Multiartista mineiro construiu mais de quatro décadas de carreira entre composição, audiovisual, literatura e artes visuais; autor de 465 obras musicais, também levou sua produção ao cinema e transforma diferentes linguagens em uma trajetória criativa
Antes de dirigir filmes, publicar livros ou receber prêmios internacionais, Andersen Viana já experimentava a criação artística ainda adolescente.
Aos 13 anos, começou suas atividades como compositor. Aos 19, iniciou também a trajetória como professor. Mais de quatro décadas depois, sua produção reúne música, literatura, cinema, artes visuais, performance e pesquisa.
Natural de Belo Horizonte, Andersen construiu uma carreira que transita por diferentes campos da criação. É compositor, cineasta, escritor, artista visual, performer, pesquisador e professor. Somente seu catálogo musical reúne atualmente 465 obras, criadas para coro, orquestra, banda sinfônica, formações de câmara e instrumentos eletrônicos.
Somadas às produções em outras linguagens, sua trajetória se aproxima de 500 trabalhos, além de acumular 59 premiações e distinções recebidas no Brasil e no exterior.

Uma formação que começou dentro de casa
A relação de Andersen com a música começou com o próprio pai, Sebastião Vianna, responsável por seus estudos iniciais.
A formação continuou posteriormente em instituições brasileiras e europeias. Passou pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde concluiu o doutorado em Música, além de estudar na Accademia Filarmonica di Bologna, Arts Academy of Rome, Accademia Chigiana di Siena e Royal College of Music in Stockholm. Em parte dessa trajetória internacional, estudou como bolsista.
O período de formação em diferentes países ampliou seu contato com tradições e perspectivas artísticas distintas, algo que posteriormente se refletiria na diversidade de sua produção.
Ao longo da carreira, Andersen atuou ainda como intérprete de flauta, viola e teclados, além de trabalhar com regência em orquestras e grupos de câmara no Brasil, Itália, Suécia e Honduras.
Desde 1989, é artista e professor concursado da Fundação Clóvis Salgado, em Minas Gerais, e também desenvolve atividades de formação por meio de palestras e oficinas realizadas em instituições brasileiras e estrangeiras.
Da sala de concerto para a tela
A experiência acumulada na música também encontrou espaço no cinema.
Andersen escreveu, dirigiu e produziu dois longas-metragens: “Paisagem Lunar” e “Pitágoras de Samos”.
Sua relação com o audiovisual também inclui a composição musical para uma extensa lista de filmes brasileiros e estrangeiros. Entre eles estão A Cartomante, Retalhos do Taquaril, Bem Próximo do Mal, Jogando para o Amanhã, O Próximo Passo, Gun’s Speech, Trem Fantasma, 3:00 AM, Corações Ardentes, Filhos de Adão, Perdidos em Abbey Road, Vivalma, Manuelzão e Bananeira, Ofélia, Opostos, Minas Portuguesa, O Homem da Cabeça de Papelão, Condenado, Ser Humano, Um Dia Qualquer, Nego, Desafios, Reenactment, Oswaldo França Júnior, Padre Victor e Belatriz.
O filme-ópera “Pitágoras de Samos” também ampliou a circulação internacional de seu trabalho audiovisual, conquistando reconhecimentos no Cannes Continental Film Festival e no Asian Talent Film Festival, na Índia.
A produção cinematográfica acompanha uma característica presente em sua obra: a utilização da música, da imagem e da narrativa como elementos complementares do processo criativo.
59 reconhecimentos em diferentes países
A circulação internacional acompanha também sua produção musical.
Ao longo da carreira, Andersen recebeu 59 premiações na Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Índia, Singapura, Malásia e em diferentes países europeus.


Entre elas está o primeiro lugar no Prêmio Genzmer 2022, promovido pela Universidade de Munique e pela Fundação Harald Genzmer, na Alemanha, e o primeiro lugar no Prêmio Shostakovich 2021, ligado à Lviv Philharmonic Orchestra, na Ucrânia.
Também conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Composição Susanville Symphony, nos Estados Unidos; no Lys Music Orchestra 2001, na Bélgica; e o primeiro lugar e o Prêmio do Público no Concurso Internacional de Composição Lambersart 2006, na França.
No Brasil, sua trajetória musical foi reconhecida com a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais.
Os reconhecimentos acompanham uma produção desenvolvida em diferentes formatos e países, com trabalhos que passaram das salas de concerto para festivais de cinema, livros e projetos de artes visuais.
Quando a literatura encontra o cinema
Essa relação entre diferentes linguagens aparece de forma direta em um dos trabalhos literários mais recentes do artista.
Publicado pela Editora Sinete, “Histórias Cinematográficas” nasceu de aproximadamente sete anos de desenvolvimento e reúne sete narrativas independentes que transitam pelo suspense, realismo fantástico, ficção científica e drama psicológico.

O título está diretamente relacionado à experiência de Andersen com o audiovisual.
O livro foi pensado para estabelecer uma ponte entre literatura e cinema. Além da experiência de leitura, as histórias foram concebidas para oferecer argumentos que possam inspirar roteiristas, produtores e diretores na criação de obras audiovisuais.
Cada narrativa é acompanhada por uma breve sinopse e pode ser lida independentemente das demais.
“O objetivo não é apenas proporcionar experiências diversas, inusitadas e atemporais aos leitores, mas também oferecer novos e instigantes argumentos para serem desenvolvidos por roteiristas e diretores”, explica Andersen.
Sete histórias e diferentes possibilidades de adaptação
As narrativas de “Histórias Cinematográficas” dialogam com referências de diferentes períodos e estilos.
Entre as influências mencionadas estão Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Franz Kafka, Edgar Allan Poe e Gene Roddenberry, criador de Star Trek.
Em contos como “As Aventuras de Severino Cascadura” e “O Homem que Pensava Demais”, o autor utiliza uma estrutura particular: pequenas histórias surgem dentro da narrativa principal, criando diferentes caminhos dentro do mesmo texto.
A construção amplia também as possibilidades de adaptação. Os contos podem ser lidos como obras literárias e, ao mesmo tempo, servir como argumentos para curtas, médias ou longas-metragens.
O escritor e cineasta Cláudio Costa Val, na apresentação da obra, define Andersen como um contador de histórias cuja escrita conduz o leitor a visualizar as narrativas, combinando fantasia, tensão, poesia e elementos próprios da experiência cinematográfica.
Uma produção construída entre diferentes linguagens
A carreira de Andersen Viana foi desenvolvida a partir da circulação constante entre diferentes formas de expressão.
A música esteve presente desde os primeiros anos de sua formação e permanece como a área com maior número de trabalhos catalogados. O cinema acrescentou imagem e movimento à produção. A literatura abriu outro espaço para a construção de personagens e narrativas. Artes visuais e performance completam esse conjunto.
Essa integração também ajuda a compreender a proposta de “Histórias Cinematográficas”.
O leitor encontra literatura, enquanto profissionais do audiovisual podem identificar histórias com potencial para adaptação. A experiência acumulada pelo autor no cinema aparece na maneira como as narrativas são concebidas e apresentadas.
Depois de mais de quatro décadas de produção e 59 reconhecimentos nacionais e internacionais, Andersen continua desenvolvendo projetos em diferentes campos artísticos.
“Histórias Cinematográficas” representa essa continuidade ao reunir, dentro de um mesmo trabalho, duas linguagens que ocupam espaço importante em sua trajetória: a palavra escrita e o cinema.
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