Governo de SP vai desconsiderar lições hackeadas – 08/10/2025 – Educação

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O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) comunicou as escolas estaduais de São Paulo que vai desconsiderar os registros de atividades de alunos que hackearam as plataformas de ensino.

Em um documento enviado aos professores, a Secretaria de Educação, comandada por Renato feder, disse que burlar as plataformas não revela uma “esperteza” dos alunos, mas sim um “crime”.

No início de setembro, a Folha mostrou que estudantes da rede estadual paulista estavam compartilhando “scripts” para burlar as plataformas de ensino exigidas pelo governo Tarcísio. Um dos grupos no Discord tinha mais de 200 mil usuários.

Esses scripts são usados para que as tarefas sejam feitas automaticamente.

Questionada, a Secretaria de Educação não informou quantos alunos teriam burlado as plataformas. Também não informou como identificou os que teriam feito as lições por scripts.

Em um comunicado enviado às escolas, a secretaria disse apenas que “após análises técnicas e pedagógicas, identificou interações incompatíveis por parte de alguns alunos nas plataformas educacionais da rede.”

A pasta disse que as situações ocorreram de forma “individualizada” e que os registros obtidos de forma irregular seriam desconsiderados do sistema de monitoramento pedagógico.

A secretaria também distribuiu uma “Cartilha de Letramento Digital para Professores” na qual explica que “scripts e sites para automatizar respostas não são truques inocentes” e, por isso, os docentes não podem “incentivar ou ser coniventes” com o seu uso.

“Essas condutas configuram crime e violam a legislação brasileira, expondo os jovens e a escola à responsabilização administrativa, civil e, quando cabível, penal”, diz a cartilha.

O documento também afirma que o hackeamento “contamina as evidências de aprendizagem”.

“Não é esperteza. É risco real e é crime”, diz o texto.

Na cartilha, o governo orienta que os professores devem ficar atentos a alguns sinais que podem indicar o hackeamento. Os sinais apontados são:

  • entrega em tempo irreal

  • Vocabulário muito acima do perfil [do aluno]

  • Texto “limpo demais”, sem marcas de processo, sem erro de digitação, sem links de referência

  • entregas em horário fora do comum

Também traz “boas práticas que desincentivam a trapaça” para serem usadas pelos professores. Segundo a secretaria, os docentes devem pedir evidências de que os alunos aprenderam com as tarefas. “Sem evidência do processo, não vale”, diz.

Ainda recomenda que os professores façam checagens orais, fazendo algumas perguntas para comprovar se os alunos de fato fizeram as tarefas.

O uso das plataformas educacionais é uma das principais apostas do secretário Renato Feder para melhorar os indicadores de São Paulo – sua promessa é que a rede estadual alcance a maior nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no ensino médio no próximo ano.

Ele defende que o monitoramento constante das atividades irá refletir na melhora do ensino. No entanto, um estudo com dados da própria Secretaria de Educação, mostrou que o uso das plataformas digitais não melhorou o desempenho das escolas estaduais no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo) no ensino médio.

Na última quinta-feira (2), o Ministério Público recomendou que o governo deixe de exigir o uso das plataformas em um prazo de 30 dias. A Promotoria diz ter colhido elementos que demonstram que a imposição dessas ferramentas fere princípios e normas constitucionais.

Em nota, a Secretaria de Educação manteve a defesa às plataformas por entender que elas são uma “ferramenta de apoio ao trabalho pedagógico, com ampla adoção por professores e resultados significativos na ampliação das atividades realizadas pelos estudantes.”

“Em 2025, por exemplo, foram produzidas mais de 8,6 milhões de redações e concluídas mais de 230 milhões de tarefas por meio dos ambientes digitais da rede.” A pasta não informou se alguma dessas atividades registradas foi feita por hackeamento.

A secretaria informou ainda que segue aprimorando as ferramentas para coibir o uso indevido de tecnologia e com o compromisso de uma “educação que una inovação tecnológica, responsabilidade pedagógica e foco nos resultados de aprendizagem.”



Fonte UOL

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