Sergipe é o Estado brasileiro com a maior proporção de domicílios com crianças chefiados apenas pela mãe, segundo o Censo 2022. O dado, que difere do número de crianças sem o nome do pai no registro, reacende o debate sobre ausência paterna, desigualdade social e as mudanças na estrutura das famílias brasileiras. “Estamos falando de famílias em que o pai não mora no domicílio”, diz o colunista Pedro Fernando Nery (veja o conteúdo completo no vídeo acima).
No Chama o Nery desta semana, ele afirma que há uma correlação grande entre a ausência do pai e a pobreza. Não quer dizer, no entanto, que a falta do pai vai causar a pobreza da família, mas ambientes mais pobres acabam criando cenários com maior situação de vulnerabilidade econômica e que podem levar à gravidez não planejada.

Criação de filhos sem os pais é mais comum em casos de gravidez na adolescência Foto: Talia Mdlungu/Adobe Stock
“Na verdade, a criação de filhos sem pai é muito comum na gravidez na adolescência. E, frequentemente, gravidez na adolescência está associada à pobreza”, diz Nery. Hoje os Estados com mais famílias chefiadas por mãe solo são Sergipe e Bahia. Na outra ponta, os Estados com mais pais morando com os filhos são Santa Catarina e Mato Grosso.
Segundo o colunista, o resultado pode alimentar alguns estereótipos, como um Sul conservador e estruturado e um Nordeste menos ligado à estrutura familiar. Mas a história não é bem assim. “Como em outros assuntos, a gente não consegue fugir da demografia.”
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Fonte ONU