Após compra da Medley, veja a estratégia da EMS para canetas emagrecedoras

Compartilhar:

A EMS anunciou ontem a compra da Medley, consolidando sua posição de maior farmacêutica de genéricos do país, com algo entre 30% e 31% desse segmento, quando o negócio for aprovado pela autoridades que regulam a concorrência. Analistas avaliam que com a expiração da patente das canetas injetáveis, neste mês de março, empresas nacionais se preparam para lançar versões genéricas ou similares mais baratas.

A compra da Medley pela EMS se enquadraria nessa estratégia já que a empresa ganha tração para ampliar sua produção de genéricos, segundo analistas. O mercado de canetas injetáveis movimenta cerca de R$ 11 bilhões globalmente e a expectativa é que esse volume quase dobre com a chegada de genéricos.

Como a EMS já criou em 2025 uma versão nacional de sua caneta emagrecedora com liraglutida, também deve ser posicionar na semaglutida (Ozempic) assim que a patente cair, avaliam especialistas do setor.

Viva do lucro de grandes empresas

“Movimentos de consolidação no setor farmacêutico, como a aquisição da Medley pela EMS, podem ser interpretados como uma estratégia para ampliar capacidade produtiva, fortalecer a indústria nacional e preparar o mercado para a chegada de novas alternativas terapêuticas mais acessíveis”, diz Mara Machado, CEO do Instituto Qualisa de Gestão e especialista em Saúde Sustentável.

Ela lembra que quando medicamentos inovadores perdem a patente e passam a ter versões genéricas ou similares, ocorre um movimento importante para a sustentabilidade do sistema de saúde, porque a concorrência tende a reduzir preços e ampliar o acesso da população a tratamentos de alto custo, como é o caso da canetas injetáveis usadas no controle do diabetes e da obesidade.

A EMS informou que a transação com a Medley reforça sua estratégia de crescimento no mercado farmacêutico brasileiro, ampliando escala e presença comercial. As próximas etapas, entretanto, serão definidas em outro momento. A empresa entende que a combinação entre a capacidade industrial e o portfólio da EMS com a força e o reconhecimento da marca Medley tenderão a ampliar o alcance da companhia no mercado.

Continua depois da publicidade

Nova fábrica

A partir da compra da Medley, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, afirmou que existe a possibilidade de construção de uma nova fábrica, possivelmente em Manaus, onde a EMS já tem uma unidade. A cidade é a preferida por conta dos benefícios fiscais oferecidos para a região, que vão permanecer, mesmo com a reforma tributária, disse Sanchez. A EMS anunciou recentemente uma nova onda de investimentos em expansão de fábricas, de R$ 1 bilhão nos próximos anos

A EMS superou concorrentes de peso que fizeram propostas pela Medley, entre elas a indiana Sun Pharma e as brasileiras Hypera, Biolab e Aché. Acabou vencendo a disputa ao oferecer um cheque maior.

“Foi um processo extremamente competitivo, com tantas outras empresas de mercado, mas conseguimos concluir junto com a Sanofi a assinatura de um acordo definitivo para aquisição de 100% das ações da Medley, uma das marcas mais conhecidas de medicamentos genéricos do Brasil, e uma empresa muito bem administrada”, disse Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS em entrevista onde detalhou a transação.

Ele lembrou que este não é o primeiro negócio da EMS com a Sanofi, já que antes havia adquirido a Dermacid, marca de sabonetes íntimos, da companhia de origem francesa em 2023. O valor da compra foi de R$ 366 milhões. Essa parceria, segundo analistas, também contribuiu para que a EMS fosse a escolhida.

Os genéricos são medicamentos que contêm os mesmos ingredientes ativos, na mesma dosagem e forma farmacêutica que os medicamentos de referência. Eles são produzidos após a expiração da patente de um medicamento pioneiro, permitindo que outros fabricantes façam versões equivalentes e possibilitando competição e, muitas vezes, redução do preço.

A Medley tem fábrica em Campinas e cerca de 900 funcionários e a sede da EMS está localizada em Hortolândia (SP), distante 20 quilômetros da unidade da Medley. Isso, segundo o vice-presidente, é uma questão geográfica benéfica para trazer eficiência ao negócio. Sanchez disse que a ideia é manter essa unidade, que deve receber investimentos, assim como o quadro de funcionários.

Continua depois da publicidade

Mercado de genéricos movimenta R$ 32 bilhões no Brasil

Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), avalia que a marca Medley é um ativo importante no segmento de genéricos, tendo sido construída ao longo dos anos. Portanto, o negócio traz muito valor à EMS. O fato de a EMS, uma empresa brasileira, ter superado concorrentes internacionais interessados na Medley também revela a força desse setor no Brasil, diz o executivo. Ele lembra que entre os maiores laboratórios do país, os cinco primeiros já são nacionais.

“E não vejo problemas de concentração de mercado na transação devido à pulverização desse segmento”, avalia Mussolini, que lembra que o setor farmacêutico cresce 10% ao ano em faturamento e movimentou em 2025 cerca de R$ 226 bilhões no Brasil.

Desse total, R$ 194 bilhões são de vendas de produtos “de marca”, enquanto R$ 32 bilhões vieram do mercado de genéricos, que representa 14,4% do setor.

Continua depois da publicidade



FonteCâmara dos Deputados

Artigos relacionados