Se Vorcaro delatar estou tranquilo, diz Jaques Wagner – 28/01/2026 – Economia

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O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que está “tranquilo e calmo” com relação a uma possível delação do banqueiro investigado pela Polícia Federal Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“Se ele delatar eu acho ótimo. Tô aqui tranquilo e calmo”, disse Wagner em entrevista ao programa Giro Baiana. “Eu negociei com o cara [Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro] a venda da Cesta do Povo, que não tem nada a ver com a trambicagem do Master.”

Wagner tem sido associado, em matérias de imprensa, à indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para uma posição de consultoria no Banco Master –afirmação que ele classificou como mentira.

Ele confirmou, porém, ter sugerido a Augusto Lima o nome do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao conselho de administração do Master.

“Eu disse ‘Lewandowski acabou de se aposentar do STF, e eu não sei se ele tem interesse”, narrou o ex-governador da Bahia, dizendo que teria sido abordado por Lima com um pedido de sugestão. “Mas não é que foi indicação minha, que não indiquei nada. Ele trabalhou um tempo, depois saiu porque foi ser ministro da Justiça”.

Durante a conversa, o parlamentar narrou o processo de venda da rede de supermercados estatais Cesta do Povo para Augusto Lima, que depois se tornaria sócio de Vorcaro. Wagner classificou a operação como um bom negócio e disse que o empreendimento dava prejuízo anual de R$ 60 mil antes de ser privatizado.

“[Lima] se interessou porque na venda da Cesta do Povo tava embarcado o Cartão Cesta, dado para funcionários e aposentados e descontado na folha”, afirmou o petista. “Depois esse espanhol [sócio de Lima] resolveu sair do negócio, e foi aí que entrou esse Vorcaro com o Banco Máxima.”

Como mostrou a Folha, Wagner conduziu a privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras.

Os dois primeiros leilões ficaram vazios, e Lima levou a Wagner a solução para tornar o negócio mais atraente: de mero instrumento para compras, o cartão passaria a agregar um combo de benefícios para os servidores, inclusive serviços financeiros.

A Ebal foi arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões pela única empresa que apareceu, a NGV SPE Empreendimentos e Participações. O representante foi o espanhol Ignacio Morales.

Questionado sobre o envolvimento de outros políticos nas fraudes do Master, Wagner confirmou e disse que “tem muita gente embaixo da cama”. Também afirmou que tem sido questionado sobre uma possível relação de amizade com Augusto Lima.

“Eu fui na festa de aniversário da mulher dele. Fui na festa de aniversário dele. Fui para o casamento dele”, disse Wagner. “Mas não tenho nenhum negócio com ele. Então estou muito à vontade, estou tranquilo e calmo com esse negócio”.



Fonte UOL

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