A economia dos Estados Unidos manteve sua trajetória de resiliência e cresceu a uma taxa anual de 2% nos primeiros três meses do ano, mesmo com a alta dos preços globais da energia nas primeiras semanas da guerra com o Irã.
Os dados do Departamento de Comércio ofereceram o primeiro panorama oficial de como a economia dos EUA está se saindo de maneira geral desde que o choque do petróleo causado pela guerra com o Irã começou a se refletir nos preços e nas decisões empresariais. Economistas esperam que os preços mais altos da energia reduzam os gastos dos consumidores com outros bens, pesando sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Mas o relatório divulgado nesta quinta-feira, 30, mostrou que o investimento privado, os gastos dos consumidores e os gastos do governo permaneceram fortes antes da guerra e nas primeiras semanas do conflito.
“No geral, é um número sólido. Os gastos do consumidor se mantiveram estáveis”, disse Jason Draho, diretor de alocação de ativos para as Américas do UBS. Ele acrescentou, porém, que essa solidez “poderia ser totalmente anulada” se os preços mais altos da energia persistirem nos próximos seis meses.

Economia dos EUA continuou a mostrar resiliência nos primeiros três meses do ano, mesmo com a forte alta dos preços da energia nas primeiras semanas da guerra Foto: Jon Cherry/NYT
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz fez com que os preços do petróleo disparassem em mais de 60%. O preço do petróleo Brent, referência global para o petróleo, saltou para US$ 120 o barril nesta semana, ante um nível pré-guerra de cerca de US$ 70 o barril em fevereiro. Aumentos acentuados na inflação dos preços da energia tendem a ter um efeito moderador sobre os dados de crescimento econômico, que são ajustados pela inflação. E tais picos também podem reduzir a renda disponível das famílias.
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Os contratos de entrega de petróleo bruto em julho e agosto ultrapassaram os US$ 100 por barril nos últimos dias, aumentando os temores de uma interrupção prolongada e escassez de produtos derivados do petróleo.
Apesar do sentimento do consumidor estar próximo de mínimos históricos e da fraca disposição para contratações entre os empregadores, os dados sobre o consumo, que constitui cerca de 70% do PIB, mantiveram-se estáveis, especialmente entre as famílias no terço superior da renda. O consumo pessoal cresceu 1,6% no primeiro trimestre, um pouco melhor do que o esperado.
Um dado particularmente positivo foi um indicador que reflete a soma dos gastos do consumidor e do investimento privado bruto. Esse indicador cresceu 2,5% no primeiro trimestre, em comparação com um aumento de 1,8% no final do ano passado. O crescimento continua sendo impulsionado pelos gastos de capital relacionados à implantação de infraestrutura de inteligência artificial.
Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, argumenta que este período “ecoou as perturbações decorrentes da pandemia”, com os preços elevados corroendo um crescimento e ganhos salariais que, de outra forma, seriam sólidos.
Os dados do Departamento de Comércio são apenas a primeira estimativa para o trimestre. As revisões, conduzidas por funcionários públicos da agência, podem ser substanciais, particularmente em períodos de rápidas mudanças nos preços e na economia.
Há algumas evidências limitadas de que o salto nos preços da energia está se refletindo no restante da economia. Dados separados divulgados nesta quinta-feira mostraram que o índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal, que é o indicador de inflação preferido do Federal Reserve, subiu 0,7% em março e 3,5% em relação ao ano anterior. Foi o aumento mais rápido dos preços em relação ao ano anterior desde 2023.
Mas o índice “básico” de preços ao consumidor, que exclui as categorias voláteis de energia e alimentos, subiu 0,3% em março, uma ligeira desaceleração em relação a fevereiro. Ainda assim, os preços básicos registraram alta de 3,2% em relação ao ano anterior, bem acima da meta de longo prazo do banco central, de 2%. A inflação já se mostrava persistente mesmo antes da guerra, e os formuladores de políticas estão cautelosos em permitir que ela continue.
O Fed manteve as taxas de juros estáveis na quarta-feira, em uma tentativa de conter qualquer aumento adicional da inflação decorrente do choque dos preços do petróleo e dos efeitos persistentes das tarifas que o governo Trump impôs no ano passado sobre produtos estrangeiros. Os rendimentos dos títulos subiram, à medida que os investidores temem que as pressões sobre os preços corroam o valor futuro de alguns de seus ativos.
Os índices de ações têm se mantido resilientes, oscilando perto de máximas históricas. Os investidores têm se concentrado mais nas margens de lucro robustas e nos lucros corporativos — que estão a caminho de mais um trimestre de crescimento de dois dígitos — do que nos riscos geopolíticos crescentes.
Em última análise, a estabilidade dos mercados e da economia em geral pode depender da capacidade da atividade comercial de suportar a pressão crescente da energia mais cara e a ameaça de que isso se reflita nas famílias e nas empresas.
A economia dos EUA cresceu a um ritmo respeitável de 2% no ano passado, impulsionada pelos gastos do consumidor e pelos investimentos empresariais, embora o crescimento tenha desacelerado significativamente para 0,5% nos últimos três meses de 2025, em parte devido à prolongada paralisação do governo.
A equipe de pesquisa econômica do Bank of America observou recentemente que o aumento dos custos de energia “provavelmente atenuou o tão esperado impulso aos gastos do consumidor” decorrente da agenda de estímulos fiscais da Casa Branca. Os reembolsos de impostos aumentaram US$ 43 bilhões em comparação com o ano passado, mas o aumento nos preços da gasolina já custou US$ 19 bilhões, observaram os pesquisadores do banco.
Se o impasse no Oriente Médio não se amenizar nas próximas semanas e meses, muitos analistas do setor de energia afirmam que poderão haver efeitos desastrosos sobre a economia global, que teriam repercussões negativas nos Estados Unidos.
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Fonte ONU