BNDES repetirá padrão de repasses ao Tesouro de 2024, afirma Mercadante

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Foto: Wilton Junior /WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Aloizio MercadantePresidente do BNDES

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que repetirá em 2025 o padrão de repasses ao Tesouro do ano passado, quando entregou 100% do lucro. “Vamos continuar fazendo tudo que pudermos fazer para contribuir para a gestão da Fazenda, para ajudar na estabilidade da economia e no crescimento”, afirmou, acrescentando que divulgará os dados do balanço no próximo dia 14, mostrando uma queda na inadimplência do banco, que “já é a menor do mercado”.

Mercadante cumpre uma agenda pesada em Belém, onde a instituição aparece como a maior financiadora das obras que prepararam a cidade para receber os participantes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30). O banco também é o gestor do Fundo da Amazônia e opera a parte reembolsável do Fundo Clima, o que levou o presidente do BNDES a mostrar números e ações práticas do Brasil no combate à crise climática durante as plenárias da Cúpula de Líderes.

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o presidente adiantou que, na próxima terça-feira, 11, em parceria com agentes do setor privado, participará do lançamento de uma certificadora de crédito de carbono brasileira. Sobre o envolvimento da instituição nos preparativos para a COP, afirmou que R$ 1,5 bilhão foi direcionado às obras de macrodrenagem da cidade de Belém. Além disso, detalhou financiamentos para o combate a incêndios, desmatamento e garimpo ilegal. Anunciou parcerias em um plano para enfrentar desastres naturais. E adiantou que vai anunciar a criação de uma certificadora de carbono juntamente com um grande banco nacional nos próximos dias.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

O BNDES movimenta grandes quantias e atua em diferentes segmentos. Como está a saúde financeira da instituição?

O BNDES libera R$ 1 bilhão por dia útil. No ano passado foram R$ 278 bilhões. É o segundo melhor resultado do sistema financeiro. Temos a menor inadimplência do mercado e no dia 14 vamos lançar o novo balanço e vamos mostrar uma taxa ainda menor. É a instituição pública mais transparente do Brasil. Em 2024, o BNDES passou uma quantia próxima a R$ 40 bilhões ao Tesouro, se considerarmos impostos, dividendos e uma repactuação recomendada pela Controladoria Geral da União. O BNDES foi a surpresa positiva do arcabouço.

E este ano?

Este ano vamos continuar fazendo tudo que pudermos fazer para contribuir para a gestão da Fazenda, para ajudar na estabilidade da economia e no crescimento.

Mas já tem uma ideia de quanto seria o repasse este ano?

Em valores nominais não sei, mas vamos repetir o padrão. Fizemos 100% do lucro. A lei permite 60%. Estamos fazendo um esforço gigantesco pela estabilidade.

E como está a captação de recursos para operações sustentáveis?

O Tesouro fez uma captação na semana passada com grande demanda e com grau de investimento para o Fundo Clima. Vai nos permitir ter uma taxa, por exemplo, para fazer floresta. Se você não tem uma taxa diferenciada, você não consegue. É crédito que oferecemos e as empresas estão assumindo dívida para plantar árvore. A conta tem que fechar. Empresa verde não pode operar no vermelho.

Estamos estruturando 21 projetos para gestão privada de florestas públicas. É uma área equivalente a Portugal, Irlanda e Dinamarca juntos. Já concedemos 2 projetos, geramos 73 mil empregos e isso muda a relação da população com a floresta.

Mas o crédito de carbono é muito importante nisso. Vamos lançar aqui em Belém, agora no dia 11, em acordo com um grande banco nacional e algumas instituições, a constituição de uma agência certificadora de crédito. Por enquanto não posso dar mais detalhes disso.

Qual o papel do BNDES na COP-30? Quanto o banco investiu nas obras feitas na cidade para o evento?

Investimos aqui em Belém o maior volume de recursos da história do BNDES em macrodrenagem urbana. Estamos fazendo todo o saneamento e a drenagem das baixadas de Belém, onde está a pobreza da cidade, 35% da população. Estamos fazendo 13 canais e nove já estão prontos.

