Como os dados em tempo real estão se tornando o diferencial do front office

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Três mudanças que estão redefinindo o front desk

Para contextualizar, vamos analisar três mudanças fundamentais que vêm influenciando a tomada de decisões, o acesso à liquidez e a gestão de riscos nas mesas.

1. Fluxos de trabalho integrados entre negociações manuais e automatizadas.

Atualmente, mais de 75% do volume negociado de ações nos EUA é executado por sistemas de negociação automatizados, enquanto mais de 60% das ordens de ações na Europa são geradas por algoritmos. De acordo com o mais recente Institutional Equity Trading Study da Bloomberg Intelligence, as estratégias algorítmicas e o acesso direto ao mercado (DMA) respondem, em conjunto, por 41% do volume institucional negociado.
No entanto, quando os spreads de compra e venda se expandem ou a liquidez diminui, as grandes negociações geralmente voltam às mãos de traders humanos. As mesas de trading de hoje funcionam menos como uma disputa entre humanos e máquinas e mais como um piloto trabalhando em colaboração com um piloto automático avançado: os algoritmos são eficientes em escala, mas é o julgamento humano que se prova mais eficaz quando as notícias são imprevisíveis e a liquidez é limitada.
De qualquer forma, a boa parceria certamente se desfaz quando humanos e máquinas dependem de diferentes fontes de dados. Até mesmo pequenas distorções nos feeds de informação já apareceram em análises pós–flash crash. Um fluxo único de dados em tempo real, compartilhado entre algoritmos e operadores, é fundamental para garantir o alinhamento entre ambos.

2. Opções diárias transformam notícias em variações imediatas.

Uma pesquisa da Bloomberg Intelligence mostrou que opções com vencimento no mesmo dia, conhecidas como 0-DTE (zero dias para o vencimento), já representam 23% do volume total do mercado de opções dos EUA. Esses contratos respondem agora por 56% do volume de opções SPX e por quase metade do fluxo diário de opções DAX. Os contratos diários se tornaram a principal ferramenta para operar em torno de eventos relevantes do mercado. Eles representam 56% das negociações de opções SPX e quase metade da atividade diária de opções do índice DAX da Alemanha. Alguns artigos acadêmicos relacionam a atividade de hedge desencadeada por esses contratos, frequentemente chamada de amplificação gama, a aumentos acentuados na volatilidade de curto prazo. Nesse cenário, perder uma única cotação pode transformar um hedge bem estruturado em um erro caro.

3. Liquidez sem um centro.

No final de 2024, as bolsas de valores primárias já lidavam com menos da metade das negociações de ações dos EUA, com o Mecanismo de Relatórios de Negociação (TRF) e as plataformas regionais representando 51% da participação. E a velocidade dessa fragmentação deve aumentar ainda mais. O Blue Ocean Alternative Trading System (ATS) já possibilita a negociação de ações dos EUA das 20h às 4h (ET), de domingo a quinta-feira, permitindo que investidores baseados na Ásia negociem ações norte-americanas enquanto os mercados dos EUA ainda estão fechados.
Nos Estados Unidos, a Cboe solicitou autorização para operar uma sessão de negociação 24 horas por dia, cinco dias por semana para todos os ativos listados em sua bolsa EDGX a partir de 2025, ainda sujeita à aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Além disso, a planejada Texas Stock Exchange (TXSE), pelo menos outras cinco bolsas startup e cerca de seis novos ATSs e mercados de opções estão na fila regulatória para 2025-2026. Uma tendência semelhante vem se desenhando na Europa, onde os livros de leilão periódico da Cboe Europe continuam a absorver parte do fluxo lit e alcançaram valores nocionais recordes em 2024.
Com os mercados operando em mais plataformas, diferentes fusos horários e sessões overnight, eventos como a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI) da China às 2:00 (ET) ou a divulgação de resultados de uma grande empresa após o expediente de negociação podem alterar as avaliações de portfólio bem antes da abertura do mercado à vista dos EUA. Como os melhores padrões de execução se aplicam 24 horas por dia, as mesas de trading precisam de um fluxo de dados unificado, que capte tanto os preços quanto os eventos que os movimentam, independentemente de quando ou onde ocorram.

Como funciona na prática?

A maior parte dos anúncios corporativos e dados macroeconômicos ainda chegam ao mercado por meio de PDFs, interfaces da web, slides de webcast ou comunicados à imprensa, geralmente alguns minutos antes de serem formatados em feeds de dados estruturados. Os mercados, porém, não pausam para as equipes analisarem documentos ou atualizarem suas agendas manualmente.
Para acompanhar o fluxo de informações cada vez mais veloz e o crescente número de plataformas de trading, as front desks recorrem a dados em tempo real por meio de feeds. Vamos analisar como isso funciona na prática, utilizando o exemplo da Real-time Events Data, recém-lançada solução da Bloomberg, que alimenta o B-PIPE, feed de dados de mercado da Bloomberg, em tempo real.



FonteCâmara dos Deputados

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