Uma campanha de apenas 15 segundos criada pela premiada agência Neotass foi exibida esse final de semana em uma das telas mais emblemáticas da Times Square, no circuito da Nasdaq, em New York City.
Mas, para Ricardo Bellino, o filme representa muito mais do que uma ação publicitária. É o fechamento simbólico de um ciclo iniciado há mais de quatro décadas, quando desembarcou pela primeira vez em Manhattan trabalhando como courier da DHL, carregando uma mala simples, poucos dólares no bolso e uma obsessão considerada improvável: tornar-se sócio de John Casablancas e levar a Elite Models para o Brasil.
Décadas depois, Bellino retorna ao coração financeiro do planeta para anunciar oficialmente a Dealmakers Academy, apresentada como a primeira escola de dealmakers do mundo. A escolha de Nova Iorque como palco do lançamento está longe de ser coincidência.
Foi ali, em 1985, que Bellino iniciou sua primeira grande aventura empresarial ao perseguir um objetivo considerado improvável à época: tornar-se sócio de John Casablancas e lançar a Elite Models Brasil. O movimento ajudaria a transformar o país em uma potência global da moda e abriria caminho para o surgimento internacional de supermodelos como Gisele Bündchen.
Naquele período, Bellino viveu a experiência clássica de milhares de imigrantes e empreendedores atraídos pela energia competitiva de Manhattan. Dormiu no YMCA, circulou pelas ruas observando o funcionamento do capitalismo em sua forma mais intensa e aprendeu cedo uma lição que se tornaria a espinha dorsal de sua filosofia de negócios: ninguém entrega espaço gratuitamente em Nova Iorque.
Anos depois, outro capítulo marcante da cidade ajudaria a consolidar sua reputação como negociador. Em 1994, uma visita aparentemente casual à loja da Ralph Lauren na Madison Avenue inspirou Bellino a criar, no Brasil, as camisetas da campanha Fashion Targets Breast Cancer — “O Câncer de Mama no Alvo da Moda” — iniciativa que mobilizou a indústria fashion em torno da conscientização sobre o câncer de mama e que ultrapassaria a marca de 14 milhões de peças vendidas ao longo dos anos.
O episódio culminou em um encontro simbólico com o próprio Ralph Lauren durante a New York Fashion Week, consolidando uma relação que Bellino costuma descrever como: “o poder de transformar inspiração em execução”.
Mas seria em 2003 que Nova Iorque entregaria a Bellino o episódio mais emblemático de sua carreira como dealmaker. Uma reunião com Donald Trump, inicialmente marcada para durar apenas três minutos, começou como uma situação adversa. Bellino tinha pouquíssimo tempo para apresentar uma visão, defender uma oportunidade e transformar resistência em interesse. Em vez de aceitar o limite imposto pela circunstância, utilizou exatamente aquela pressão como alavanca.
Em poucos minutos, conseguiu pivotar completamente a dinâmica da conversa, transformar tensão em oportunidade e abrir caminho para uma negociação milionária. O encontro não apenas resultaria em uma parceria empresarial, mas também se tornaria a base do best-seller internacional You Have 3 Minutes, publicado pela McGraw-Hill e posteriormente reproduzido em mais de 10 países e 10 idiomas.
O episódio consolidou uma das máximas centrais de sua trajetória: grandes oportunidades raramente chegam em condições ideais. Muitas vezes, elas aparecem disfarçadas de rejeição, pressão ou escassez de tempo. A diferença está na capacidade de transformar uma porta quase fechada em uma mesa de negociação.
A campanha da Nasdaq não surge isoladamente. Ela marca o início de uma estratégia mais ampla de construção do ecossistema Dealmakers Group, que conecta educação executiva, mídia, experiências premium, storytelling, relacionamento e aceleração de negócios.
O movimento inclui ainda o lançamento do Dealmakers Club, uma plataforma de membership orientada à pivotagem e aceleração estratégica de negócios através de conexões curadas.
Segundo Bellino, o clube nasce com uma tese clara:
“Grandes negócios raramente surgem apenas de capital financeiro. Eles nascem da combinação entre relacionamento, confiança, timing e visão.”
A filosofia do clube começou a ganhar forma semanas antes mesmo do lançamento oficial.
O primeiro grande case surgiu após Bellino receber uma mensagem de WhatsApp do empresário Marcelo Assunção, aluno da primeira turma da Dealmakers Academy e membro número 1 do Dealmakers Club.
A relação entre ambos já havia sido fortalecida anteriormente durante um Power Lunch em Toronto com Rob McEwen, bilionário do setor de ouro, para discutir possibilidades de expansão das atividades da mineradora Santa Rita no Brasil.
Dias depois, Marcelo enviou para Bellino o perfil de uma marca de moda masculina chamada BROTHERS.
O contexto, inicialmente, parecia confuso. Ao telefone, Marcelo revelou sua preocupação: havia investido R$1,5 milhão no negócio de um amigo de infância, mas a empresa enfrentava estagnação, ausência de liderança estratégica e perspectivas limitadas de crescimento. Em determinado momento, chegou a considerar abandonar completamente o investimento.
Foi então que Bellino teve um insight. Lembrou que seu amigo Carlos Wizard Martins costuma se apresentar informalmente como “Brother Wizard” e chamar amigos e parceiros de “Brothers”. A conexão parecia imediata.
Em poucos dias, Bellino organizou um Power Lunch entre Marcelo Assunção, Jefferson Guimarães e Carlos Wizard. Menos de duas semanas depois, Wizard ingressou oficialmente como sócio estratégico da franqueadora.
O plano de expansão anunciado: sair de 10 para 100 lojas em apenas 18 meses.
O que parecia um investimento perdido se transformou em uma plataforma com potencial de crescimento exponencial. O episódio acabou se transformando no primeiro case público do Dealmakers Club e ajudou a definir a essência do projeto: transformar situações de agonia empresarial em oportunidades de pivotagem e crescimento exponencial.
O timing do lançamento do clube coincide com outro movimento estratégico conduzido por Bellino: a parceria com a Assouline para o desenvolvimento do livro ArtCaps, projeto editorial de luxo que servirá como plataforma de countdown para o lançamento global do ecossistema Dealmakers ao longo dos próximos 8 a 12 meses.
A estratégia prevê a ativação integrada de:
- Dealmakers Academy,
- Dealmakers Club,
- experiências premium,
- mídia internacional,
- documentário/série,
- e um seleto grupo de 100 founding members.
O plano culminaria simbolicamente com a inauguração oficial do Dealmakers Club no Mar-a-Lago Club, clube privado associado ao círculo de relacionamento de Donald Trump. Mas Bellino afirma que o conceito de dealmaking vai muito além da negociação tradicional.
Segundo ele, a metodologia da Dealmakers Academy está baseada na construção de arquiteturas de relacionamento sustentadas por confiança, reputação e pensamento inverso inspirado na filosofia estoica.
“Em um mundo dominado por inteligência artificial, automação e excesso de informação, a habilidade mais rara continuará sendo profundamente humana: construir confiança”, afirma.
A tese parece alinhada com um movimento crescente do mercado global, no qual comunidades premium, acesso curado e relationship capital começam a ganhar relevância comparável à de ativos financeiros tradicionais.

Nesse contexto, os 15 segundos exibidos na Nasdaq talvez representem algo maior do que o lançamento de uma campanha. Podem representar o nascimento de uma nova categoria: a profissionalização do dealmaking como plataforma global de negócios, mídia e capital de relacionamento.
Uma história inacreditável demais para ser ficção.
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