Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles
Crédito: Larissa Burchard/Laís Nagayama
A inflação nos EUA desacelerou em agosto, com preços ao consumidor subindo 3,4% em relação ao ano anterior, abaixo das expectativas de 3,7%. Apesar disso, os preços ainda estão altos, impactando eleitores nas eleições de meio de mandato. O Federal Reserve pode adiar o aumento da taxa de juros, mas a inflação permanece acima da meta de 2%. Os gastos dos americanos aumentaram 0,9% de julho a agosto, impulsionados por lucros em ações e endividamento. A economia cresceu 2,2% no último trimestre, com expectativa de 3% no atual.
WASHINGTON – A inflação nos Estados Unidos desacelerou um pouco no mês passado, à medida que os americanos intensificaram seus gastos, embora os preços ainda estejam elevados e representem um desafio para muitos eleitores que irão às urnas para as eleições de meio de mandato em pouco mais de um mês.
Os preços ao consumidor subiram 3,4% em agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o Departamento de Comércio nesta quarta-feira, 30. O resultado ficou abaixo das expectativas dos economistas, que apontavam para 3,7%.
Em termos mensais, os preços subiram 0,3%, ante 0,1% em julho, um sinal de que os preços continuam em alta. Excluindo as categorias voláteis de energia e alimentos, a inflação também ficou abaixo do esperado, subindo 3% em agosto em relação ao ano anterior. E de julho a agosto, os preços do índice básico subiram apenas 0,2%, ante 0,1% no mês anterior.

Preços elevados têm lançado sombra sobre a economia dos EUA Foto: Teresa Suarez/AP
Muitos economistas temiam que os preços subjacentes subissem mais rapidamente de mês a mês. Os mercados dos EUA reagiram positivamente de imediato ao novo dado da inflação, com os investidores apostando que um esperado aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve dos EUA poderia ser adiado. Mesmo assim, a inflação permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve, e o aumento mensal em agosto sugere que ela não está voltando à meta tão cedo.
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O Fed elevou sua taxa básica de juros de curto prazo há duas semanas, pela primeira vez em três anos, para combater a inflação, e a maioria dos economistas espera que ele faça isso pelo menos mais uma vez este ano, possivelmente já no final do próximo mês. “A tendência da inflação é de queda, mas ainda não está próxima da meta e também não está melhorando”, afirmou Bill Adams, economista-chefe para os EUA do Fifth Third Commercial Bank, em um e-mail.
O relatório divulgado nesta quarta-feira abordou um importante indicador de inflação acompanhado de perto pelo Fed, conhecido como índice de preços dos gastos com consumo pessoal. Ele é semelhante ao índice de preços ao consumidor, de maior visibilidade, divulgado no início deste mês.

Os preços elevados têm lançado uma sombra sobre a economia dos EUA, mesmo com um crescimento em geral sólido e uma baixa taxa de desemprego. Na terça-feira, a pesquisa de confiança do consumidor do Conference Board caiu para seu nível mais baixo desde 2014, um período que inclui tanto a Grande Recessão quanto uma pandemia global. Os salários dos americanos estão aumentando, mas não tão rapidamente quanto os preços.
A inflação de julho havia sido divulgada anteriormente em 3,7%, mas foi revisada para baixo, para 3,4%, pelo governo, como parte de uma atualização na forma como mede as variações de preços em várias categorias, incluindo gestão de investimentos, software e acessórios de computador e serviços jurídicos. Por exemplo, o governo anteriormente atribuía grande peso a alguns acessórios de computador cujos preços dispararam devido à demanda excepcionalmente alta decorrente da expansão da inteligência artificial.
As revisões reduziram essa ponderação e, como resultado, os preços mais altos de alguns equipamentos de informática não estão elevando tanto esse indicador de inflação.
Os gastos aumentam
Apesar dos preços elevados, os americanos aceleraram seus gastos no mês passado, informou o governo, com os gastos subindo 0,9% de julho a agosto, ante apenas 0,1% no mês anterior.
Parte desse aumento provavelmente foi impulsionada por americanos mais abastados que realizaram lucros com a alta nos preços das ações, sugere um relatório recente do JPMorgan. Outros consumidores podem estar se endividando mais para sustentar seus gastos.
A renda líquida, ajustada pela inflação, permaneceu estável em relação ao mês anterior em agosto, após um aumento de 0,3% em julho, segundo o relatório. Gastos sólidos dos consumidores podem impulsionar uma recuperação no crescimento.
Em um relatório separado divulgado nesta quarta-feira, o governo informou que a economia cresceu a uma taxa anual de 2,2% no trimestre de julho a setembro. Analistas esperam que essa taxa suba para 3% no trimestre atual./AP
Fonte ONU