O socialista António José Seguro foi eleito hoje novo presidente de Portugal, ultrapassando a barreira de 3 milhões de votos, derrotando o candidato da extrema direita André Ventura, no segundo turno das eleições portuguesas, marcadas pelo consenso alcançado pela esquerda e pela direita contra o Chega.
Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, tinha obtido 1,6 milhão de votos, e a abstenção estava próxima dos 50%.
Apenas outras quatro vezes desde 1976 um presidente da República foi eleito com mais de 3 milhões de votos no país, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes. Na primeira eleição, em 1986, as únicas até hoje a terem um segundo turno, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) frente a Freitas do Amaral. Na reeleição, em 1991, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior já registrada nas eleições portuguesas.
António Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de 3 milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11ª vez que os portugueses foram às urnas escolher o presidente da República durante períodos democráticos, desde 1976.
Eleito em 2016, o atual residente de Portugal é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março.
Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).
Lula parabeniza vitória – O presidente Lula parabenizou António José Seguro pela vitória nas eleições de Portugal. Em seu perfil na rede social X, Lula classificou o triunfo como expressivo e citou vitória da democracia.
“Uma eleição que se desenvolveu de forma pacífica e representa a vitória da democracia num momento tão importante para a Europa e o mundo. E consolida a posição de Portugal de apoio ao acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou Lula.
No post, ele disse, ainda, que o Brasil seguirá trabalhando em parceria com o presidente eleito e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, pelo fortalecimento das relações bilaterais, em defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável.
Seguro sai destas eleições com um nível de legitimidade sem precedentes nas últimas décadas e, embora já na noite eleitoral tenha assegurado que não seria oposição nem tem qualquer intenção de interromper a legislatura, avisou que, como presidente de “todos os portugueses”, será “exigente com os resultados”. “Prometi lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Nunca serei um contrapoder, mas um presidente que exige soluções e resultados”, disse Seguro durante a noite eleitoral. Seguro também teve que superar as desconfianças e a oposição de grande parte do Partido Socialista, que voltará a ter um dos seus no Palácio de Belém pela primeira vez nas últimas duas décadas.
Do outro lado, o líder do Chega não conseguiu nem a improvável vitória eleitoral, nem o que parecia ser seu principal objetivo: melhorar os resultados obtidos pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, nas últimas eleições legislativas e, com isso, reforçar sua imagem de líder da direita daqui para frente.
Com informações da Agência Brasil, citando a Lusa; e da Europa Press

Fonte Monitor Mercantil