Normalização da oferta e dos preços de petróleo e gás levará meses; entenda

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Estreito de Ormuz segue incerto e petróleo pode demorar a normalizar mesmo com fim da guerra (AP Photo/Altaf Qadri,File) Foto: Altaf Qadri

As empresas de transporte marítimo enfrentam confusão e incerteza sobre a situação do Estreito de Ormuz, a passagem por onde flui uma parcela significativa da energia mundial, enquanto avaliam mensagens divergentes de autoridades do Irã e dos Estados Unidos.

Militares iranianos disseram que voltariam a impor um controle “rigoroso” sobre o tráfego. Independentemente da velocidade da abertura, levará semanas até que volumes substanciais de petróleo e gás do Golfo Pérsico cheguem aos compradores ao redor do mundo. E levará muito mais tempo até que as empresas reparem os danos causados a uma das regiões produtoras de energia mais importantes do planeta.

Mesmo com o fim da guerra, preços não voltariam ao normal

É provável que leve bastante tempo até que um galão de gasolina volte a custar menos de US$ 3, como ocorria antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã em 28 de fevereiro. A escassez de certos produtos, como combustível de aviação e gás natural, também pode persistir em alguns países por semanas ou mais.

“Não esperamos que os preços do petróleo – e, portanto, os preços nas bombas – voltem aos níveis de antes da guerra”, disse Arjun Murti, sócio da Veriten, uma empresa de pesquisa e investimentos em energia com sede em Houston.

Pense no Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, como uma válvula. Ele precisa estar aberto para que a energia flua. Mas a decisão das empresas de transporte de reposicionar navios-tanque e dos produtores de reativar poços dependerá muito da confiança de que a distensão entre Irã, Estados Unidos e Israel será duradoura.

Spencer Dale, que até recentemente era economista-chefe da empresa petrolífera BP, com sede em Londres, na Inglaterra, afirmou que produtores que foram obrigados a interromper a produção de petróleo e gás relutarão em retomá-la “até que haja confiança de que existe um acordo duradouro”.

Petróleo despenca na Bolsa mas barril não sente

Os traders estavam otimistas na sexta-feira, 17, quando o preço internacional do petróleo mais citado, os contratos futuros do Brent, caiu 9%, para cerca de US$ 90 por barril, o menor valor de fechamento desde a segunda semana da guerra.

Mas, para quem precisava de um navio-tanque carregado de petróleo de fato, o preço na sexta-feira era mais alto: quase US$ 99 por barril, segundo a Argus Media. Esse segundo valor, frequentemente chamado de preço à vista (spot), reflete mais de perto o que empresas, como refinarias, pagam pelas commodities e, portanto, quanto a energia custa para a economia como um todo.

“Normalmente, essa distinção entre os dois mercados é algo com que especialistas em petróleo e traders se preocupam”, disse Dale, hoje professor visitante na London School of Economics and Political Science. “Agora isso realmente importa.”

O que mais impactará o preço do petróleo

Uma das maiores variáveis para os preços do petróleo será se as empresas de transporte e suas seguradoras acreditam que o Estreito é seguro.

A situação da via marítima permanece incerta hoje, 18, depois que os militares iranianos afirmaram que o Estreito continuaria “sob controle rigoroso”, um dia após o ministro das Relações Exteriores do país dizer que o estreito estava “completamente aberto”.

O presidente Trump classificou o anúncio de sexta-feira, 17, do chanceler como um avanço, mas, complicando o cenário, afirmou que os Estados Unidos manteriam o bloqueio a navios com destino ou origem em portos iranianos. Isso, na prática, impediu o Irã de exportar energia nos últimos dias.

Até a tarde de ontem, os navios não haviam retornado em grande número ao estreito.

Se Ormuz abrir, o que acontece?

Caso o transporte marítimo a partir dos vizinhos do Irã seja retomado, a primeira prioridade será permitir que os navios-tanque carregados de energia que ficaram retidos no Golfo Pérsico partam para países da Ásia e da Europa, altamente dependentes da região. Embarcações vazias também teriam a oportunidade de carregar combustível de tanques de armazenamento, abrindo espaço para novo petróleo e gás natural extraídos. Tudo isso proporcionaria à economia global um reforço de energia de que ela precisa com urgência.

Mas a guerra causou danos do tipo que levam meses, senão anos, para serem reparados. Além de os produtores terem interrompido cerca de 10% da oferta global de petróleo, mais de 80 instalações de energia na região foram danificadas, muitas delas gravemente, segundo a Agência Internacional de Energia.

Restaurar a produção aos níveis anteriores à guerra pode levar até dois anos, afirmou nesta semana Fatih Birol, diretor-executivo da agência.



Fonte ONU

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