Exportação aos EUA no trimestre teve a menor participação histórica

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Porto do Rio de Janeiro (foto de Wang Tiancong, Agência Xinhua)
Porto do Rio de Janeiro (foto de Wang Tiancong, Agência Xinhua)

“A mínima histórica da participação dos EUA na pauta exportadora brasileira neste primeiro trimestre reforça a importância de avançar no diálogo bilateral. Há espaço para reverter essa tendência, como indica a desaceleração da queda das exportações em março, mas isso dependerá de entendimentos que evitem novas restrições ao comércio entre os dois países.”

A opinião é de Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O resultado no trimestre contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (3,5%) e para parceiros relevantes, como China e União Europeia. A corrente de comércio bilateral somou US$ 17 bilhões, queda de 14,8%, refletindo a retração tanto das exportações quanto das importações. Apesar do recuo, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

Apesar do desempenho negativo no trimestre, os dados de março indicam desaceleração da queda. As exportações recuaram 9,1% no mês (ante queda de 18,7% no trimestre), sendo que sete dos 10 principais produtos exportados registraram crescimento, com destaque para petróleo bruto (321%), aeronaves (85,8%) e máquinas elétricas (73,4%).

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Além disso, as exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% no mês. A melhora está associada, ainda que parcialmente, à redução das tarifas após a decisão da Suprema Corte dos EUA no final de fevereiro.

As sobretaxas continuam sendo fator determinante para o desempenho das exportações, especialmente bens industriais. Atualmente, cerca de 45% das exportações brasileiras ingressam no mercado americano sem sobretaxas, enquanto o restante ainda enfrenta tarifas adicionais.

O levantamento da Amcham indica que 86% das empresas seguem apreensivas sobre o risco de novas restrições comerciais, indicando nível considerável de incerteza nos negócios bilaterais.

Já as importações brasileiras provenientes dos EUA somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%, concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Excluindo esses itens, o fluxo de importações permanece resiliente.

“O cenário para os próximos meses permanece incerto, diante da possibilidade de novas medidas tarifárias nos EUA, bem como da imprevisibilidade na conjuntura internacional. Por outro lado, a moderação na queda das vendas observada em março, combinada com o aumento na participação de produtos sem sobretaxas na pauta exportadora brasileira e à demanda americana consistente, indica a possibilidade de recuperação gradual ao longo de 2026”, diz a entidade.

Vendas de alimentos para países islâmicos cresceram mais de 60%

Já o avanço das exportações brasileiras de alimentos industrializados para países islâmicos vem promovendo uma mudança estrutural na geografia do comércio exterior do setor. Mercados como Liga Árabe e Sudeste Asiático registram crescimento acima da média global e já figuram entre os principais destinos da indústria nacional, superando, em dinamismo, mercados tradicionais como União Europeia e EUA.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) mostram que, entre 2020 e 2025, as exportações de alimentos industrializados ampliaram sua participação no faturamento do setor de 19% para 27%. Esse avanço consolida o Brasil como um dos grandes fornecedores globais de alimentos.

Os mercados islâmicos estão entre os principais vetores desse avanço. As vendas para a Liga Árabe cresceram 68,6% nos últimos cinco anos, alcançando US$ 10,3 bilhões, enquanto Indonésia (78,8%), Malásia (64,9%) e Bangladesh (64,8%) apresentaram altas expressivas.

Em 2025, a Liga Árabe respondeu por 15,4% das exportações brasileiras de alimentos industrializados, consolidando-se como o segundo principal destino do setor, atrás apenas da China. O desempenho reflete a crescente internacionalização da indústria brasileira de alimentos, que passa a produzir desde a origem com foco em exigências, padrões técnicos e demandas do mercado global.

Segundo Cleber Sabonaro, gerente de Economia e Inteligência Competitiva da ABIA, o mercado halal se insere nesse movimento como uma plataforma estratégica de acesso a economias em expansão.

“Os países islâmicos combinam crescimento populacional, aumento de renda e forte dependência de importações. A indústria brasileira de alimentos reúne escala, eficiência e sistemas sanitários reconhecidos, o que fortalece sua competitividade e amplia oportunidades de longo prazo”, afirma.

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Fonte Monitor Mercantil

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