o que já se sabe e o que está em aberto no plano de reestruturação

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A Raízen protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial, mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas com credores fora de uma recuperação judicial tradicional. A companhia quer reestruturar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantia real, além de créditos entre empresas do próprio grupo.

A empresa já apresentou a estrutura geral da proposta, mas ainda deixou em aberto parte importante dos detalhes que vão definir como essa reestruturação será feita na prática.

Veja a seguir o que já se sabe sobre o plano de reestruturação, e o que ainda precisará ser negociado com credores.

O que já se sabe

A Raízen já informou quais são os principais caminhos que pretende usar para tentar reorganizar a dívida:

  • aporte de capital, ou seja, entrada de dinheiro novo na empresa por acionistas ou outros investidores;
  • conversão de dívida em ações, quando o credor aceita trocar o valor que teria a receber por uma participação na companhia;
  • troca da dívida atual por novos títulos, isto é, substituição dos papéis antigos por novas dívidas com prazo e condições diferentes;
  • reorganização societária, que pode incluir mudanças na estrutura das empresas do grupo;
  • venda de ativos, como negócios, operações ou participações que possam gerar caixa.

A companhia também informou que já conseguiu adesão inicial de mais de 47% das dívidas incluídas no processo e que terá até 90 dias, a partir do andamento formal do pedido, para buscar o apoio necessário para homologar, ou validar judicialmente, o plano final.

Para o advogado Fernando Tardioli, esse tipo de desenho ainda incompleto é esperado em operações desse porte. “Esse processo passa por negociações sensíveis, que envolvem condições como carência, eventuais descontos, prazos de pagamento e taxas de juros”, afirma. Em outras palavras, pontos como quanto tempo a empresa terá antes de voltar a pagar, quanto da dívida pode ser reduzido e quais juros serão cobrados ainda precisam ser discutidos. Segundo ele, em casos com muitos credores e interesses diferentes, conseguir o nível de adesão exigido pela lei pode ser um desafio relevante.

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O que ainda está em aberto

Embora a Raízen já tenha mostrado quais instrumentos pretende usar, vários pontos ainda não foram definidos e deverão entrar em negociação com os credores. Depois disso, a empresa deverá apresentar um “Plano Atualizado”, isto é, uma nova versão do plano com mais detalhes.

Entre os principais pontos ainda em aberto estão:

  • novas dívidas: a empresa ainda não detalhou quanto pretende emitir em novos papéis, quais serão os juros, os prazos de pagamento e se haverá garantias;
  • aporte e conversão em ações: ainda falta definir quanto dinheiro novo pode entrar, quanto da dívida pode virar participação na empresa e em quais condições isso aconteceria;
  • venda ou separação de ativos: a companhia sinalizou que pode vender ativos ou separar partes do negócio, mas ainda não disse quais;
  • mudanças na estrutura do grupo: o plano cita possibilidades como fusões, cisões ou incorporações, que são formas de reorganizar empresas do mesmo grupo, mas sem apresentar ainda um desenho fechado;
  • apoio dos credores ao plano final: a versão definitiva ainda precisará ser analisada pelos credores, que terão de concordar formalmente com ela.

Na prática, isso significa que a Raízen já apresentou a moldura da reestruturação, mas ainda não fechou as condições centrais que vão mostrar quanto custará a solução, quem terá de ceder mais e como a empresa pretende reorganizar seus negócios.

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O mercado também vê uma solução construída em várias frentes ao mesmo tempo, já que, como resume o Bradesco BBI, a situação da Raízen é crítica e “não tem bala de prata”.

Nos bastidores, as negociações da Raízen com credores já vinham ocorrendo havia meses e giravam em torno de três eixos principais: quanto dinheiro novo os acionistas colocariam na empresa, quanto da dívida poderia ser convertido em participação acionária e se a reestruturação envolveria venda ou separação de ativos.

Segundo reportagem da Reuters, credores pressionavam por um aporte mais robusto dos sócios, enquanto uma proposta de cisão da companhia enfrentou resistência por parte dos detentores da dívida. Nesse processo, a Shell ganhou protagonismo nas tratativas, ao se dispor a liderar um aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan teve participação mais limitada nas discussões finais sobre a solução.



Fonte Infomoney

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