Da cobertura de casamentos a contratos publicitários: como o diretor Rodrigo de Paula ergueu uma produtora que cresce 100% ao ano

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Fundador da Sarça, ele começou com poucos recursos e sem equipe. Hoje assina campanhas para Boticário, Volvo e Meta, acaba de mudar a sede da produtora para o centro de São Paulo e prepara duas novas frentes de negócio.

Em 2025, a Sarça cresceu 100%. Nos primeiros quatro meses de 2026, a produtora já havia faturado o equivalente a todo o ano anterior. Mantido o ritmo, Rodrigo de Paula fecha o ano com a empresa mais que dobrando de tamanho outra vez.

Para quem começou registrando casamentos, sem equipe e sem margem para errar, o número diz mais do que parece.

Rodrigo tem 23 anos de estrada no audiovisual, e boa parte dela foi feita em contextos onde faltava quase tudo, menos a obrigação de entregar. Casamento não tem segunda tomada: ou o beijo, o choro e o discurso são captados na hora, ou passaram. Foi ali que ele apurou composição, ritmo e a leitura de uma cena antes de ela acontecer.

Depois veio o meio gospel, onde precisou dirigir, fotografar, roteirizar e produzir ao mesmo tempo, com orçamento curto. A limitação virou método — fazer muito com pouco deixou de ser restrição e virou repertório.

“O brasileiro tem esse dom de fazer da escassez algo grandioso. Eu não tinha muito recurso — tinha criatividade. Foi assim que aprendi a trazer cinema para todas as minhas entregas”, diz Rodrigo.

Na pandemia, quando as transmissões ao vivo se multiplicaram, ele encontrou uma de suas assinaturas: entregar transmissão ao vivo com acabamento de cinema. Foi a ponte para a publicidade.

Hoje o portfólio inclui campanhas para Boticário, Stanley, Baw, Volvo e Meta, em parceria com agências como AlmapBBDO, Paim, W3haus e Suba.

Um dos trabalhos que ele costuma citar reuniu publicidade, conteúdo digital e evento ao vivo em uma única diária, com Seu Jorge, para a Johnnie Walker. Mais recentemente, assinou a direção visual do Spotify Sessions em Salvador, com o artista Matchola e direção musical de Russo Passapusso, gravado no Palacete Tira-Chapéu.

Na moda, dirigiu desfiles para Misci, Angela Brito e Francesca; nos palcos, trabalhou com Liniker, Iza e Anitta. Em 2022, ele e Sarah Martins, cofundadora e diretora de cena da Sarça, levaram o prêmio de melhor clipe no MVF com “Cansei”, de J.C.Aguiar — o primeiro clipe gospel a vencer a premiação.

O dado que interessa a quem olha a Sarça como negócio, porém, é outro: Rodrigo não montou uma produtora, montou um grupo.

Além da Sarça, ele lidera o Studio See You, fundado em 2010, que entrega mais de 200 peças por ano entre foto, vídeo e editorial, e a Do It Live, voltada a eventos, transmissão e ativação para marcas como Renner, Nubank, UOL e Globo Condé Nast. A MV2 Produções entra como parceira nos projetos de estrutura mais pesada.

Cada empresa tem seu terreno — a Sarça no cinema e no conteúdo, a Do It Live no ao vivo, o Studio See You no volume de foto e editorial —, e é isso que faz uma sustentar a outra em vez de disputarem o mesmo cliente.

Agora ele faz duas apostas ao mesmo tempo.

A primeira é a mudança de endereço. A Sarça está saindo do Grande ABC para um espaço na Rua Líbero Badaró, no centro de São Paulo. A troca não é só de metragem: Rodrigo quer um lugar que funcione como ponto de encontro de música, arte e produção — mais casa aberta do que escritório.

A segunda é a Stereo, plataforma de performances musicais ao vivo em formato intimista, inspirada no Tiny Desk, a série da rádio pública americana NPR. A proposta é aproximar artista e público com registros que cuidam da direção e do som na mesma medida.

Há ainda o Sarça Connects, que talvez explique a cabeça do empresário melhor do que qualquer campanha. Em vez de reter talento com contrato de exclusividade, o programa conecta diretores, fotógrafos e artistas visuais independentes a grandes projetos, sem amarra.

Já entraram nomes como Luiz Maudonnet, premiado com melhor fotografia no 50º Festival de Gramado, a diretora Julia Pavin, com trabalhos para Nike e Adidas, e a artista visual Tamara dos Santos, citada pelo britânico The Guardian pelo trabalho com estéticas pretas e periféricas. Juntos, já assinaram sets para Boticário, Rexona, Meta e Valentino.

É um modelo pouco comum num mercado que costuma tratar bom profissional como ativo a ser trancado. Rodrigo aposta no contrário: quanto mais gente boa circula pela rede, mais forte fica a operação inteira.

“Não faz sentido trancar talento. Quanto mais gente boa passa pela Sarça, melhor pra todo mundo — inclusive pra Sarça”, afirma.

Da câmera emprestada no altar de uma igreja ao endereço novo no centro de São Paulo, o caminho foi longo. Mas a lógica que sustenta a próxima etapa é a mesma que ele aprendeu quando não podia errar a tomada: entregar bem, e construir algo que não dependa de uma única diária para se manter de pé.


Serviço:

Sarça — Produtora audiovisual
Diretor: Rodrigo de Paula
Portfólio: sarça.tv/diretores/rodrigo-de-paula

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