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Adriana Villanueva conheceu o café em sua infância, entre cafezais cultivados por seus familiares, e voltou a ele anos depois, já formada na Universidad Externado (instituição de ensino superior privada da Colômbia, referência em ciências sociais e econômicas), quando começou a se perguntar por que as zonas rurais seguiam presas na pobreza apesar de estarem cercadas de riqueza produtiva.
A resposta não chegou em uma sala de aula, mas em Inzá, na região de Cauca, um município colombiano conhecido por sua rica cultura indígena, história, beleza natural (como a região de Tierradentro e a Pirâmide de Inzá) e, principalmente, por seu café de alta qualidade, cultivado em um corredor estratégico da cordilheira andina, oferecendo sabores complexos como chocolate e frutas cítricas, e sendo um símbolo de resiliência das comunidades locais.
Por lá, que Adriana, como voluntária de projetos de desenvolvimento social, entendeu que o problema não era a falta de talento, mas a desconexão entre o local e o global.
Dessa intuição nasceu a Inconexus Specialty Coffee, uma empresa produzida para catalisar oportunidades: conectar comunidades rurais com mercados internacionais, porém sem a linguagem assistencialista da cooperação tradicional.
“Não queríamos vender pobreza”, diz Villanueva. “Os projetos sociais terminam quando acaba o dinheiro; os modelos de autogestão, não”.
A oportunidade coincidiu com uma mudança de época. Enquanto Estados Unidos e Europa entravam na terceira onda do café (rastreabilidade, comércio justo e origem), a Inconexus passou a fazer algo aparentemente simples e profundamente disruptivo para a Colômbia: colocar nome e sobrenome em cada xícara.
O café deixou de ser “excelso colombiano” para se tornar o café de Don Pedro ou Doña Juana, com história, fazenda, processo e qualidade diferenciada.
Esse enfoque implicou mudar regras na cadeia, como capacitação técnica, certificações, melhoria de processos, respeito pelo agricultor e uma relação direta que hoje representa cerca de 40% de seus cafés.
A Inconexus não apenas compra café: ela o desenvolve. Com equipes técnicas em fazendas, laboratórios e depósitos próprios em regiões como a Sierra Nevada, Huila, Cauca, Nariño ou Tolima, experimenta fermentações, microrganismos e perfis sensoriais, como se tratasse de vinho.
A empresa exporta em torno de 1,5 milhão de quilos de café verde por ano (cerca de 60 contêineres) e construiu uma integração vertical que lhe permite assegurar qualidade desde a fazenda até o cliente final. Porém, o reconhecimento internacional deixou uma pergunta incômoda: por que a Colômbia seguia tomando café de baixa qualidade?
A resposta foi a Café Cultor, a marca e as lojas que nasceram em 2013 como um gesto simbólico e pedagógico. Um tributo ao cafeicultor e, ao mesmo tempo, um convite ao consumidor urbano para se tornar responsável pelo que há por trás de uma xícara.
Hoje, com três lojas em Bogotá e prêmios nos Global Coffee Awards, a Café Cultor quer crescer sem perder sua essência: demonstrar que qualidade, sustentabilidade e rentabilidade podem conviver em um mesmo modelo.
“Tudo em uma xícara”, resume Villanueva. Não como slogan, mas como convicção.
FonteCâmara dos Deputados