O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que seu governo recebeu um telefonema do Irã na manhã desta segunda-feira, afirmando que Teerã “deseja muito fechar um acordo”, mas também sinalizando o desejo de Washington de chegar a um acordo para encerrar o conflito.
Trump não revelou se Washington concordou com outra rodada de negociações antes do fim do cessar-fogo em 21 de abril, embora vários veículos de mídia dos EUA, citando autoridades estadunidenses e fontes regionais, tenham dito que tanto Washington quanto Teerã deixam espaço para novas negociações.
Trump insistiu que o ponto de discórdia nas negociações com o Irã “era sobre o programa nuclear” e que uma prioridade para os Estados Unidos é recuperar o urânio enriquecido iraniano.
“Concordamos com muitas coisas, mas eles não concordaram com isso, e acho que concordarão. Tenho quase certeza disso. Aliás, tenho certeza absoluta. Se eles não concordarem, não há acordo. Nunca haverá um acordo”, disse ele sobre as negociações que ocorreram no sábado (11) entre EUA e Irã no Paquistão.

Os Estados Unidos e o Irã ainda estão em negociações, enquanto os dois lados trabalham para encontrar uma saída diplomática para a guerra, disse um funcionário estadunidense à CNN nesta segunda-feira. Mediadores do Paquistão, Egito e Turquia estão trabalhando para retomar as negociações antes que o atual cessar-fogo expire, segundo relatos.
Analistas locais dizem que Washington pressionou Teerã para congelar o enriquecimento de urânio e renunciar ao seu estoque de urânio altamente enriquecido, enquanto o Irã busca a liberação de fundos congelados e um alívio mais amplo das sanções.
Os ministros das Relações Exteriores da Turquia e do Egito realizaram telefonemas separados com seus homólogos no Paquistão. Ambos falaram então com o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, de acordo com a reportagem do Axios.
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As últimas declarações de Trump ocorreram horas depois de os militares dos EUA imporem um bloqueio naval aos portos iranianos e de sua ameaça de que os militares dos EUA “eliminarão” qualquer navio iraniano que se aproximar do bloqueio estadunidense no Estreito de Ormuz.
O bloqueio representa um novo recuo dos EUA, após o presidente estadunidense ter dito que liberaria o tráfego no local, inclusive alegando que navios dos EUA já estavam lá retirando minas – o que foi contestado pelo Irã e não foi confirmado por nenhuma fonte independente.
Trump afirmou nesta segunda-feira, na rede Truth Social, que até 34 navios passaram pelo Estreito de Ormuz no domingo, alegando ser de longe o maior número desde o fechamento da crucial via navegável global de energia, dias depois de os Estados Unidos e Israel lançarem ataques massivos contra o Irã em 28 de fevereiro. No entanto, a empresa de dados marítimos Kpler relatou apenas 14 no domingo.
Autoridades estadunidenses indicaram que a pressão militar, em parte destinada a impedir que o Irã use a via como moeda de troca nas negociações, continua fazendo parte da estratégia de negociação, disse a reportagem da Axios.
Com informações da Agência Xinhua

Fonte Monitor Mercantil