Os diretores executivos (CEOs) das maiores corporações do mundo obtiveram um aumento salarial real de 11% em 2025, enquanto o trabalhador médio global viu seus salários reais aumentarem em apenas 0,5%, revela estudo da Confederação Sindical Internacional (CSI, Ituc na sigla em inglês) e da Oxfam, divulgado no Dia Internacional do Trabalhador (1º de maio).
A análise abrange as 1.500 corporações que mais pagam em 33 países que divulgaram os salários de seus CEOs para 2025. O diretor executivo médio recebeu US$ 8,4 milhões em salários e bônus no ano passado, um aumento em relação aos US$ 7,6 milhões de 2024. O trabalhador médio global levaria 490 anos para ganhar o mesmo valor.
A remuneração real dos trabalhadores em todo o mundo caiu 12%, enquanto a remuneração real dos executivos (CEOs) aumentou 54% entre 2019 e 2025. Isso significa que eles trabalharam efetivamente 108 dias de graça entre 2019 e 2025 (31 dias de graça apenas no ano passado). Enquanto isso, a remuneração dos CEOs disparou — de uma média de US$ 5,5 milhões em 2019 para US$ 8,4 milhões em 2025, um aumento de 54% em termos reais.
Até o momento, quatro corporações, incluindo Blackstone, Broadcom e Goldman Sachs, informaram que pagaram a seus CEOs mais de US$ 100 milhões em 2025. Os 10 CEOs mais bem pagos receberam, juntos, mais de US$ 1 bilhão, segundo CSI e Oxfam.

A diferença salarial entre homens e mulheres na força de trabalho dessas 1.500 corporações é, em média, de 16%, o que significa que essas mulheres trabalham efetivamente de graça a partir de 4 de novembro de cada ano.
Dividendos pagos a mil bilionários chegam a US$ 79 bilhões
O abismo crescente entre a remuneração dos CEOs e o salário médio dos trabalhadores faz parte de uma tendência de longo prazo na qual executivos e acionistas estão capturando uma fatia cada vez maior do bolo econômico global, criticam as entidades.
Quase mil bilionários, cujas carteiras de investimento foram identificadas, receberam coletivamente US$ 79 bilhões em dividendos em 2025 — o equivalente a US$ 2.500 por segundo. O bilionário médio ganhou, em menos de duas horas, mais em dividendos do que o trabalhador médio ganha em um ano inteiro.
Alguns dos maiores pagamentos em 2025 foram para Bernard Arnault, dono da marca de luxo LVMH, que embolsou US$ 3,8 bilhões, e Amancio Ortega, dono da Inditex (Zara), que recebeu US$ 3,7 bilhões.
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Super-ricos financiam ‘projetos políticos antidemocráticos’
Bilionários estão usando a riqueza recebida para aumentar controle sobre meios de comunicação e também “para comprar influência política”, denunciam as entidades. Uma pesquisa global revelou que metade das pessoas acredita que “os ricos frequentemente compram eleições” em seus países. “Muitos políticos super-ricos têm buscado corroer os direitos dos trabalhadores, cortar serviços públicos e conceder isenções fiscais aos mais ricos.”
“Esta análise expõe o golpe bilionário contra a democracia e seus custos para os trabalhadores. As empresas nos prometem um ciclo virtuoso, mas o que vemos é um ciclo vicioso liderado por megacorporações — elas minam a negociação coletiva e o diálogo social, enquanto CEOs bilionários se apropriam da riqueza gerada pelos ganhos de produtividade. Os super-ricos, então, usam enormes recursos para financiar projetos políticos antidemocráticos”, afirmou Luc Triangle, secretário-geral da CSI.
“Não podemos continuar permitindo que um punhado de super-ricos se aproprie dos frutos do trabalho que pertencem a milhões. Os governos devem limitar os salários dos CEOs, tributar os super-ricos de forma justa e garantir que os salários mínimos que, ao menos, acompanhem a inflação e assegurem uma vida digna”, disse Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional.

Fonte Monitor Mercantil