Copa do Mundo exige atenção redobrada de empresas e criadores de conteúdo nas redes sociais

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Uso indevido de marcas, imagens, transmissões e elementos oficiais do torneio pode gerar bloqueios, remoção de conteúdos e até perda definitiva de contas digitais

A Copa do Mundo transforma as redes sociais em um dos ambientes de maior movimentação digital do planeta. Empresas, influenciadores, criadores de conteúdo e empreendedores aproveitam o momento para aumentar alcance, engajamento e vendas através de campanhas temáticas, memes, vídeos e ações promocionais ligadas ao futebol.

Segundo a advogada Helohá S. Souza, especializada em Direito Digital, contratos, marcas e proteção de ativos digitais, é justamente nesse período que cresce o número de infrações envolvendo propriedade intelectual, direitos autorais e uso comercial indevido de conteúdos relacionados ao torneio.

“Muitas pessoas acreditam que tudo o que envolve a Copa pode ser usado livremente nas redes sociais, mas existem regras rígidas sobre marcas, transmissões, imagens e conteúdos oficiais. Dependendo da utilização, o perfil pode sofrer bloqueios, shadowban, remoção de publicações e até desativação definitiva”, explica.

Entre os principais riscos estão o uso de logotipos oficiais, mascotes, imagens do troféu, hashtags registradas, músicas oficiais, cortes de transmissões e campanhas promocionais utilizando imagens de atletas sem autorização.

O problema, segundo Helohá, não está na torcida ou na criação de conteúdo espontâneo, mas no uso comercial desses elementos sem licenciamento.

“A paixão pelo futebol é livre. O cuidado começa quando marcas, vídeos, áudios ou imagens protegidas passam a ser utilizados para gerar vendas, audiência ou monetização. Existe um mercado bilionário de direitos por trás da Copa do Mundo e esses ativos possuem proteção jurídica extremamente forte”, afirma.

Outro ponto de atenção envolve os famosos reacts, cortes de jogos e compartilhamento de trechos de transmissões. Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial das plataformas digitais, conteúdos protegidos vêm sendo identificados com cada vez mais rapidez.

“As redes sociais já utilizam sistemas automáticos de reconhecimento de áudio e vídeo. Mesmo quando a pessoa grava a transmissão da própria televisão, o conteúdo pode ser identificado e bloqueado quase imediatamente”, destaca.

Além da exclusão de conteúdo, a reincidência pode trazer impactos severos para empresas e criadores digitais, incluindo redução de alcance, perda de monetização, restrições na conta e danos financeiros.

“Hoje, um perfil digital é um ativo econômico. Perder uma conta significa perder relacionamento, histórico, audiência, clientes e faturamento. Dependendo do negócio, isso pode representar um prejuízo enorme”, pontua.

A orientação é que marcas e criadores aproveitem o momento da Copa de forma estratégica, produzindo conteúdos autorais, comentários, análises e interações com o público, mas evitando o uso indevido de elementos protegidos.

“O objetivo não é assustar ninguém, mas conscientizar. A Copa é uma grande oportunidade de conexão e visibilidade, desde que o conteúdo seja produzido com responsabilidade, criatividade e respeito às regras do ambiente digital”, finaliza.

Arquivo pessoal

Helohá S. Souza é advogada especializada em Direito Digital, contratos, marcas e proteção de ativos digitais, ajudando negócios a transformar presença digital em estrutura jurídica e patrimônio protegido.

Atua com empreendedoras, infoprodutores, marcas pessoais e negócios digitais, com atenção especial à proteção de mulheres que constroem autoridade, valor e comunidade no ambiente online.

Também é formada em Marketing e especialista em Direito Digital, LGPD e Compliance, com formação em governança, risco e compliance. Possui atuação institucional na OAB em frentes ligadas à inovação, proteção de dados e direito digital.

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