Embraer fecha maior venda para um único país do seu cargueiro C-390

Compartilhar:

Embraer: a trajetória da gigante brasileira que ‘sobreviveu ao próprio funeral’

Empresa de aviação encontrou clareza no momento mais difícil, apostou em algumas áreas e conseguiu se reerguer. Crédito: Ariel Liborio (Edição)

A Embraer recebeu o maior pedido internacional de um único país para seu cargueiro C-390 Millenium — o maior avião já desenvolvido pela empresa brasileira. O negócio foi fechado com os Emirados Árabes Unidos (EAU) e assinado com a Tawazun Council for Defence Enablement do país, entidade nacional responsável por fomentar e regular a indústria de defesa e segurança, que comprou dez aeronaves com a opção de ampliar o pedido para mais dez.

O contrato prevê o desenvolvimento, com a colaboração de uma empresa dos EAU, de capacidades de manutenção, reparo e revisão, além de outros serviços de suporte pós-venda para a frota.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 4, a Embraer destacou que o C-390 permitirá às Forças Armadas do país comprador “realizar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, operações de lançamento aéreo, assistência humanitária, evacuação aeromédica, operações em pistas não pavimentadas e total interoperabilidade com as forças nacionais, aliadas e parceiras”.

C-390 Millennium é o maior avião já desenvolvido no Brasil Foto: Marcos Corrêa/PR

“Estamos extremamente orgulhosos de que os EAU tenham selecionado o C-390 Millennium para aprimorar suas capacidades de transporte aéreo”, disse, também em nota, o presidente da Embraer Defesa, Bosco da Costa Junior. “Esta aeronave revolucionária e comprovada em missão fornecerá à Força Aérea e de Defesa Aérea a versatilidade e o desempenho necessários para realizar uma ampla gama de missões, a qualquer hora e em qualquer lugar, nas próximas décadas”, acrescentou.

Anunciado em 2009, o programa do C-390 custou US$ 4,5 bilhões (aproximadamente R$ 22 bilhões) e foi desenvolvido em parceria com a FAB. Apesar de impressionar pela qualidade técnica, o avião — que é chamado de KC-390 quando tem a opção de abastecimento em pleno voo — decepcionou, inicialmente, o mercado financeiro em vendas.

O cargueiro começou a registrar avanços mais concretos em 2023. Até 2022, a empresa fechara contrato de venda do modelo apenas com Portugal (em 2019), Hungria (2020) e Holanda (2022). Só em 2023, no entanto, acertou com Áustria, República Tcheca e Coreia do Sul. As conversas mais promissoras seguem em andamento, com a Arábia Saudita e a Índia.

Na Índia, por exemplo, a Embraer está competindo para vender de 40 a 80 aviões. Para tentar fechar o negócio, a companhia já anunciou uma parceira local, o grupo Mahindra, para fabricar a aeronave no país.

Há negociações também com a Arábia Saudita, onde uma frota de 60 aeronaves precisa ser aposentada (23 delas com perfil para serem substituídas pelo C-390). Para vender ao país, a Embraer poderá ter de estabelecer lá uma linha de montagem final do avião ou transferir atividades de manutenção, treinamento e fabricação de peças. Essas exigências são comuns em vendas de equipamentos para forças armadas.

Uma dificuldade para o C-390, porém, é a restrição de mercado. Se a Embraer pretendesse vender, por exemplo, um cargueiro para Israel, sua aeronave não poderia ter nenhuma peça fabricada em uma nação considerada inimiga do país. Hoje, o mercado da companhia brasileira é formado por países alinhados aos Estados Unidos.

Até no Brasil, o C-390 já enfrentou desafios importantes. Em 2021, a Aeronáutica decidiu unilateralmente, sob a justificativa de restrições orçamentárias, reduzir sua encomenda de 28 para 15 cargueiros. Após meses de negociações, ficou acertado que seriam 19 unidades — apesar de o contrato prever que o valor da encomenda poderia ser reduzido em no máximo 25%, o que significava a venda de 21 unidades.

Os cálculos da empresa, no entanto, ainda indicam que, nos próximos 20 anos, 490 cargueiros terão de ser substituídos em todo o mundo, um mercado de US$ 60 bilhões (quase R$ 300 bilhões) no qual o C-390 tem condições de se destacar.



Fonte ONU

Artigos relacionados