Em entrevista coletiva concedida ontem, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmaram que o Governo do Brasil considera injusta a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) de taxar em 25% os produtos brasileiros.
“O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump”, ressaltou Geraldo Alckmin, que criticou as manobras realizadas junto ao governo dos EUA por representantes da família Bolsonaro e classificou a recomendação como “descabida”.
“O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo, aliás, que já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público. O caminho vai ser trabalhar, dialogar, para que elas não se convertam e mostrar todos os argumentos para a gente poder avançar mais”, prosseguiu o vice-presidente.
Alckmin apresentou uma defesa do país em relação às outras justificativas do USTR para taxar em 25% os produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos EUA cita o Pix, as “big techs”, acordos do Mercosul com a Índia e o México, o combate à corrupção, a questão da propriedade intelectual, o etanol e o desmatamento ilegal em sua conclusão preliminar anunciada na véspera relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.

O vice-presidente afirmou que, das colocações feitas na Seção 301, a primeira delas se refere à questão do Pix.
“O Pix é um patrimônio nacional. É uma conquista do povo brasileiro. A tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica de entrar nisso, porque ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”, continuou o vice-presidente.
A Seção 301 da legislação comercial norte-americana prevê a adoção, pelo Governo dos EUA, de medidas comerciais coercitivas como instrumento unilateral de pressão para a abertura de mercados às exportações e aos investimentos externos norte- americanos.
Ainda sobre a questão do Pix, Márcio Elias Rosa deixou claro que esse é um tema do qual o Brasil não abre mão. “Só não há o retrocesso efetivo porque o presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência, e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como o Pix, por exemplo, fique na mesa de negociação. Ele não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre que possível demonstrar, não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil”.
Lula diz que ‘Brasil vai buscar novos parceiros para diminuir impactos comerciais’z
Hoje, o presidente Lula afirmou que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos EUA. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Com informações da Agência Brasil

Fonte Monitor Mercantil