anúncio de reajuste da ANS tira “esperança” do mercado e ação cai 2,64%

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A ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar) anunciou nesta sexta-feira (29) o reajuste anual para os planos de saúde individuais, definindo o teto de aumento em 5,11%, em uma decisão que impacta diretamente a receita da Hapvida (HAPV3). As ações da companhia operaram em toda a sessão em baixa, em um dia também negativo para o Ibovespa, com HAPV3 fechando em queda de 2,64%, a R$ 12,15.

O percentual foi calculado com base na variação dos custos médico-hospitalares por beneficiário registrada entre 2024 e 2025 no segmento individual, em conjunto com o cenário inflacionário. O novo teto terá vigência de maio de 2026 até abril de 2027.

De acordo com o relatório de análise do Itaú BBA, o anúncio representa uma ligeira desaceleração em relação ao reajuste de 6,06% estipulado no ano passado. A discussão que precedeu a decisão da agência foi marcada por intensa volatilidade e debates entre os investidores. 

Os analistas ainda relembram que o mercado questionava a inclusão da Hapvida na base da agência, dado o crescimento expressivo de seus custos por beneficiário e as dificuldades técnicas para comparar os dados ano a ano. Por causa desse impasse, as projeções dos analistas ficavam dispersas em uma faixa de 5% a 8%.

O Morgan Stanley destaca que o anúncio reforça a sua visão descrita em análise do início de abril que destacava que, uma vez aplicada a lista de exclusões da ANS, a principal subsidiária da Hapvida provavelmente seria classificada como um caso atípico, o que faria com que seu elevado aumento de sinistros fosse excluído do cálculo. Dado que esta subsidiária representa cerca de 1 milhão de vidas, ou cerca de 14% dos planos individuais, sua exclusão teria um impacto material no ajuste final.

“Embora o anúncio da ANS não confirme se a Hapvida foi excluída com base nisso, o limite final de 5,11% é consistente com nosso IRPI de 5,1% do cenário base, em comparação com 7,8% no cenário alternativo em que a Hapvida permaneceu no cálculo”, aponta.

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Impacto na Hapvida

A decisão regulatória impacta diretamente a Hapvida.

O Morgan Stanley apontou a confirmação como negativa para a empresa, já que “a Hapvida é a empresa listada com a maior exposição ao mercado de planos individuais, com 18% de seus beneficiários nesse tipo de contrato, bem acima da SulAmérica (3,0%) e do Bradesco Saúde (2,4%)”.

Embora o ajuste de 5,1% já estivesse incorporado em seu modelo, o limite oficial elimina a possibilidade de um resultado regulamentado de preços mais favorável e reforça a visão de que o consenso pode ter assumido um ajuste maior. “Com as pressões dos custos médicos ainda relevantes e a Hapvida já enfrentando um cenário desafiador para seus resultados em 2026, a decisão de hoje adiciona mais uma camada de pressão às margens e ao risco de revisão de lucros”, reforça.

Os analistas do Itaú BBA destacam que a companhia possui uma exposição única a essa modalidade de contrato na comparação com as demais companhias de capital aberto.

“Entre os nomes listados, a Hapvida se destaca por sua exposição ao segmento de planos individuais, com 18% de sua base de beneficiários atrelada a planos individuais, tornando o reajuste mais relevante na margem”, diz o relatório.

Os analistas avaliam que o anúncio veio no limite inferior das estimativas, e por isso não altera a tese de investimento de forma isolada. Dessa forma, eles ressaltam que o teto de 5,11% deixa uma margem mais estreita para que a empresa tenha ganhos adicionais de rentabilidade em sua base de contratos atual, por se situar muito próximo aos índices de inflação. 

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Apesar disso, os analistas consideram que uma desaceleração no reajuste parecia o caminho mais razoável diante da recuperação de rentabilidade observada no setor nos últimos dois anos.

Para contornar as limitações impostas pelo reajuste regulatório nos contratos vigentes, a Hapvida tem adotado estratégias comerciais alternativas. 

Conforme aponta o relatório do BBA, “a companhia vem compensando os aumentos de preços mais baixos nos contratos antigos com preços mais altos em novos produtos”. De acordo com os analistas do banco, essa dinâmica comercial tem sido bem-sucedida em sustentar um crescimento robusto do ticket médio dentro do segmento individual ao longo dos trimestres mais recentes.

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Na avaliação do Goldman Sachs, contudo, a notícia é neutra, pois projetava que os reajustes dos planos individuais seriam menores em comparação com outros produtos, como PMEs e empresas (nos quais há maior flexibilidade para negociar preços com os beneficiários).

“Ainda assim, não acreditamos que a pequena discrepância em relação à nossa expectativa seja suficiente para afetar materialmente a trajetória de recuperação da rentabilidade da Hapvida. Em nossa opinião, isso continua muito mais dependente da otimização da rede no Sudeste, da dinâmica de preços para contratos corporativos e da judicialização, entre outros pontos”, avalia.



FonteCâmara dos Deputados

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