Por que os preços do petróleo não subiram tanto na Guerra no Irã?

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Navios parados no Estreito de Ormuz devido à Guerra no Irã
Navios parados no Estreito de Ormuz (foto de Wen Xinnian, Xinhua)

Antes da mais recente escalada de tensões, o esboço de acordo entre EUA e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz provocou uma forte queda nos preços, em grande parte porque o petróleo retido em navios-tanque no Golfo poderia retornar rapidamente ao mercado.

“Ainda assim, muita incerteza permanece — incluindo quando a liberdade de navegação pelo ponto de estrangulamento de petróleo mais crítico do mundo será efetivamente restaurada e com que rapidez a confiança de transportadoras, seguradoras e operadores acompanhará esse processo”, afirmam os economistas Jean-Marc Natal e Azim Sadikov, em artigo no Blog do Fundo Monetário internacional (FMI).

Estimativas do setor sugerem que levará de dois a três meses para que uma parcela significativa dos fluxos de petróleo seja retomada após a reabertura total da via navegável. “Uma preocupação de longo prazo é que paralisações prolongadas na produção possam causar perdas permanentes de produção, especialmente onde o financiamento para reativar poços é escasso”, destacam.

Os economistas tentam explicar por que, após a maior perturbação no mercado global de petróleo em décadas, os preços do petróleo bruto, após um pico inicial, logo se estabilizaram na faixa de US$ 90 a US$ 100 por barril, um patamar muito inferior ao que muitos temiam.

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“Por que os preços não subiram mais? A resposta é que uma combinação de fatores ajudou a amortecer o impacto inicial. Contudo, grande parte dessa margem de manobra já foi esgotada”, anotam.

“Havia inúmeras razões para que o petróleo se tornasse proibitivamente caro. A guerra efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, interrompendo o fluxo de cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos refinados — o equivalente a um quinto do consumo global”, explicam Natal e Sadikov.

“Os produtores do Golfo redirecionaram o que podiam. A Arábia Saudita enviou petróleo por meio de seu oleoduto até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Os Emirados Árabes Unidos operaram seu porto de Fujairah — situado fora do estreito — próximo à capacidade máxima. Ainda assim, essas soluções alternativas compensaram apenas uma fração do volume que deixou de passar por Ormuz.”

Além do petróleo bruto, a produção de derivados na região do Golfo caiu significativamente, afetando sobretudo o diesel e o combustível de aviação — produtos nos quais a região responde por cerca de 10% da oferta global.

Até o final de maio, mais de 1,1 bilhão de barris de petróleo bruto — o equivalente a cerca de 10 dias de consumo global típico — não haviam chegado ao mercado. Nesse mesmo estágio da perturbação, o déficit superava os registrados durante o choque do petróleo de 1973, a Guerra Irã-Iraque e a Guerra do Golfo.

“Como o sistema global absorveu uma perturbação dessa magnitude? Nos dias que antecederam a guerra, a oferta superava a demanda em cerca de 2 milhões de barris por dia, o que proporcionou uma vantagem inicial.

Três fatores que seguraram preços do petróleo na Guerra no Irã

No período de março a maio, três fatores ajudaram a suprir essa lacuna”, acrescentam:

  • A compressão da demanda desempenhou o papel principal, especialmente na Ásia, à medida que os preços mais altos reduziram o consumo e as economias recorreram a alternativas como carvão e fontes renováveis. A demanda por transporte, contudo, mostrou-se mais resistente a quedas, em parte devido a tetos de preços de combustíveis, subsídios e isenções fiscais que contiveram o impacto — embora a um custo fiscal.
  • A produção fora do Golfo aumentou mais do que o esperado, situando-se quase 2 milhões de barris por dia acima dos níveis projetados para 2025. Os Estados Unidos lideraram o movimento, com a Venezuela, a Guiana e a Rússia também aumentando a produção.
  • Os estoques fizeram o restante. O déficit de mercado estimado em cerca de 4 milhões de barris por dia, entre março e maio, foi suprido quase inteiramente pela utilização de estoques globais, incluindo estoques comerciais na China e reservas estratégicas.

Quando a oferta começar a se recuperar, o déficit de petróleo diminuirá apenas gradualmente, aproximando os estoques dos níveis mínimos operacionais — o patamar abaixo do qual o próprio sistema físico começa a sofrer restrições. “A menos que os estoques sejam recompostos, o mundo partirá de uma posição mais frágil quando ocorrer o próximo choque”, advertem.

“A flexibilidade dos mercados de energia e as ações rápidas das autoridades deram fôlego à economia global. Um acordo duradouro entre EUA e Irã abriria caminho para a restauração da oferta. No entanto, ainda são necessários esforços significativos para aumentar a resiliência e a diversificação do suprimento de energia e evitar que choques no preço do petróleo desestabilizem a economia global”, finaliza o artigo.

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Fonte Monitor Mercantil

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