Redução da natalidade leva a repensar educação na América Latina

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A queda nas taxas de natalidade na América Latina fará com que, até o ano de 2050, a região contabilize 38,3 milhões a menos de pessoas em idade escolar em comparação à década de 2020. 

No estudo publicado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, esse cenário representa uma oportunidade para solucionar os desafios educacionais do continente.

Transformação nas salas de aula

Segundo o relatório, a taxa de fecundidade regional passou de uma média de 5,8 filhos por mulher em 1950 para apenas 1,8 nos últimos anos. 

Entre 2018 e 2023, a América Latina registrou uma acentuada queda de natalidade. Uruguai e Venezuela tem percentual superior a 15%. No Chile, Costa Rica e Argentina, a taxa ultrapassa 20%.

Dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, apontam que a taxa de natalidade brasileira caiu para cerca de 1,55 filho por mulher, abaixo do índice de reposição populacional (2,1). 

IOM/Gema Cortes
Uma família venezuelana migrante faz uma longa viagem desde a fronteira sul do Peru até Lima

Fatores como a urbanização, maior especialização profissional e acadêmica femininas, acesso a métodos contraceptivos e os altos custos associados à criação de filhos e à moradia motivaram essa redução. 

As projeções do estudo para 2050 indicam que a taxa de natalidade será abaixo do nível de reposição em todos os países latino-americanos.

Mapear o futuro

Simulações feitas para países em declínio demográfico mostram que seus sistemas educacionais podem encolher entre 32% e 40% até 2050.

Em regiões receptoras de migrantes, a chegada de populações mais jovens atenua parcialmente esses índices.

O estudo calcula que até a metade do século, a queda demográfica poderá liberar cerca de 30% dos recursos financeiros por nível educacional. 

Ensino de maior qualidade

Para aproveitar esse aporte financeiro, a Unesco e a Cepal recomendam a redução do tamanho das turmas, permitindo um ensino mais personalizado e de maior qualidade, universalizar a educação pré-escolar, fortalecer o ensino médio e técnico e melhorar a capacitação docente.

Além disso, incentivam os governos dos países da América Latina a desenvolverem sistemas de informação georreferenciados, assim permitindo o cruzamento de estatísticas de nascimentos, matrículas e movimentos migratórios para adaptar a infraestrutura escolar.



Fonte ONU

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