódios mais emblemáticos da relação entre fama, pressão psicológica e saúde mental.
Para Kim-Manzolini, esse é um dos principais ensinamentos deixados pela atriz. “Problemas de saúde mental nunca devem ser ignorados. Mais cedo ou mais tarde, eles podem comprometer tudo o que foi construído com muito esforço.”
100 anos após seu nascimento, Marilyn Monroe continua sendo lembrada por sua beleza, seus filmes e seu impacto cultural. Mas talvez uma de suas contribuições mais duradouras seja outra: mostrar que sucesso e vulnerabilidade coexistem, e que cuidar da saúde mental é tão importante quanto perseguir qualquer sonho.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com e adaptada.
FonteForbes