Trump considera ataque direcionado ao Irã, seguido de ofensiva maior

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O presidente Donald Trump disse a assessores que, se a diplomacia ou um eventual ataque inicial direcionado dos Estados Unidos não levar o Irã a ceder às suas exigências de abandonar o programa nuclear, ele considerará uma ofensiva muito maior nos próximos meses com o objetivo de retirar os líderes do país do poder, segundo pessoas informadas sobre as deliberações internas do governo.

Negociadores dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir em Genebra na quinta-feira no que aparenta ser uma última tentativa de evitar um conflito militar. Ao mesmo tempo, Trump vem avaliando opções de ação caso as negociações fracassem.

Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, assessores afirmam que Trump tem se inclinado a realizar um ataque inicial nos próximos dias para demonstrar à liderança iraniana que precisa concordar em abrir mão da capacidade de produzir uma arma nuclear.

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Os alvos em consideração vão desde o quartel-general da Guarda Revolucionária do Irã até instalações nucleares e o programa de mísseis balísticos do país.

Caso essas medidas não convençam o Irã a atender às suas exigências, Trump disse a assessores que deixaria em aberto a possibilidade de um ataque militar ainda este ano destinado a ajudar a derrubar o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo.

Há dúvidas, inclusive dentro do governo, sobre se esse objetivo pode ser alcançado apenas com ataques aéreos. Nos bastidores, uma nova proposta vem sendo considerada por ambos os lados e poderia criar uma alternativa ao conflito militar: um programa de enriquecimento nuclear muito limitado que o Irã poderia conduzir exclusivamente para fins de pesquisa e tratamentos médicos.

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Não está claro se alguma das partes concordaria. A proposta de última hora surge no momento em que dois grupos de porta-aviões e dezenas de caças, bombardeiros e aviões-tanque estão posicionados a uma distância de ataque do Irã.

Trump discutiu planos de ataques ao Irã na Sala de Situação da Casa Branca na quarta-feira. A reunião incluiu o vice-presidente J. D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles.

Este artigo é baseado em conversas com diversas autoridades americanas com conhecimento da reunião, incluindo autoridades com diferentes visões sobre o melhor curso de ação. Nenhuma delas permitiu que seus nomes fossem divulgados, citando a sensibilidade das discussões envolvendo operações militares e avaliações de inteligência.

Durante a reunião, Trump pediu a Caine e Ratcliffe que se pronunciassem sobre a estratégia mais ampla em relação ao Irã, mas nenhum dos dois costuma defender publicamente posições específicas de política. Caine discutiu o que as Forças Armadas poderiam fazer do ponto de vista operacional, e Ratcliffe preferiu abordar a situação atual no terreno e possíveis desdobramentos das operações propostas.

Durante as discussões sobre a operação do mês passado para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Caine disse a Trump que havia alta probabilidade de sucesso. No caso do Irã, porém, ele não apresentou as mesmas garantias, em grande parte porque se trata de um alvo muito mais difícil.

Vance, que há muito defende maior cautela em ações militares no exterior, não se opôs a um ataque, mas questionou de forma intensa Caine e Ratcliffe na reunião. Ele pediu que compartilhassem suas avaliações sobre as opções e buscou maior discussão sobre os riscos e a complexidade de um ataque contra o Irã.

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Anteriormente, os Estados Unidos haviam considerado opções que incluíam o envio de equipes de forças especiais em solo para realizar incursões e destruir instalações nucleares ou de mísseis iranianas. Isso incluía operações de fabricação e enriquecimento enterradas profundamente, fora do alcance de munições convencionais americanas.

Mas qualquer incursão desse tipo seria altamente perigosa e exigiria que as forças especiais permanecessem em solo por muito mais tempo do que na operação para capturar Maduro. Diversas autoridades americanas disseram que, por ora, os planos para uma incursão de comando foram deixados de lado.

