FMI: Brasil poderá avançar com mais mulheres no mercado de trabalho

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Em artigo publicado recentemente, a economista Bunyada Laoprapassorn do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional, FMI, destacou a queda da taxa de desemprego brasileira.

A percentagem de postos de trabalho preenchidos foi de 5,2% em novembro de 2025, o nível mais baixo alcançado em 25 anos, no que marcou uma recuperação expressiva após a pandemia.

Potencial impacto direto no crescimento

No entanto, segundo o FMI, enquanto a participação masculina no mercado de trabalho voltou à tendência pré-Covid, as mulheres ficaram significativamente para trás.

O texto aponta que ampliar a presença de mulheres no mercado laboral é particularmente relevante num contexto de envelhecimento populacional, que tende a pesar sobre o crescimento da economia.

As projeções indicam que reduzir pela metade a diferença entre as taxas de participação laboral de homens e mulheres, passando de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, poderia aumentar o crescimento do Brasil em cerca de 0,5% por ano ao longo do período.

O FMI assinala que o desempenho do mercado de trabalho brasileiro é um elemento-chave para sustentar o crescimento no médio prazo.

Já a elevação da participação feminina pode ajudar a compensar os efeitos econômicos associados à mudança demográfica.

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Bolsa Família não parece reduzir de forma sistemática a participação feminina no mercado de trabalho no Brasil

Responsabilidades familiares continuam uma barreira 

O estudo indica que a necessidade de cuidar de responsabilidades domésticas e familiares continua a ser uma das principais razões pelas quais muitas brasileiras enfrentam dificuldades para ingressar ou permanecer no mercado de trabalho.

Para o FMI, este contexto também se liga ao debate em curso sobre o impacto do Bolsa Família na decisão das mulheres de trabalhar.

Bolsa Família não reduz participação de forma generalizada

Segundo a análise, o Bolsa Família, criado em 2003 para combater a pobreza extrema, oferece atualmente um benefício médio mensal de cerca de US$ 130 a famílias que mantêm crianças na escola e cumprem exigências como vacinação e cuidados de saúde obrigatórios.

O programa beneficia aproximadamente 50 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população brasileira, e foi significativamente ampliado em 2023.

A análise do FMI conclui que o Bolsa Família não parece reduzir de forma sistemática a participação feminina no mercado de trabalho. Contudo, o artigo aponta que as transferências estão associadas a uma menor participação de mulheres em famílias com crianças de seis anos ou menos.

Ainda assim, a instituição financeira crê que uma avaliação completa do impacto do programa deveria considerar fatores para além da participação laboral, incluindo aspetos mais amplos de bem-estar econômico.

Brasil deve seguir em ritmo moderado, em linha com o desempenho da América Latina

Diferença salarial permanece elevada 

Outro fator destacado pelo FMI é a diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil.

O artigo sublinha que, em média, o salário mensal das mulheres tende a ser cerca de 22% inferior ao dos homens, mesmo após controlar variáveis como educação, idade, raça, setor de atividade e posição ocupada.

Esta diferença pode incentivar algumas mulheres, incluindo beneficiárias do Bolsa Família, a permanecer em casa e cuidar dos filhos pequenos, em vez de ingressar no mercado de trabalho.

FMI aponta reformas prioritárias para ampliar participação feminina

No artigo, o FMI defende que diversas medidas podem aumentar a participação feminina e fortalecer o potencial econômico do Brasil.

As prioridades incluem a expansão do acesso a serviços de cuidados infantis e de idosos, com qualidade e custo acessível, além de ajustes no desenho de políticas de licença parental.

O texto também sugere mudanças no Bolsa Família, incluindo a possibilidade de reduzir gradualmente o corte do benefício quando há entrada no emprego formal, para diminuir eventuais desincentivos ao trabalho remunerado.

Outra medida apontada é o enfrentamento das desigualdades salariais, com destaque para a implementação efetiva da Lei de Equidade Salarial aprovada em 2023.

A instituição financeira acredita que o conjunto de reformas poderá criar um ambiente mais favorável para a entrada de mulheres no mercado de trabalho e contribuir para o aumento do crescimento econômico brasileiro.



Fonte ONU

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