Mesmo com bons resultados em uma forte temporada de balanços nos Estados Unidos, o protagonismo das teleconferências foi a inteligência artificial. De acordo com o Goldman Sachs, 70% das equipes de gestão das empresas do S&P 500 discutiram IA e seus impactos, já vistos e os esperados, nos resultados das empresas.
O banco destacou três principais temas discutidos com os clientes, se tratando de IA: produtividade, contratação e mercado de trabalho. As preocupações giraram em torno, em especial, com as industrias mais expostas, como empresas de software.
De acordo com o Goldman, 54% das empresas que mencionaram IA, citaram a tecnologia no contexto da produtividade e eficiência operacional. Uma análise mais detalhada do banco mostrou que indústrias com maior exposição à automação via IA já começaram a apresentar desempenho inferior neste ano.
Viva do lucro de grandes empresas
Essas empresas incluem, em sua maior parte, setores com custos trabalhistas mais elevados e, em paralelo, maior suscetibilidade desses empregos à automação. Conforme os analistas, ainda não há uma relação “estatisticamente relevante” entre produtividade agregada e adoção de IA em nível macroeconômico.
Do total das empresas que citaram IA, apenas 10% trataram da tecnologia em usos específicos e uma parcela ainda menor, de 1%, sobre o impacto direto nos lucros. Essas empresas, segundo o banco, relataram ganhos expressivos nos resultados. Esses usos específicos mais frequentemente foram relacionados à serviços de atendimento ao cliente e desenvolvimento de software.
Contratação e impacto no mercado de trabalho
As empresas também mencionaram o uso de inteligência artificial em demissões e congelamento de contratações no quarto trimestre, conforme relatório do Goldman Sachs. De acordo com os analistas, entretanto, ainda não há evidência clara de relação entre indicadores do mercado de trabalho e exposição ou adoção de IA em nível agregado.
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A análise mostra que a correlação entre a adoção de IA e o crescimento de emprego esteve levemente negativa. Quando comparada a outros indicadores do mercado de trabalho, a relação foi considerada estatisticamente insignificante. Ainda assim, o banco afirma que o impacto da IA sobre o mercado de trabalho deve se tornar mais relevante ao longo do tempo.
A curto prazo, a leitura mostra que empresas que relacionaram a IA com sua força de trabalho, reduziram as vagas abertas um pouco mais do que outras empresas no último ano.
A médio prazo, as empresas esperam que a IA reduza a necessidade de mãe de obra. Já a longo prazo, com a implementação mais madura da tecnologia, a expectativa das empresas é de que entre 6% e 7% da força de trabalho possa ser substituída pela automação baseada em IA.
Fonte Infomoney