Corrida da Folha exige controle de intensidade e bom sono – 21/03/2026 – Esporte

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Com um percurso praticamente todo plano que vai passar por alguns dos principais pontos históricos da região central de São Paulo, a Corrida Folha 105 anos promete combinar o estímulo à atividade física com a oportunidade de redescobrir a capital paulista sob uma nova ótica.

A prova está programada para o próximo domingo (29), com a largada e a chegada no Vale do Anhangabaú. A saída dos atletas para as três distâncias disponíveis —3 km, 5 km e 10 km— acontece a partir das 6h30 (horário de Brasília).

Ex-atletas profissionais e treinadores assinalam que os participantes precisam se atentar ao ritmo que pretendem imprimir ao longo do trajeto para conseguir cruzar a linha de chegada, mas sem também perder de vista a atmosfera festiva e os prédios ricos em história que estarão os rodeando.

Campeã da Corrida de São Silvestre em 2006 e medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio nos 10 mil metros, Lucélia Peres afirmou que a prova no centro histórico apresenta um desenho de percurso que combina estímulo fisiológico e significado urbano.

“Correr pelo centro histórico de São Paulo impõe um contexto singular: variações sutis de altimetria, mudanças de piso e trechos com curvas estratégicas que exigem leitura inteligente da prova”, afirmou Lucélia à Folha.

Treinador do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, Ricardo D’Angelo acrescentou que o percurso da prova é praticamente plano e não deverá exigir muito esforço daqueles corredores melhor preparados.

“Destaco como ponto crítico a subida da Líbero Badaró, entre a São João e o Viaduto do Chá, na qual os corredores de 5 km e 10 km deverão enfrentar o maior desafio. Aqueles do 10km, por duas vezes”, afirmou D’Angelo.

“O clima promete estar agradável para o corredor se sentir confortável durante o percurso, uma vez que a sombra dos prédios na região protege do sol e, eventualmente, de elevada temperatura”, disse o treinador.

Do Vale do Anhangabaú, os participantes já poderão admirar alguns dos principais marcos arquitetônicos da cidade, como o Palácio dos Correios, de 1922, e o Edifício Martinelli, prédio de 105 metros de altura inaugurado em 1929.

A prova segue então pela São João, passando pelo largo do Paiçandu e pelo cruzamento com a Ipiranga. Avança na sequência rumo à rua Conselheiro Nébias, nos Campos Elíseos.

O retorno será pela alameda Barão de Limeira, tendo o próprio prédio da Folha como uma das atrações no caminho. Os corredores entram em seguida à direita, na avenida Ipiranga, e contornam a praça da República.

O trajeto passa ainda pela rua 24 de Maio, onde está a tradicional Galeria do Rock e uma das mais novas unidades do Sesc, e retorna ao Vale do Anhangabaú a partir da rua Conselheiro Crispiniano.

Para os corredores das distâncias mais longas, há ainda um percurso adicional pelo centro velho. O Theatro Municipal e o prédio do antigo Mappin, além do Viaduto do Chá, compõem a paisagem.

Lucélia assinalou ainda que, do ponto de vista técnico, trata-se de um trajeto que demanda controle de intensidade desde a largada.

“A tendência natural é iniciar muito rápido, impulsionado pela atmosfera do evento. Entretanto, especialmente nos 5 km e 10 km, a gestão do esforço é determinante”, disse ela.

Para aqueles inscritos na prova de 5 km, a ex-atleta e hoje treinadora e personal trainer recomenda um primeiro quilômetro em “ritmo controlado”, com estabilização do pace até o quarto e “progressão consciente” no fechamento.

Já no caso dos 10 km, ela explicou que a prova “se constrói na primeira metade e se confirma na segunda”.

Segundo a última brasileira campeã da São Silvestre, a segunda volta exige maturidade fisiológica e mental, uma vez que é onde a economia de movimento e a cadência estável fazem diferença real.

“Pequenas ondulações ao longo da avenida São João e as transições para o centro velho acumulam carga muscular, sobretudo em panturrilhas e cadeia posterior. Quem distribui energia com precisão sustenta eficiência mecânica até o final.”

Ela acrescentou que a preparação ideal inclui treinos de ritmo, estímulos intervalados para ajuste de velocidade e fortalecimento específico de membros inferiores, fundamentais para absorção de impacto em pisos irregulares.

Além disso, sono e recuperação nos dias que antecedem a prova têm peso igual ou até maior do que qualquer treino adicional, disse Lucélia.

“Além da performance, há um elemento simbólico que não pode ser ignorado. Correr por marcos históricos como o Theatro Municipal, o Viaduto do Chá e a região da São João é vivenciar a cidade em movimento. O atleta deixa de ser apenas espectador da paisagem e passa a integrá-la”, afirmou ela.

“Essa é uma prova que recompensa estratégia, mas também oferece algo mais profundo: a oportunidade de redescobrir São Paulo com o próprio corpo como meio de exploração. Técnica e sensibilidade podem, e devem, coexistir.”

As inscrições seguem abertas até o dia 27, com valores a partir de R$ 139,90 para o Kit Corredor (que inclui camiseta, sacochila, medalha, número de peito e três meses de assinatura digital do jornal) e R$ 249,90 para o Kit Premium (que também inclui garrafa térmica exclusiva e três meses de assinatura CasaFolha). Os valores não incluem a taxa de bilheteria. Assinantes da Folha têm 20% de desconto nas inscrições, que podem ser parceladas em até três vezes.

“Outras provas já foram realizadas no centro da cidade de São Paulo com sucesso e essa será mais uma oportunidade para o corredor desfrutar de um belo cenário histórico e de uma perfeita atmosfera para a atividade física”, acrescentou D’Angelo.



Fonte UOL

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