Especialista aponta os desafios emocionais do pós-separação e o papel da terapia na retomada da identidade e da autonomia feminina
O fim de um casamento ainda é, para muitas mulheres, um dos momentos mais desafiadores da vida adulta. Mais do que a ruptura de um relacionamento, o divórcio pode representar uma perda profunda de identidade, especialmente em uma sociedade que historicamente condicionou a mulher a priorizar o cuidado com a família em detrimento de si mesma.
É nesse cenário que atua Tatiane Barreto, terapeuta sistêmica especialista em divórcios e recomeços e Membra Prime do Papo de Leoa, ecossistema de desenvolvimento feminino criado por Andressa Gnann. Com foco no acolhimento e na reconstrução emocional, ela acompanha mulheres que enfrentam o processo de separação e precisam reencontrar seu próprio caminho.
Segundo Tatiane, um dos sentimentos mais comuns no pós-divórcio é a sensação de não saber mais quem se é. Muitas mulheres, ao longo do relacionamento, acabam se anulando para atender às demandas da vida a dois, o que torna o recomeço ainda mais desafiador. “Quando se separam, muitas mulheres percebem que não sabem mais quem são. Elas foram se perdendo ao longo da relação, nas cobranças e nas responsabilidades, e precisam, nesse momento, voltar para si, reconstruir sua identidade e se reconhecer novamente”, explica.
Esse processo, no entanto, costuma ser marcado por emoções intensas, como insegurança, culpa, medo, vergonha e até a sensação de fracasso. Para a terapeuta, é justamente nesse ponto que o acompanhamento profissional se torna fundamental, oferecendo suporte para transformar dor em direção e fragilidade em força.
A especialista também chama atenção para um aspecto pouco observado por muitas mulheres: a falsa sensação de dependência após o divórcio. De acordo com ela, é comum que exista o medo de não conseguir se sustentar emocional ou financeiramente, quando, na prática, muitas já desempenhavam essas funções mesmo dentro do casamento. “Muitas mulheres já dão conta de tudo sozinhas, mas não percebem. Elas cuidam da casa, dos filhos, da rotina e, muitas vezes, também contribuem financeiramente. O que muda após o divórcio é o estado civil, não necessariamente a responsabilidade”, afirma.
Outro ponto importante abordado por Tatiane é a dificuldade em diferenciar uma crise conjugal de um relacionamento que chegou ao seu limite. Para ela, a base de qualquer relação saudável está na verdade e no respeito. Quando esses pilares não foram rompidos, é possível que o casal esteja apenas enfrentando uma fase desafiadora. No entanto, ela faz um alerta importante. “Relacionamentos disfuncionais, especialmente aqueles marcados por desrespeito ou violência, não devem ser confundidos com crises passageiras. Nenhuma forma de violência, seja física, psicológica ou patrimonial, pode ser tolerada”, destaca.
A terapeuta também ressalta que muitas mulheres permanecem em relações desgastadas sob o argumento de preservar a família, especialmente por causa dos filhos. No entanto, segundo ela, o impacto emocional de um ambiente disfuncional pode ser ainda mais prejudicial. “Os filhos não precisam dos pais juntos a qualquer custo. Eles precisam de referências saudáveis, emocionalmente equilibradas, mesmo que em lares separados”, pontua.
No processo de reconstrução, Tatiane identifica ainda erros comuns que podem atrasar o recomeço. Um dos principais é iniciar um novo relacionamento sem antes cuidar das próprias feridas emocionais. “A dependência emocional é como um espaço interno que precisa ser desenvolvido. Não é o outro que vai preencher isso. Quando terceirizamos nossa felicidade, abrimos mão da nossa autonomia”, explica.
Para ela, o recomeço após o divórcio não precisa ser solitário, mas exige coragem e, principalmente, disposição para olhar para si mesma. Com apoio adequado, é possível ressignificar a dor e construir uma nova trajetória baseada em autonomia, amor-próprio e consciência emocional.
O que é o Papo de Leoa
O Papo de Leoa é uma comunidade feminina criada por Andressa Gnann, voltada ao desenvolvimento pessoal, profissional e financeiro de mulheres. O ecossistema reúne mentorias, encontros presenciais, masterminds, conteúdos digitais e iniciativas educacionais com foco em autonomia, posicionamento e prosperidade feminina.
A proposta é oferecer um ambiente seguro e estratégico de crescimento, no qual mulheres possam compartilhar experiências, fortalecer sua identidade e desenvolver habilidades para avançar em diferentes áreas da vida.