O governo dos Estados Unidos suspendeu a tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos agropecuários brasileiros, medida que vinha pressionando setores exportadores e gerando tensão diplomática entre Brasília e Washington. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (20) pelo presidente norte-americano, Donald Trump, por meio de ordem executiva divulgada pela Casa Branca.
Segundo o documento, a decisão foi tomada após uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. As tratativas seguem em andamento, e a suspensão vale de forma retroativa a 13 de novembro.
A lista de itens que deixam de ser taxados inclui café, cacau, carne bovina, frutas tropicais, sucos, especiarias, tomate, laranja, chá e banana. Na ordem executiva, Trump afirmou ter avaliado recomendações de autoridades de seu governo, que indicaram “progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil” e defenderam que “certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional”.
A medida ocorre em meio ao descontentamento de consumidores norte-americanos com o custo de vida. Produtos alimentícios importados — especialmente café, cacau e carne bovina — têm peso direto na inflação doméstica. A decisão também surge semanas após parlamentares republicanos se unirem a democratas no Senado para apoiar o fim da autorização emergencial que permitia a adoção das tarifas elevadas.

Reação do governo brasileiro
O Itamaraty afirmou ter recebido “com satisfação” a decisão dos EUA e destacou que a mudança resulta de avanços recentes nas negociações bilaterais. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores lembrou que a questão tarifária foi tratada na reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula classificou a suspensão da tarifa como um passo importante. “Não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante”, afirmou. O presidente disse esperar “zerar qualquer celeuma comercial” com os EUA e agradeceu, ainda que parcialmente, a Trump: “Vou lhe agradecer só parcialmente, porque vou lhe agradecer totalmente quando tudo estiver totalmente acordado entre nós”.
Mais tarde, em discurso no Salão Internacional do Automóvel, Lula afirmou que o Brasil enfrentou a crise com prudência. “Eu não costumo tomar decisão com 39 graus de febre. Eu espero a febre baixar. […] Hoje estou feliz porque o presidente Trump começou a reduzir as taxações”, disse.
O presidente voltou a enfatizar a necessidade de diálogo e respeito mútuo: “Ninguém respeita quem não se respeita”. Segundo Lula, o resultado reflete “a vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”.
Contexto político nos EUA
A redução das tarifas ocorre no momento em que Trump enfrenta queda de aprovação interna — seu índice atingiu 38%, segundo pesquisa da rede Fox. Analistas apontam que aliviar pressões sobre o preço dos alimentos pode ajudar o governo norte-americano a responder ao descontentamento da população.
A medida também representa recuo parcial em relação às tarifas impostas após a acusação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, que havia levado Washington a adotar postura mais dura em relação ao Brasil.
Apesar do avanço, tanto Brasília quanto Washington afirmam que as negociações continuam. Para o governo brasileiro, o objetivo é alcançar um acordo mais amplo e definitivo sobre o tema comercial, preservando a soberania nacional e os interesses da agricultura, da indústria e dos trabalhadores.
Com informações da Agência Brasil e Europa Press

Fonte Monitor Mercantil