O Irã não transferirá seu urânio enriquecido para um país estrangeiro, e enviá-lo para os Estados Unidos nunca foi sequer considerado, afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei.
A declaração contrasta com a euforia do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou nesta sexta-feira que o Irã “concordou com tudo” para um acordo de paz, incluindo trabalhar com Washington para remover seu urânio enriquecido sem o envolvimento de tropas terrestres estadunidenses. “Sem tropas”, disse ele em uma entrevista por telefone à CBS News.
No entanto, quando questionado sobre quem recuperaria o urânio do Irã, Trump disse “nosso pessoal”. “Nós iremos lá buscá-lo com eles e depois o levaremos”, disse o presidente dos EUA.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Mais cedo, o Irã anunciara que o Estreito de Ormuz está aberto para navios comerciais em consequência do acordo de cessar-fogo no Líbano entre Israel e Hezbollah. A passagem deve permanecer aberta até o final do prazo da trégua na guerra entre Irã e EUA, marcado para a próxima terça-feira.

A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi. “A passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã.”
Três petroleiros iranianos, transportando um total de 5 milhões de barris de petróleo bruto, deixaram o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz em meio ao bloqueio dos EUA, informou a empresa de rastreamento de navios Kpler à agência francesa AFP.
Preços do petróleo desabam após volta do tráfego em Ormuz
De acordo com Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, “para as Bolsas internacionais, a notícia também foi positiva. Especialmente para as economias europeias, que já estavam com reservas de petróleo próxima ao final e se organizando para entrar na negociação de abertura do estreito. Com isso, o euro volta a se fortalecer contra do dólar, e os índices de ações da Europa sobem mais de 1%.”
O dólar recuou nesta sexta-feira. No Brasil, chegou a ser negociado a R$ 4,95 — menor nível em mais de um ano, mas fechou em R$ 4,983, queda de 0,19%. O índice DXY, que mede o valor da moeda estadunidense em relação a seis outras moedas principais, caiu 0,12%, para 98,098, às 19h GMT.
Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, lembra que até o momento não há confirmação ampla de que a normalização no Oriente Médio seja estável ou duradoura, “o que sugere cautela na leitura do movimento”.
“Dito isso, trata-se de um ajuste predominantemente tático. A precificação recente vinha carregando um prêmio geopolítico elevado, e qualquer sinal de normalização tende a gerar correção rápida. A região segue instável e esse prêmio não desaparece, apenas oscila, mantendo a volatilidade elevada e a possibilidade de reversão parcial no câmbio. Em outras palavras, não se trata de mudança de tendência consolidada, mas de reprecificação de risco de curto prazo”, explica Neo.
As ações estadunidenses fecharam em alta e renovaram as máximas. O Dow Jones Industrial Average subiu 1,79%, para 49.447,43 pontos. O S&P 500 avançou 1,2%, para 7.126,06 pontos. O Nasdaq Composite Index teve alta de 1,52%, para 24.468,48 pontos.
Com informações da Agência Xinhua

Fonte Monitor Mercantil