5 Dicas para Evitar o “Doomjobbing” e Conseguir Um Novo Emprego

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Durante décadas, o sucesso na carreira significava subir na hierarquia, aceitar promoções, assumir mais responsabilidades e avançar profissionalmente. Mas um número cada vez maior de profissionais está reescrevendo esse roteiro ao adotar o chamado “job dropping”, ou seja, voluntariamente abrir mão de promoções, cargos de liderança e funções de alta pressão em favor de empregos que ofereçam mais equilíbrio, menos estresse e melhor saúde mental.

Essa falta de motivação também aparece em uma nova tendência do mercado de trabalho conhecida como “doomjobbing”.

O que é “Doomjobbing”?

Enquanto o doomscrolling (hábito de passar longos períodos rolando o feed de redes sociais e outras plataformas) sequestra sua atenção, o doomjobbing sequestra sua carreira.

Somado ao job dropping, temos três formas de desmotivação que mantêm as pessoas estagnadas, em vez de ajudá-las a seguir em frente na carreira.

O doomjobbing é um ciclo interminável de procurar emprego ou de se candidatar freneticamente a novas vagas, mesmo acreditando que o resultado dificilmente será melhor do que a situação atual.

Você clica no botão de candidatura simplificada do LinkedIn ou de outros sites de emprego apenas para receber e-mails de rejeição — ou, pior, nenhuma resposta. No fundo, permanece uma sensação de inutilidade: nada disso parece levar a lugar algum.

Segundo Dan Kejsefman, diretor de talentos da Avature, empresa global de tecnologia para o RH, trata-se de um esforço mal direcionado, alimentado pela ansiedade.

“Depois de uma demissão, é natural sentir urgência”, afirma o executivo. “Mas, quando essa urgência se transforma em uma atividade constante, ela costuma criar a ilusão de progresso, sem realmente melhorar os resultados.”

Na sua visão, essa ilusão é justamente a armadilha: a atividade substitui a estratégia, e o movimento toma o lugar do propósito. Se você já se pegou navegando distraidamente por vagas e se candidatando a qualquer oportunidade que tenha alguma relação com suas habilidades, você provavelmente já praticou o doomjobbing.

Você envia dezenas de candidaturas sem uma estratégia clara. Permanece em um cargo que acredita não ter futuro ou que está estagnado. Consulta constantemente sites de vagas sem ajustar sua abordagem. Parece estar ocupado, mas não está avançando.

5 dicas para evitar o “doomjobbing”

Candidatar-se a muitas vagas sem critério tende a gerar mais frustração do que sucesso, afirma Peter Duris, CEO e cofundador da Kickresume, empresa de tecnologia especializada em ajudar profissionais a criar currículos.

“Embora seja tentador clicar em ‘candidatura simplificada’ em tudo o que chama sua atenção em plataformas como o LinkedIn, essa não é a melhor forma de procurar emprego.”

Para evitar cair no doomjobbing e retomar o controle da carreira, Duris compartilha cinco recomendações para quem está desmotivado na busca por uma nova oportunidade profissional.

1. Defina melhor sua busca

Para evitar o doomjobbing, faça uma lista de critérios sobre o que você procura no próximo emprego. Isso pode incluir candidatar-se apenas a vagas com cargos compatíveis com sua experiência, estabelecer uma faixa salarial e filtrar pelo modelo de trabalho desejado (presencial, híbrido ou remoto).

Você também pode criar uma lista de empresas onde gostaria de trabalhar e que estejam alinhadas aos seus valores, seja pelos produtos, por suas práticas de sustentabilidade ou pela flexibilidade oferecida aos funcionários.

Ter filtros bem definidos facilita concentrar seus esforços em vagas que realmente despertam seu interesse, em vez de se candidatar apenas por hábito. Depois de encontrar oportunidades que atendam aos seus critérios, verifique se você também cumpre os requisitos descritos na vaga.

2. Personalize cada candidatura

Para aumentar suas chances de conseguir uma entrevista, vale a pena adaptar sua candidatura para cada vaga.

Não é necessário reescrever completamente o currículo toda vez, mas ele deve destacar as competências e experiências mais relevantes para a posição em questão.

Se a vaga exigir uma carta de apresentação, personalize o texto para a empresa e para o cargo. Ferramentas de inteligência artificial também podem ajudar a economizar tempo nesse processo, mas revise e edite todo o conteúdo antes de enviá-lo.

3. Certifique-se de que seu currículo está otimizado para sistemas ATS

Os ATS (Applicant Tracking Systems) são softwares usados para filtrar currículos antes que eles cheguem aos recrutadores. Esses sistemas analisam palavras-chave relevantes para reduzir o número de candidatos e selecionar aqueles com maior aderência à vaga.

Por isso, otimizar seu currículo para ATS é fundamental. Inclua palavras-chave relacionadas ao cargo e utilize um formato simples, organizado e fácil de escanear, com títulos claros e marcadores. Existem ferramentas online capazes de verificar se seu currículo está otimizado para esses sistemas.

4. Ative alertas de vagas

Em muitos sites de emprego é possível configurar alertas para receber notificações sempre que surgir uma vaga compatível com seu perfil.

Assim, você será avisado apenas sobre oportunidades realmente relevantes e poderá estar entre os primeiros candidatos a se inscrever. Além de aumentar suas chances, isso também torna a busca mais eficiente.

5. Não se deixe desmotivar pela concorrência

Em plataformas como o LinkedIn, os anúncios de vagas podem mostrar quantas pessoas já se candidataram. Embora esse número às vezes pareça muito alto, ele frequentemente inclui todos que clicaram em “Candidatar-se”, e não apenas aqueles que concluíram efetivamente o processo.

Além disso, muitos candidatos não adaptam seus currículos para a vaga ou sequer possuem as competências e qualificações exigidas. Ou seja, nem todos representam uma concorrência real.

Doomjobbing não é falta de ambição

Em um mercado de trabalho marcado pela incerteza, pela automação e por mudanças rápidas, é fácil confundir movimento com progresso. Mas os profissionais que realmente avançam são aqueles que agem de forma estratégica.

“O ideal é ser intencional na busca por emprego. Dedique tempo para se candidatar às vagas realmente relevantes e consulte diferentes plataformas de recrutamento”, recomenda Duris.

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com



FonteForbes

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