Mesmo sendo uma das franquias mais populares e rentáveis do mundo dos jogos, Mortal Kombat no geral nunca foi conhecido pelas histórias e arcos marcantes, mas sim pelo carisma e criatividade dos seus personagens. Isso, mais o gore escancarado nas lutas fez com que os jogos fossem um sucesso de vendas, fazendo que a franquia ainda respire fora de aparelhos, mesmo com seus 34 anos de existência.
Devido ao sucesso, em 2021 veio a terceira adaptação cinematográfica da série, que estava para comemorar seus 30 anos: Mortal Kombat – e foi um desastre completo. Além de ter o azar de cair numa janela de lançamento durante a pandemia, o filme foi massacrado por público e crítica, e com razão: além de uma história que mais parecia um prelúdio do verdadeiro combate, nos apresentaram um personagem que ninguém comprou, ainda mais por nem existir no universo dos jogos – que já tem personagens carismáticos o suficiente.
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Felizmente, o estúdio parece ter ouvido as reclamações dos fãs, consertando os vários erros do primeiro filme em sua sequência: Mortal Kombat II (2026). Embora não seja um filme perfeito, ele diverte e tem mais vida que seu antecessor, o que já é uma grande vitória.
Você foi o escolhido
A premissa é simples: o Plano Terreno (que é onde vivemos) perdeu nove batalhas seguidas no Mortal Kombat contra a Exoterra – um reino diferente do nosso, liderado por Shao Khan (Martyn Ford). Se perdermos uma próxima vez, a terra irá ser escravizada pelo tirano, fazendo com que o protetor da Terra, Lorde Raiden (Tadanobu Asano) procure pelos melhores lutadores do nosso mundo para que nos defenda durante o combate.
Com quatro lutadores já escolhidos no primeiro filme, ainda faltava um para completar o grupo, regra necessária para a luta. É onde conhecemos Johnny Cage (Karl Urban): um ator de filmes de ação em decadência, porém faixa preta em diversas artes marciais. Em paralelo, somos apresentados à Princesa Kitana (Adeline Rudolph), uma das lutadoras da Exoterra, que também possui conflitos com Shao Khan, seu padrasto.
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Aqui começa, talvez, o maior problema do filme: quem é o protagonista, Johnny Cage ou Kitana? Embora o filme tente dar uma importância maior para os dois, o roteiro acaba não trabalhando muito bem suas histórias, fazendo com que ambas não tenham uma conexão direta com o público. O que, por outro lado, foi uma surpresa: o marketing do filme está centrado totalmente no Johnny Cage, mas quem surpreende com uma narrativa mais palpável é justamente, Kitana.
Escolha seus kombatentes
Mesmo com seus defeitos, o filme de 2021 acertou bem na escolha de elenco, onde todos retornam – até os mortos. Do lado do Plano Terreno, temos de volta a militar Sonya Blade (Jessica McNamee), seu parceiro de luta, Jax (Mehcad Brooks), o exímio mestre em artes marciais, Liu Kang (Ludi Lin) e o amado Cole Young (Lewis Tan). Mesmo com a adição de Karl Urban ao time – que rouba a cena sempre que aparece, a impressão que passa é que o ator não se entregou ao papel canastrão que o personagem merece.
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Não me entendam mal pois adoro o Karl Urban, ele é um ótimo ator – mas, para quem é acostumado com o Johnny Cage dos jogos, sabe que tá faltando alguma coisa ali. O Johnny do Karl é polido e contido, me fazendo pensar que até o Josh Lawson (Kano), cairia melhor no papel. É possível ver esse vislumbre do Johnny Cage clássico um pouco perto do final do longa, numa das sequências de luta e interação mais divertidas do filme.
Em contrapartida, na Exoterra, temos novidades clássicas da franquia: além da adição de Jade (Tati Gabrielle), temos também a Rainha de Edenia, Sindel (Ana Thu Nguyen), Kung Lao (Max Huang) e Shang Tsung (Chin Han). Deste lado, o maior destaque fica para Adeline Rudolph, como Kitana – uma grata surpresa nesta sequência, trazendo equilíbrio a um elenco que só tinha Sonya Blade como mulher no primeiro filme. Tati Gabrielle, embora tenha menos destaque como Jade, também foi uma ótima adição à franquia.
Os kombates
O maior trunfo de Mortal Kombat II está em suas cenas de ação, que começam já nos primeiros minutos do longa, felizmente. Um dos maiores erros do filme anterior foi justamente não a falta de lutas, mas um motivo crível para isso (menos entre Scorpion e Sub-Zero, ali a briga é antiga). Na sequência, além dos personagens terem um motivo óbvio para lutar, os encontros e desavenças entre alguns personagens fazem mais sentido que no primeiro longa, tornando a história mais divertida.
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E por falar em divertida, Mortal Kombat II entrega para os fãs de bandeja uma chuva de referências durante as várias batalhas. É quase uma carta de desculpas pelo primeiro filme: cenários saídos diretamente dos jogos, ataques e especiais clássicos dos personagens, artes marciais postas à prova pelos atores – tudo aqui irá agradar demais os fãs, que vibraram em toda cena de luta durante a sessão em que estive. Destaque para duas em específico: Liu Kang vs Kung Lao em frente ao Portal (de longe, a melhor cena do filme) e uma luta específica nos esgotos, na qual não irei dar mais detalhes – mas vale muito a pena.
O gore clássico dos jogos também está de volta. Dedos cortados inteiros, personagens serrados ao meio, cabeças esmagadas com martelo – o diretor Simon McQuoid não poupou esforços ao dilareçar alguns personagens em tela, fazendo jus a classificação indicativa do filme. O acerto do primeiro filme continua na segunda parte (ainda bem).
Vitória perfeita?
Só por ser melhor que o primeiro filme, Mortal Kombat II já vale a ida ao cinema. Embora tropece em alguns aspectos no caminho, o filme consegue fazer seu trabalho principal sem esforço nenhum, que é entreter. Depois de anos de adaptações horríveis de jogos sendo feitas, é um alívio assistir a um filme que conseguiu captar a essência principal de Mortal Kombat: trazer boas lutas e levar o carisma dos personagens existentes às telas de cinema, algo que a New Line já tinha feito em sua primeira adaptação do filme, em 1995.
Com uma possível terceira parte a caminho e sem pandemia para atrapalhar a bilheteria, Mortal Kombat nos cinemas parece ter encontrado o caminho certo a seguir daqui para frente. O segredo é só não inventar coisa nova e respeitar o que já existe, pois são quase 40 anos de história – o que não falta é material.
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Fonte Tecmundo