Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles
Crédito: Larissa Burchard/Laís Nagayama
Com inflação de 3,20% entre janeiro e maio e 4,72% em 12 meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) precisará de alguma ousadia para anunciar nesta quarta-feira, 17, à noite, uma nova redução da taxa básica de juros, a Selic.
Em sua última reunião, em abril, o comitê baixou a taxa para 14,5%, com um corte de 0,25 ponto porcentual. A baixa foi menor que a anterior, de 0,5 ponto, e nenhuma indicação foi apresentada sobre a sequência da política. A cautela foi justificada com uma referência às incertezas internacionais, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, e ao risco de inflação em alta por um longo período.
Se o desajuste persistir, sustentado pelas condições externas ou por desarranjos da política interna, a inflação poderá permanecer acima ou na vizinhança do teto da meta, 4,5%. Nesse caso, o Copom terá dificuldade para continuar afrouxando sua política e talvez seja até estimulado a realizar um novo aperto.

Copom poderá ter dificuldade para continuar afrouxando sua política Foto: André Dusek/Estadão
A mediana das projeções do mercado, registrada no boletim Focus divulgado na última segunda-feira, subiu para 5,30% na segunda semana de junho. Na anterior, havia chegado a 5,11%, já atingindo um ponto bem acima do teto.
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Puxada pelas expectativas de inflação, a Selic estimada pelo mercado para o fim do ano subiu em duas semanas de 13,25% para 13,75%. A projeção de crescimento econômico também aumentou nesse período e atingiu 1,96%. A estimativa para 2027 continuou, no entanto, em 1,70%. Inflação longe da meta e expansão econômica medíocre formam um quadro sinistro e compõem um desafio quase humilhante para o governo central.
O assunto poderia motivar um debate interessante na disputa eleitoral deste ano, mas os candidatos têm mostrado, pelo menos até agora, pouco interesse em discussões desse tipo. Além disso, até agora nem sequer apresentaram programas ou esboços de programas de governo, como se fossem detalhes irrelevantes ou mesmo aborrecidos quando se disputam os postos mais importantes da República.
Fonte ONU