Em um mercado cada vez mais competitivo, a diferença entre um candidato comum e um profissional percebido como estratégico pode estar em algo aparentemente simples: a forma como ele responde durante uma entrevista.
Para Fábio Salomon, especialista em recrutamento executivo e desenvolvimento de lideranças, muitos profissionais ainda entram em processos seletivos preocupados apenas em “dar a resposta certa”. O problema é que, na prática, isso já não basta.
Segundo ele, os candidatos mais valorizados hoje são aqueles capazes de construir percepção de valor ao longo da conversa.
Fábio atua há mais de duas décadas no mercado de Executive Search, com foco em recrutamento estratégico para áreas jurídicas, compliance e relações governamentais. À frente da BRAVA Executive Search e da Aliá Mentoring Jurídico, acompanha de perto as transformações do mercado e o comportamento de executivos em entrevistas de alta performance.
“Pequenas mudanças na maneira de responder podem alterar completamente a percepção do entrevistador”, explica.
O que os recrutadores realmente observam
De acordo com o mentor de carreiras, entrevistas modernas deixaram de avaliar apenas currículo técnico. Hoje, empresas analisam maturidade profissional, inteligência relacional, visão de negócio, capacidade de liderança e clareza estratégica.
Isso significa que perguntas clássicas, como “fale sobre seus defeitos”, “por que deveríamos contratar você?” ou “por que saiu da empresa anterior?” passaram a funcionar como instrumentos para medir posicionamento e consciência profissional.
Nesse contexto, respostas decoradas ou excessivamente genéricas tendem a perder força.
“O profissional mais competitivo não é necessariamente aquele que fala mais. É aquele que consegue transmitir clareza, segurança, repertório e maturidade sem parecer artificial”, afirma.
A entrevista como construção de posicionamento
Ao longo de sua trajetória, Fábio Salomon participou da seleção e avaliação de executivos, sócios de escritórios e lideranças estratégicas em diferentes segmentos. Seu trabalho também envolve assessment de lideranças, desenvolvimento executivo e análise de equipes de alta performance.
Para ele, um dos maiores erros dos candidatos é enxergar entrevistas apenas como uma etapa operacional do recrutamento, quando, na verdade, elas são momentos decisivos de construção de reputação profissional.
“Uma entrevista é também um exercício de posicionamento. A forma como alguém organiza ideias, sustenta argumentos e demonstra consciência sobre a própria trajetória comunica muito mais do que apenas experiência técnica.”
Essa percepção tem levado profissionais de alta performance a investirem cada vez mais em preparação estratégica para processos seletivos, especialmente em cargos de liderança.
Mercado busca profissionais mais conscientes
O avanço de áreas como People Analytics, liderança humanizada e cultura organizacional também alterou a lógica das contratações. Hoje, empresas procuram profissionais capazes de gerar impacto, influência positiva e adaptação em ambientes de mudança constante.
Formado em Direito pelo Mackenzie, com especialização em Marketing pela FAAP e estudos em People Analytics pela Wharton Business School, Fábio Salomon tornou-se uma das referências do setor ao conectar recrutamento executivo, desenvolvimento humano e visão estratégica de carreira.
Além da atuação em Executive Search, também é palestrante, mentor e apresentador do podcast “Café com Sal”, voltado a temas como liderança, carreira e transformação profissional.
A diferença está na percepção
Em um cenário em que competências técnicas já são consideradas pré-requisito, a percepção construída durante uma conversa pode ser o fator decisivo para uma contratação.
E talvez seja justamente aí que muitos profissionais ainda estejam falhando: tentando apenas responder perguntas, quando deveriam estar comunicando valor.