Preço dos imóveis deve ter em 2026 o quinto ano seguido com crescimento acima da inflação

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Cinco pontos que você precisa saber sobre aluguel de imóveis na reforma tributária

Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, fala sobre as mudanças para os locatários e os aluguéis com a reforma tributária. Crédito: Jefferson Perleberg (Edição)

O preço dos imóveis residenciais teve valorização em 2025 – isto é, crescimento acima da inflação -, numa prova de resiliência do setor a despeito dos baques causados pelos juros altos da economia. Para 2026, a expectativa de especialistas é que essa tônica se mantenha. Se isso acontecer, será o quinto ano seguido de valorização real dos imóveis.

O preço médio das casas e apartamentos no País cresceu 6,52% no ano passado, de acordo com pesquisa Fipezap. O resultado superou a inflação, de 4,26%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.

Na maior cidade do País, São Paulo, o aumento no preço das moradias foi de 4,56%. As capitais com as maiores altas foram Salvador (16,25%), João Pessoa (15,13%) e Vitória (15,11%). Já as capitais com as menores altas foram Aracaju (2,79%), Teresina (2,80% e Rio de Janeiro (3,13%).

O Índice Fipezap é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios de classificados de imóveis residenciais prontos em um total de 56 cidades. A pesquisa apura os valores pedidos, não os valores dos negócios fechados. A grande maioria dos anúncios se refere a unidades usadas.

O que motivou o crescimento nos preços ao longo do ano foi a demanda aquecida da população devido ao desemprego baixo e ao avanço da massa de salários. Além disso, o governo federal estendeu os benefícios do Minha Casa Minha Vida (MCMV) para mais famílias, enquanto os governos estaduais passaram a oferecer cheques para complementar o valor da entrada na hora da aquisição.

Esse conjunto de fatores compensou, em parte, os juros elevados dos financiamentos, que inibiram a compra de imóveis fora do MCMV, apontou o coordenador do Índice Fipezap, Alison Oliveira. “Foi um cenário suficiente para sustentar a demanda e colocar os preços dos imóveis acima da inflação”, disse.

O desempenho também confirmou o ciclo de recuperação do mercado imobiliário. Ao longo de 2015 a 2020, o setor mostrou recuos nos preços ou subidas muito pequenas. Isso aconteceu enquanto o País estava mergulhado na recessão econômica e na pandemia. “Depois disso, começamos a ver uma recuperação no preço dos imóveis. Em 2025, esse movimento se consolidou”, disse Oliveira. A valorização dos imóveis vem superando a inflação desde 2022.

O economista Alberto Ajzental, especializado em mercado imobiliário e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), acrescentou que o custo de construção teve um aumento relevante ao longo de 2025, encarecendo o preço das moradias novas. A inflação setorial medida pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) cresceu 6,41% nos últimos 12 meses até novembro. No caso da mão de obra, o avanço foi de 9,46%, refletindo a falta de trabalhadores e o aumento dos salários no setor. “O custo da mão de obra pressionou a produção de moradias”, disse.

Houve ainda uma queda relevante no volume do crédito oferecido pelos bancos para novas obras, o que levou as construtoras a buscar crédito no mercado de capitais, onde os juros são mais altos. No fim das contas, os custos maiores são repassados para os consumidores. “Quem compra um imóvel precisa se lembrar que está pagando pelo terreno, pela edificação e pelo financiamento que a construtora tomou. E tudo isso ficou mais caro”, ressaltou Ajzental.

Com o mercado de trabalho aquecido, o custo das obras não deve dar trégua tão cedo. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Yorki Estefan, estimou que o custo dos trabalhadores deve continuar aumentando para as empresas ao longo dos próximos anos. “Acreditamos na continuidade da alta do custo da mão de obra nos próximos anos”, disse, apontando a escassez de gente qualificada e a necessidade de se pagar mais para reter os bons funcionários. Isso deve fazer com que os imóveis novos sejam lançados com preços maiores do que os atuais.

Projeções para 2026

Para Oliveira, do Fipezap, o preço dos imóveis em 2026 deve subir em torno de 1 a 2 pontos porcentuais acima da inflação. Umas das novidades no cenário deve ser a redução dos juros básicos por parte do Banco Central, com tendência de melhorar a situação do financiamento imobiliário. “Se confirmado, isso vai diminuir o valor da parcela. Aí, mais famílias vão conseguir comprar a casa própria”, disse. “Então, a tendência seria de crescimento da demanda por imóveis e, consequentemente, dos preços.”

Ajzental, da FGV, vai na mesma linha. “Acho que teremos preços de imóveis acima da inflação no País. Não será um boom, mas será relevante”, estimou. “A queda dos juros ajudará a reduzir o custo do financiamento, aliviando o valor do metro quadrado dos novos imóveis e o empréstimo para quem compra”.



Fonte ONU

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