ATENAS, 2 Abr (Reuters) – A mãe grega Georgia Efstathiou tentou de tudo para reduzir o controle que a rede social exerce sobre seu filho de 14 anos: conversas francas, tempo sem internet, confisco do telefone.
Agora, Efstathiou pode estar recebendo a ajuda que deseja desesperadamente. Nos próximos dias, o governo grego deve anunciar a proibição das mídias sociais para menores de 15 anos, juntando-se ao crescente número de nações que buscam proteger as crianças contra o vício e o abuso online.
‘Proíbam-nos, fechem-nos. Chegamos aos nossos limites… Nós, pais, precisamos de ajuda’, disse Efstathiou, de 43 anos, segurando o celular do filho na sala de sua casa em Atenas.
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Efstathiou não está sozinha. Uma pesquisa de opinião da ALCO publicada em fevereiro mostrou que cerca de 80% dos entrevistados aprovavam a proibição. O governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis já proibiu os telefones celulares nas escolas e criou plataformas de controle dos pais para limitar o tempo de tela dos adolescentes.
O governo se recusou a comentar sobre a proibição ou quando e como ela será implementada.
A Reuters informou sobre o plano em fevereiro e fontes disseram que um anúncio formal está pendente. No mês passado, Mitsotakis disse a um jornal greco-australiano que a Grécia se moverá ‘em uma direção semelhante à da Austrália’, onde as empresas de mídia social foram ordenadas em dezembro a manter fora do alcance dos usuários menores de 16 anos ou enfrentarão multas.
Assim como em outros países, a Grécia está enfrentando problemas com sites de rede social, como o Instagram, da Meta, o TikTok e as plataformas de jogos online.
No Centro Grego de Internet Mais Segura, financiado pela UE, em Atenas, as chamadas para uma linha de apoio que oferece suporte a crianças vítimas de cyberbullying mais do que dobraram entre 2024 e 2025, disse George Kormas, que administra a linha de apoio. Outras reclamações incluem chantagem de menores, desinformação e discurso de ódio.
De acordo com os dados da linha de ajuda, 75% das crianças que usam redes sociais na Grécia estão em idade escolar.
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‘Isso, sem dúvida, nos preocupa, porque elas não sabem lidar com as mídias sociais ou se proteger’, afirmou ele.
O chefe da Organização Nacional para a Prevenção e Tratamento de Vícios, Athanasios Theocharis, disse que cerca de 48% dos adolescentes sentiram o impacto negativo das mídias sociais.
‘Claramente (a proibição) tem o potencial de proporcionar um grau significativo de proteção’, declarou ele.
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Enquanto isso, os pais que falaram com a Reuters temem ter perdido o controle sobre o que seus filhos fazem online ou expressaram preocupação de que as crianças encontrem uma maneira de contornar a proibição. Alguns preferem que o governo não intervenha de forma alguma.
‘Eu preferiria uma abordagem diferente, limitando o uso do celular dentro da família’, disse Dimitris, 44 anos. ‘Mas quando isso não for possível, talvez a proibição seja a solução extrema.’
Sua filha Catherine, de 14 anos, diz que a maioria dos adolescentes da sua idade nunca conheceu um mundo sem mídias sociais.
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‘É a maneira como aprendemos desde que nascemos’, disse ela à Reuters, antes de jogar basquete com seu pai perto da Acrópole.
Fonte infomoney