Alphabet prepara 1º título de 100 anos desde a bolha ‘pontocom’ para financiar IA

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A Alphabet (BDR: GOGL34) planeja vender um raríssimo título de dívida com vencimento em 100 anos como parte de uma mega emissão, na primeira operação desse tipo realizada por uma empresa de tecnologia desde o fim dos anos 1990.

O título de 100 anos será denominado em libras esterlinas, junto com outros quatro tranches na moeda, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. A operação, que marca a estreia da Alphabet no mercado de dívida em libras, pode ser precificada já amanhã, acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

Trata-se da primeira emissão com vencimento tão extremo por uma empresa de tecnologia desde que a Motorola vendeu esse tipo de papel em 1997, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O mercado de títulos de 100 anos é dominado por governos e instituições como universidades. Para empresas, possíveis aquisições, modelos de negócio que se tornam obsoletos e a rápida evolução tecnológica tornam essas operações raras.

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Ainda assim, dado o volume expressivo de dívida que empresas de tecnologia precisam levantar para se manter à frente na corrida pela construção de capacidades em inteligência artificial, até operações ultrarraras começam a reaparecer.

“Eles querem acessar todo tipo de investidor possível, do investidor de finanças estruturadas ao investidor de prazo superlongo”, disse Gordon Kerr, estrategista macro para a Europa da KBRA. O principal comprador de um título de 100 anos seriam seguradoras e fundos de pensão e, segundo ele, “quem estrutura a operação provavelmente não será quem estará lá quando o título for pago”.

A forte demanda de fundos de pensão e seguradoras do Reino Unido fez do mercado em libras um destino preferencial para emissores que buscam financiamento de prazos mais longos.

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Ainda assim, excluindo emissores governamentais, apenas a Electricite de France SA, a University of Oxford e a fundação filantrópica Wellcome Trust Ltd já emitiram títulos de 100 anos na moeda, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Todos esses papéis foram emitidos em 2021, ano em que os rendimentos de títulos de grau de investimento em libras atingiram o menor nível já registrado, de acordo com índices da Bloomberg. Por terem duration muito elevada, jargão do mercado para a sensibilidade do preço às variações das taxas de juros, todos são negociados bem abaixo do valor de face.

A emissão com o menor cupom entre as três, do Wellcome Trust, é indicada a 44,6 pence por libra, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os preços dos títulos se movem de forma inversa aos rendimentos.

E nem todos os títulos superlongos sobrevivem. A varejista em dificuldades J.C. Penney Co. entrou com pedido de recuperação judicial em 2020, apenas 23 anos após emitir um título centenário.

O mandato de 100 anos da Alphabet ocorre em paralelo a uma emissão multitranches no mercado de dólares. A gigante de tecnologia iniciou mais cedo o marketing de uma transação em sete partes, que deve ser precificada ainda hoje. A empresa também planeja levantar recursos com notas de estreia em francos suíços, segundo outra pessoa familiarizada com o tema.

A Alphabet acessou pela última vez o mercado de títulos nos Estados Unidos em novembro, quando levantou US$ 17,5 bilhões em uma operação que atraiu cerca de US$ 90 bilhões em ordens. Como parte dessa transação, vendeu um título com vencimento em 50 anos — a mais longa emissão corporativa de tecnologia em dólares no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg — que se valorizou no mercado secundário. Na ocasião, a empresa também vendeu € 6,5 bilhões (US$ 7,7 bilhões) em títulos na Europa.

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A mega emissão de dívida ocorre menos de uma semana depois de a Alphabet afirmar que seus investimentos em capital podem chegar a US$ 185 bilhões neste ano — o dobro do valor gasto no ano passado — para financiar suas ambições em inteligência artificial.

Outras empresas de tecnologia, incluindo Meta Platforms Inc. e Microsoft Corp., também anunciaram planos de gastos elevados para 2026, enquanto o Morgan Stanley estima que o endividamento das grandes empresas de computação em nuvem, conhecidas como hyperscalers, alcance US$ 400 bilhões neste ano, ante US$ 165 bilhões em 2025.

Ainda assim, a emissão de um título de 100 anos deve continuar sendo uma raridade.

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“É difícil dizer se isso vai se tornar algo comum”, disse Kerr, da KBRA. “Nem mesmo no mercado de títulos do Tesouro isso é realmente comum.”

©️2026 Bloomberg L.P.



FonteCâmara dos Deputados

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