De um lado esse Carnaval, de outro a fome total

Compartilhar:

A cidade inteira muda de cara, todo ano, quando luz e som se encontram nas arquibancadas e nos palcos. Rock In Rio 2026 surge como um verdadeiro rito de passagem: grandes nomes da música, produções colossais, camarotes que representam um estilo de vida e ativações milionárias que, por algumas horas, reproduzem a alegria de um país inteiro em festa. O fomento cultural e econômico existe, com trabalhos temporários, turismo, consumo, visibilidade internacional, e é válido comemorar que a música ainda é um lugar de encontro, resistência e felicidade.

Não podemos nos limitar apenas ao entretenimento. Junto com as filas e os fogos, há outros indicadores urbanos que imploram por um olhar: habitações precárias ao redor dos circuitos, ocupações sem infraestrutura adequada, pessoas em situação de rua sem apoio, comércio informal pressionado e políticas públicas sempre atrasadas diante da magnitude dos eventos. A diferença entre o brilho dos palcos e a dureza do dia a dia não é um acaso; é um sinal de decisões coletivas que se mantêm ao longo do tempo.

Embora o festival tenha um impacto positivo, esse efeito é restrito se não resulta em mudanças estruturais nas áreas de saneamento, moradia adequada, saúde e educação. Camarotes VIP e ativações milionárias, que são ícones da exclusão, também podem proporcionar plataformas que se transformam em legado: contratação de profissionais locais, capacitação técnica, programas culturais contínuos nas áreas periféricas, parcerias voltadas para a moradia social e estímulos à economia criativa popular, não como um ato paternalista, mas como uma política pública e um compromisso privado de longo prazo.

É legítimo celebrar a vida; mas esquecer suas contradições, não. É dever da sociedade e dos organizadores exigir métricas transparentes de legado, com vagas concretizadas, projetos apoiados, investimentos realizados dentro de um cronograma supervisionado, e transformar o evento em uma alavanca para que mais talentos possam se destacar.

Que o Rock In Rio 2026 seja, mais do que uma celebração, um divisor de águas: aplausos que se transformem em ações e que, ao final dos últimos acordes, deixem a cidade um lugar mais justo para todos.



Fonte Startupi

Artigos relacionados

Helisson Pelegrini prepara lançamento da Space Green e visa mercado bilionário de canabidiol, cosméticos e produtos manipulados

Empresário projeta expansão nacional e internacional da marca, com meta de alcançar 250 franquias no Brasil até 2034...

Marca brasileira VYTA entra na corrida global dos anéis inteligentes

Com preços acessíveis, entregas rápidas e uma nova versão de seu aplicativo, a empresa busca ampliar o acesso...

Teses tributárias já pacificadas podem ajudar diversas empresas, avalia CDM Law

A Consultoria inverte a ordem do trabalho e passa a começar o projeto pela leitura técnica da operação...