Clima pesa mais que a economia no varejo, e Goldman Sachs aponta favoritas para 2026

Compartilhar:

As varejistas brasileiras foram afetadas no terceiro trimestre deste ano (3T25) muito mais pelo clima do que pela economia, segundo o Goldman Sachs. Enquanto os juros de 15% pesaram no bolso das famílias mais endividadas, consumidores de renda média e alta mantiveram o setor em movimento.

Para 2026, o banco vê espaço para uma melhora entre as faixas de renda mais baixas, puxada pela nova isenção fiscal, pela inflação de alimentos mais tranquila e por uma possível queda de juros no primeiro semestre, o que, diz o banco, ajudaria a aliviar dívidas e destravar parte do consumo. Dentro desse conjunto, o Goldman Sachs aponta C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3), RD Saúde (RADL3), Mercado Livre (MELI34), Smartfit (SMFT3) e Vivara (VIVA3) como as escolhas preferidas.

A C&A aparece como oportunidade de entrada porque negocia a nove vezes o lucro estimado para 2026 e tem projeção de crescimento anual composto de 15% entre 2026 e 2028. O Goldman Sachs avalia que o quarto trimestre da varejista de moda é menos sensível ao clima e que mais de 80% das vendas se concentram em novembro e dezembro, o que torna qualquer sinal de melhora no SSS (vendas em lojas comparáveis) especialmente relevante para destravar valor.

No caso de Lojas Renner, o banco identifica dinâmica semelhante: múltiplo de nove vezes o lucro previsto para 2026 e expectativa de crescimento anual composto de 12% até 2028. Os analistas lembram que o setor costuma recuperar o SSS (vendas em lojas comparáveis) no último trimestre e que, em cinco de sete anos desde 2005, a aceleração desse indicador entre o terceiro e o quarto trimestre foi seguida por desempenho acima do índice entre novembro e janeiro.

Para RD Saúde, controladora da Raia Drogasil, o trimestre tende a vir mais forte pela combinação entre a demanda por medicamentos GLP 1, usados para diabetes e perda de peso, o avanço dos genéricos e o efeito da expiração de patentes. A base mais leve em produtos de higiene e beleza, conhecidos como HPC, também deve ajudar a alavancagem operacional. As ações negociam a 24 vezes o lucro estimado para 2026, com crescimento anual composto igualmente de 24% entre 2026 e 2028.

A Smartfit segue como uma das apostas mais animadas do banco, sustentada pelo histórico de execução na América Latina e pela boa equação financeira das novas unidades. O Goldman diz que o setor ainda é bastante fragmentado, o que amplia a possibilidade de escala. A ação negocia a 14 vezes o lucro previsto para 2026 e carrega índice PEG (relação entre preço/lucro e crescimento) de 0,5.

Continua depois da publicidade

Na Vivara, o Goldman Sachs espera manutenção do bom ritmo de vendas e vê a marca Life voltando ao crescimento de dois dígitos em SSS. A queda nos custos de matéria-prima, segundo o banco, favorece a margem bruta e abre espaço para expansão da margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A ação está precificada a 11 vezes o lucro de 2026, acima da média do setor, prêmio que o banco atribui ao potencial de consolidação e ao menor risco nas coleções.

Como o Goldman Sachs vê o setor

O Goldman Sachs atualizou suas avaliações para as companhias de varejo e consumo sob cobertura. As recomendações foram mantidas em boa parte, mas cada empresa reúne pontos de atenção que permanecem no radar dos analistas.

A tabela abaixo resume as indicações e os principais riscos destacados pelo banco:

Empresa Recomendação Riscos que o investidor deve ficar de olho
Lojas Renner Buy (recomendação de compra) • SSS (vendas nas mesmas lojas) mais fraco;
• Riscos na execução do omnicanal (integração de lojas físicas, e-commerce, app e estoques);
• Pausas no crédito ao consumidor (redução de parcelamentos e financiamentos próprios).
Vivara Buy (compra) • Ritmo de abertura de lojas;
• Governança em períodos de transição;
• Concorrência de marcas de prata;
• Consumo pressionado por juros;
• Falhas operacionais na fábrica.
Smartfit Buy (compra) • Competição mais intensa;
• Canibalização entre unidades;
• Desafios internacionais;
• Queda de participação de acionistas relevantes;
• Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) sensível à expansão.
C&A Buy (compra) • Pressão de concorrentes locais e internacionais;
• Necessidade de execução do projeto Energia C&A;
• Pressão promocional maior;
• Dependência de FCFF (fluxo de caixa livre para a firma) para sustentar a tese.
Assaí Buy (compra) • SSS (vendas nas mesmas lojas) mais fraco;
• Piora no lucro por ação;
• Sensibilidade a juros;
• Atrasos na abertura de unidades;
• Produtividade mais baixa em novas lojas;
• Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) afetado por inflação menor.
Magazine Luiza Neutro • Forte competição no e-commerce;
• Margens apertadas;
• Resultado financeiro; dependente da Selic;
• Sensibilidade ao consumo ainda fraco.



FonteCâmara dos Deputados

Artigos relacionados

Psicologia baseada em evidências encontra o cinema: a trajetória de Thaiane Estauber, entre arte, ciência e saúde mental

Atriz há mais de 25 anos, professora licenciada em teatro e jornalista, Thaiane Estauber construiu uma trajetória profissional...

Investimentos exigem estratégia e educação financeira 

Em um cenário econômico marcado por volatilidade, mudanças nas taxas de juros e instabilidade geopolítica, investir deixou de...

Se sua empresa não usa SMS e torpedo de voz, ela pode estar ficando invisível, diz CEO da Publisend

Empresas estão falando cada vez mais, mas sendo ouvidas cada vez menos. Em um cenário dominado por notificações,...

Liberdade de expressão, acesso à informação e os limites do discurso nas plataformas digitais

Em uma sociedade cada vez mais conectada, marcada pela velocidade da informação e pela expansão das redes sociais,...