Confira os destaques para não perder no 2º dia do SPIW
O segundo dia do São Paulo Innovation Week promete cruzar tecnologia, comportamento, ciência, arte e sociedade em conversas fora do tradicional. Crédito: Reportagem: Larissa Burchard; Edição: Jefferson Perleberg
“O time brasileiro está no mundial da transição energética e está perdendo o jogo. Só espero que não seja o fatídico 7 a 1”, disse nesta quinta-feira, 14, a CEO da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. “Hoje, estamos perdendo talvez de 2 a 1 e precisamos reverter esse jogo”, completou em palestra do segundo dia do São Paulo Innovation Week (SPIW).
Maior festival global de tecnologia e inovação, o SPIW é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
O segundo dia do São Paulo Innovation Week (SPIW) teve painel sobre a energia eólica em terra e mar e a eletrificação da economia com Roberta Cox, Elbia Gannoum e Jean Paul Prates. Foto: Felipe Rau /Estadão
A derrota do Brasil na transição energética, de acordo com Gannoum, decorre da desaceleração no setor eólico, iniciada em 2024. Até 2023, o Brasil vinha instalando cerca de 4 GW por ano em usinas eólicas. Em 2024, esse número caiu para 3,3 GW e, no ano passado, para 2,3 GW.
Essa queda nos investimentos em energia eólica está associada à falta de demanda por novos projetos. Isso ocorre porque a economia brasileira vem crescendo menos e porque houve, segundo a executiva, uma falta de calibragem em políticas públicas que incentivaram a instalação de painéis solares em casas de consumidores.
O excesso de geração de energia produzida por esses painéis tem causado excesso de capacidade na rede, o que faz com que as usinas de energia renovável tenham de ser desligadas para equilibrar o sistema – problema conhecido como curtailment. “Estamos numa situação em que os projetos potenciais não têm demanda e os já assinados não podem gerar energia porque o sistema não está absorvendo”, destacou a executiva no painel Energia Eólica em Terra e Mar e a Eletrificação da Economia.
O debate foi mediado pelo ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates. Atual presidente do conselho de mantenedores do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Prates foi senador e autor do projeto que baseou a lei que regula a geração de energia eólica no mar (offshore).
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Gannoum acrescentou que há sinais de retomada de demanda a partir de 2027, impulsionada pela instalação de datacenters no País e pela eletrificação da economia. Esses dois fatores podem fazer a demanda crescer de forma ainda mais intensa nas próximas décadas e, para atender essa necessidade por energia, usinas eólicas offshore (instaladas em alto mar) podem ser essenciais. “Por isso, temos que nos preparar para ter projetos offshore. O Brasil precisa ter visão de planejamento. Do contrário, corre o risco de perder para ele mesmo”, frisou.
Diretora de política no Brasil do Global Wind Energy Council, Roberta Cox lembrou que, se começarem a ser desenvolvidas agora, usinas offshore entrarão em operação daqui a dez anos, quando a procura por energia for maior. Ela ponderou, porém, que o País ainda precisa ter um decreto regulador para o setor – a lei que regulamenta a atividade foi aprovada no ano passado.
“É uma questão de planejamento e estratégia. O Brasil tem muita energia limpa para atrair datacenters. O País está à frente das maiores potências quando se considera a limpeza da matriz energética. Temos que aproveitar isso. Se começarmos os projetos de offshore agora, em 50 anos, podemos ser uma das maiores economias pela abundância de energia que temos.”
Fonte ONU
