Com dívidas que somam R$ 4,2 bi, Fictor tem pedido de recuperação judicial deferido

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A Justiça de São Paulo deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Fictor na noite de sexta-feira (17). A decisão, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível, abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest e inclui a Fictor Alimentos em regime de consolidação substancial com as demais empresas do grupo.

As companhias declararam passivo de R$ 4,2 bilhões e terão 180 dias de proteção contra execuções.

A juíza Fernanda Perez Jacomini determinou o monitoramento das atividades pela PwC (PricewaterhouseCoopers) e manteve a Laspro Consultores como administradora judicial. A PwC deverá apresentar um primeiro relatório em 15 dias, e as empresas ficarão obrigadas a divulgar demonstrativos financeiros mensais durante o processo, segundo a decisão e fato relevante encaminhado à CVM.

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Monitoramento e prazos

De acordo com a legislação, o plano de recuperação judicial deve ser apresentado em até 60 dias a partir da publicação da decisão. No chamado stay period, ficam suspensas ações e execuções, interrompidos os prazos prescricionais e proibidos atos de constrição sobre bens das recuperandas.

Ao justificar o deferimento, a magistrada afirmou que a medida busca preservar as atividades e evitar a insolvência do grupo no contexto de crise de liquidez. O processamento também permitirá esclarecer pendências envolvendo coligadas, como a Fictor Alimentos, e apurar indícios de irregularidades apontados por credores e pela administração judicial no curso do processo.

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Impacto nos credores

O quadro de credores supera 13 mil, com predominância de pessoas físicas que aplicaram recursos junto à empresa. A Fictor enfrenta uma crise de reputação desde que apresentou, em 17 de novembro de 2025, proposta para adquirir o Banco Master. Após a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, clientes sacaram cerca de R$ 3 bilhões, agravando a pressão sobre a liquidez do grupo.

A Fictor Alimentos, principal subsidiária, responde por cerca de 70% da receita do conglomerado e informou faturamento de R$ 3,5 bilhões em 2024. Nos últimos anos, a companhia intensificou a atuação em proteína animal e a aquisição de ativos em dificuldades, segundo comunicações ao mercado.



Fonte Infomoney

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