O salário deixou se der o fator determinante para atrair e reter talentos no mercado brasileiro. De acordo com um novo estudo global da Randstad, o desenvolvimento profissional assumiu a prioridade para 68% dos entrevistados e desbancou — ainda que por uma margem estreita — o apelo da remuneração e de benefícios atrativos (67%).
“Durante muito tempo, salário e carreira eram trabalhados de forma padronizada. O profissional atual espera algo personalizado: crescimento, flexibilidade e equilíbrio sustentável”, afirma Diogo Forghieri, diretor de negócios da consultoria de recrutamento.
A pesquisa, que mapeou a percepção de 4.465 brasileiros sobre as 150 maiores empresas empregadoras do país, mostra que a estagnação virou o principal estopim para pedidos de demissão. A falta de oportunidades de crescimento motiva a saída de 43% dos profissionais, superando a insatisfação salarial (37%) e o desequilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho (36%).
“O profissional de hoje não enxerga crescimento apenas como promoção vertical. Existe uma busca muito maior por desenvolvimento contínuo, aprendizado, mobilidade interna, novos projetos e ampliação de repertório profissional”, explica Diogo. “Quando isso não acontece de forma constante, aumenta rapidamente a sensação de estagnação, mesmo em empresas com boas estruturas formais de carreira.”
Novas exigências, novos perfis
A mudança de prioridades é liderada pelas mulheres: 71% consideram as oportunidades de crescimento indispensáveis no perfil de um empregador ideal, frente a 64% dos homens. O público feminino também valoriza benefícios voltados ao bem-estar e ao trabalho flexível (70%, contra 59% do público masculino). “As mulheres historicamente enfrentam jornadas profissionais mais complexas, muitas vezes conciliando desenvolvimento de carreira com pressões adicionais relacionadas a cuidado, maternidade e gestão da vida pessoal”, afirma o executivo. “Isso faz com que temas como flexibilidade, bem-estar e progressão profissional sejam percebidos de forma ainda mais crítica.”
No recorte etário, a Geração Z — que já representa mais de um quarto da força de trabalho — consolida essa nova cultura. Enquanto 76% dos Baby Boomers encaram a remuneração como o atrativo principal, o índice cai para 61% entre os mais jovens. Em contrapartida, licenças, folgas e cultura organizacional têm peso maior para a nova geração.
Não por acaso, a Geração Z registra a menor taxa de retenção do mercado: apenas 45% pretendem ficar na empresa em que estão até o fim de 2026 (frente a 49% dos Millennials e 62% da Geração X). “As pessoas estão cada vez menos dispostas a permanecer em ambientes onde a experiência cotidiana não acompanha a boa reputação da empresa.”
FonteForbes