Autoridades do Exército, Marinha e Força Aérea também levantaram preocupações sobre o impacto que uma guerra prolongada com o Irã, ou mesmo a preparação contínua para esse conflito, poderia ter sobre a prontidão de navios da Marinha, sistemas antimísseis Patriot, que são escassos, e aeronaves de transporte e vigilância já sobrecarregadas.

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A Casa Branca se recusou a comentar o processo de decisão de Trump.

“A mídia pode continuar especulando sobre o que o presidente está pensando o quanto quiser, mas apenas o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer”, disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, em comunicado.

Mesmo antes de os iranianos apresentarem o que parece ser sua proposta final — autoridades disseram esperar que ela seja enviada ao governo Trump na segunda ou terça-feira — as duas partes pareciam endurecer suas posições. Steve Witkoff, enviado especial do presidente, afirmou à Fox News que a “diretriz clara” de Trump a ele e a Jared Kushner, seu co-negociador e genro do presidente, é que o único resultado aceitável para um acordo é que o Irã passe a “enriquecimento zero” de material nuclear.

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Mas o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou em entrevista ao programa “Face the Nation”, da CBS, no domingo, que o país não está disposto a abrir mão do que considera seu “direito” de produzir combustível nuclear sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Com essa declaração, a decisão sobre se os Estados Unidos estão prestes a atacar alvos no Irã — aparentemente com o objetivo de enfraquecer ainda mais o governo de Khamenei — parece depender de um compromisso que permita às duas partes apresentar o resultado como vitória.

Uma dessas propostas está sendo debatida tanto pelo governo Trump quanto pela liderança iraniana. Segundo várias autoridades, a iniciativa partiu de Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão das Nações Unidas que inspeciona as instalações nucleares iranianas.

Pela proposta, o Irã poderia produzir quantidades muito pequenas de combustível nuclear para fins médicos. O país produz isótopos médicos há anos no Reator de Pesquisa de Teerã, uma instalação com quase 60 anos localizada fora da capital e que, em um episódio da história nuclear moderna, foi originalmente fornecida ao xá pró-americano do Irã pelos Estados Unidos no âmbito do programa “Átomos para a Paz”.

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Se adaptada, a proposta permitiria ao Irã afirmar que continua enriquecendo urânio. Trump poderia argumentar que o país estaria fechando todas as instalações que possibilitariam a construção de uma arma — muitas das quais permaneceram abertas e operando em níveis baixos sob o acordo de 2015 entre o Irã e o governo Obama. Trump deixou esse acordo em 2018, o que levou o Irã a barrar inspetores e produzir urânio próximo ao grau necessário para armas, criando o cenário da crise atual.

Ainda assim, não está claro se os iranianos estariam dispostos a reduzir um programa nuclear hoje amplo e de escala industrial, no qual investiram bilhões de dólares, a uma iniciativa tão limitada.

Também não está claro se Trump permitiria qualquer produção nuclear, ainda que restrita a pesquisas sobre câncer e outros fins médicos, diante de suas declarações públicas de “enriquecimento zero”.

Autoridades do governo têm sido pouco claras sobre seus objetivos ao confrontar o Irã, país com mais de 90 milhões de habitantes. Embora Trump frequentemente fale em impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear, Rubio e outros assessores apresentaram outras justificativas para ação militar: proteger manifestantes mortos pelas forças iranianas no mês passado, eliminar o arsenal de mísseis que pode ser usado contra Israel e encerrar o apoio de Teerã ao Hamas e ao Hezbollah.

Uma ação militar dos Estados Unidos, porém, também poderia provocar uma resposta nacionalista, inclusive entre iranianos que desejam o fim do controle de Khamenei.

Autoridades europeias que participaram da Conferência de Segurança de Munique neste mês disseram duvidar que a pressão militar leve a liderança iraniana a abandonar um programa que se tornou símbolo de resistência aos Estados Unidos.



FonteAgência Brasil

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