São obras em áreas onde cada vez que chove inunda tudo. É uma tragédia recorrente e que está mais forte e imprevisível com as mudanças hidrológicas. Inauguramos também um parque linear. O grande esforço é deixar legado permanente para a cidade porque um evento não pode ser só um evento. Nós precisamos fazer um evento com significado global, mas que deixe uma memória para a cidade, uma história, e que o povo de Belém possa também se apropriar desse momento, naquilo que está associado ao enfrentamento das mudanças climáticas e da sustentabilidade.

Fizemos também dois terminais hidroviários e estamos reorganizando e pavimentando toda a baixada de Belém. É o maior volume de investimentos da história da cidade.

E de quanto é esse volume de dinheiro?

É de R$ 1,5 bilhão de financiamento ao governo do Estado e à Prefeitura somente na macrodrenagem. A obra começou em 2024 e não está tudo pronto, mas, na verdade, o projeto começou antes da COP. Quando foi decidido que o evento seria em Belém, nós aumentamos o escopo e aceleramos as obras para entregar na COP.

O BNDES anunciou uma associação com a Marinha e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para elaboração de um plano nacional para enfrentamento aos desastres naturais provocados pelo aquecimento global. Quanto será investido nesse projeto?

Nós entramos com R$ 30 milhões e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com R$ 20 milhões. Mas já nos comprometemos com mais R$ 50 milhões. Nós criamos uma diretoria de desastres naturais porque nós estamos sendo muito demandados em decorrência de desastres climáticos.

O Brasil, com o crescimento desorganizado urbano, tem uma população muito grande em áreas de risco e a principal incidência são os deslizamentos de terra, mas temos cada vez mais incêndios, por exemplo, que é uma coisa nova. O BNDES financiou todos os corpos de bombeiros da Amazônia. Foram R$ 45 milhões para cada Estado e foram nove Estados para combater incêndios florestais. É uma agenda nova e nós estamos nos preparando.

E sobre a frota enorme que tem o Brasil, um País que depende do transporte viário e que tem ainda os combustíveis fósseis como principal fonte? Como atua o BNDES?

Fizemos um plano de mobilidade para 21 áreas de grandes concentrações urbanas no Brasil. O plano nos diz onde cabe VLT, BRT, onde tem que ser corredor de ônibus. Então, temos um plano definindo quais os investimentos e as prioridades. Os chineses foram por uma rota tecnológica que é o carro elétrico e já estão liderando. Nós temos que ter outra rota se quisermos inovar.

A nossa vocação, no Brasil, é o carro híbrido a etanol e elétrico. Estamos há 50 anos financiando o biocombustível e temos a liderança mundial em etanol e agora passamos para a produção do etanol do milho. Você faz etanol e faz o alimento para o boi confinado, que libera pasto, terra degradada para a recuperação em outros projetos.

O carro híbrido etanol/elétrico é mais descarbonizante do que o carro elétrico, pois uma parte da matriz elétrica é poluente. Do ponto de vista do País, o custo é muito menor do que tentar construir uma estrutura elétrica. Então, o BNDES está financiando o P&D da Volkswagen, que na semana passada se comprometeu comigo e o vice-presidente Geraldo Alckmin que em 2026 todos os lançamentos feitos no Brasil serão de carros híbridos. Estamos fazendo isso também para a Toyota, Stellantis, Fiat. As principais plantas automotivas estão fazendo uma engenharia de inovação para carro híbrido. Nosso plano de mobilidade portador de futuro tem que ser mobilidade híbrida: BRT, VLT e ônibus ou euro seis ou elétrico.

O BNDES atua de alguma forma no combate ao desmatamento?

Nós fizemos um grande esforço nessa área por meio do financiamento de R$ 318 milhões ao Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI). É um centro de inteligência que reúne as polícias civis e militares da Amazônia e representação de todos os países da Amazônia.

Reduzimos em 50% o desmatamento. Além disso, colocamos R$ 850 milhões no Ibama, que comprou helicópteros blindados, drones com inteligência artificial. Com isso identificamos, por exemplo, garimpos ilegais e já apreendemos R$ 160 milhões em ouro. Ou seja, já pagamos metade do investimento no CCPI só com as duas primeiras apreensões de ouro contrabandeado.

Agora, a Polícia Federal está levantando o DNA do ouro e isso vai permitir rastrear todo o ouro produzido no Brasil. De onde saiu, por onde foi, se pagou os impostos, se é legal.



Fonte ONU

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