Desenrola melhora o presente, mas pressiona o futuro
Renegociação abre espaço para consumo novo e dívida nova. Crédito: Ariel Liborio (Edição)
BRASÍLIA – As concessões de crédito livre, cujas taxas são negociadas diretamente entre os bancos e clientes, sem subsídios do governo, aumentaram 6,7% em junho, na comparação com maio, para R$ 668,4 bilhões, informou nesta quinta-feira, 30, o Banco Central. No acumulado de 12 meses, a alta é de 9,3%. Os dados não têm ajuste sazonal.
Concessões para pessoas físicas cresceram 1,4% em junho, para R$ 338,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, avançam 10,2%. As concessões para empresas dispararam 12,7% na margem, para R$ 330,0 bilhões. Em 12 meses, a alta é de 8,3%.
A taxa média de juros no crédito livre subiu de 49,3% (revisado, de 49,5%) em maio para 49,8% em junho. Em junho de 2025, a taxa era de 46,1%.
O juro médio do crédito livre para pessoas físicas subiu de 62,8% para 64,0%. A taxa cobrada das empresas oscilou de 24,9% (revisado, de 25,2%) em maio de 2026 para 24,4%.

Endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro caiu para 49,8% em maio, segundo o BC Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A taxa do cheque especial avançou de 137,3% (revisado, de 138,3%) para 139,8%. O juro médio do crédito pessoal sem consignação passou de 120,3% (revisado, de 120,4%) em maio para 127,3% em junho. A taxa média do crédito pessoal consignado subiu de 27,9% (revisado, de 28,0%) para 28,3%.
O juro médio no crédito para aquisição de veículos passou de 26,3% para 26,4%.
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A taxa média no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), oscilou de 33,2% (revisado, de 33,4%) para 33,4%. Em junho de 2025, estava em 32,3%.
O Indicador de Custo de Crédito (ICC) passou de 24,2% (revisado, de 24,3%) para 24,3%. O índice mostra o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.
A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre permaneceu em 6,2% em junho, o mesmo nível de maio. A taxa para pessoas físicas ficou estável em 7,6%, enquanto a inadimplência das empresas recuou de 4,1% para 4,0%.
A inadimplência do crédito direcionado, com recursos da poupança e do BNDES, caiu marginalmente, de 2,8% em maio para 2,7% em junho. Considerando o crédito total, que inclui o livre e o direcionado, a taxa permaneceu em 4,7%.
Estoque total de crédito sobe 0,7% em junho
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro cresceu 0,7% na passagem de maio para junho, para R$ 7,356 trilhões. Nos últimos 12 meses, o estoque acumula alta de 9,7%.
O saldo das operações com pessoas físicas avançou 0,2% em junho e 10,8% em 12 meses. Para empresas, cresceu 1,5%, com alta de 7,9% em 12 meses.
O estoque do crédito livre cresceu 0,7%. Nas aberturas, o saldo para pessoas jurídicas aumentou 1,9%. Em contrapartida, o saldo para pessoas físicas recuou 0,1% na margem, na primeira queda desde junho de 2023.
O estoque do crédito direcionado, com recursos do BNDES e poupança, teve alta de 0,8%.
O total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 55,7% em maio para 55,8% em junho.
Endividamento das famílias cai a 49,8% em maio
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro caiu para 49,8% em maio, depois de permanecer no pico da série em abril e março, em 49,9%. O resultado de abril foi revisado nesta leitura, de 49,8% na publicação original, feita no início de julho.
Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,2% em abril (revisado, de 31,1%) para 31,1% em maio de 2026.
O comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu de 28,4% (revisado, de 28,2%) para 28,5%. Sem contar os empréstimos imobiliários, passou de 26,1% (revisado, de 25,9%) para 26,2%.
Concessões de consignado privado têm terceira baixa consecutiva
As concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado caíram 1% em junho, na comparação com maio. O montante passou de R$ 7,758 bilhões para R$ 7,679 bilhões no período.
O saldo do consignado privado cresceu de R$ 109,140 bilhões para R$ 113,337 bilhões, uma alta de 3,8%. Os números refletem o comportamento do novo modelo de consignado privado, o Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo em março de 2025.
O juro médio da modalidade cresceu 0,1 ponto porcentual na margem, de 53,9% para 54,0% ao ano. O governo esperava uma queda gradual das taxas desde o lançamento do programa, que não se confirmou.
No fim de junho, o governo anunciou que passa a ser possível usar o FGTS como garantia nessas operações. Quando isso for feito, a taxa de juros fica limitada a 1,99% ao mês (26,7% ao ano).
Fonte ONU