XP reitera compra para RD Saúde e projeta salto de 43% nas ações com mercado de GLP-1

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A XP Investimentos revisou as projeções de 2026 sobre a RD Saúde (RADL3). Os analistas aumentaram o preço alvo das ações da RD Saúde para R$ 32, o que significa uma valorização de 43,6% sob o preço atual de R$ 22,30, baseado no fechamento do dia anterior. Nesta quarta (8), os papéis sobem 3,90%, a R$ 23,15, às 14h45. 

A tese de investimento da XP é sustentada por um otimismo estrutural com o setor varejista farmacêutico, o forte ímpeto de lucros e a posição de liderança da empresa em um mercado que está cada vez mais focado em medicamentos de emagrecimento.

Os analistas reiteraram a recomendação de compra, classificando a ação como um ativo defensivo e de alta liquidez. “Em nossa visão, a ação (e o setor) teve um desempenho abaixo recentemente devido ao que consideramos preocupações injustificadas sobre a dinâmica dos medicamentos GLP-1”, aponta o relatório da XP.

Leia mais: RD Saúde (RADL3) surpreende no 4º trimestre com “efeito Ozempic” e ações sobem

Impacto transformacional dos medicamentos GLP-1

O mercado de fármacos da classe GLP-1, que inclui sucessos de vendas como Ozempic e Mounjaro, se tornou um dos principais motores de crescimento para a RD. Segundo o relatório da XP, a estimativa é que o faturamento total desse mercado alcance R$ 17 bilhões em 2026 e salte para R$ 28 bilhões em 2027.

Mesmo com uma expectativa forte de faturamento, o mercado ficou com um pé atrás em relação a uma desaceleração do produto por conta da falta pontual de estoque que ocorreu em janeiro deste ano. Porém, o rastreador de importações da XP Investimentos indica que a oferta foi normalizada, com as importações do primeiro trimestre de 2026 crescendo 134% em relação ao ano anterior. 

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Além disso, a tese da XP prevê uma nova onda de crescimento a partir do segundo semestre de 2026, com o lançamento das primeiras versões genéricas da semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) pela farmacêutica EMS, com tickets mensais estimados em R$ 600,00.

Barreira competitiva contra o e-commerce

Outro ponto abordado pelos analistas no relatório é o aumento da concorrência após a entrada do Mercado Livre (BDR: MELI34) no setor farmacêutico e a liberação de medicamentos em supermercados. Apesar disso, segundo a XP, a visão para a RD permanece construtiva devido à sua capilaridade de mais de 3,5 mil lojas e à sua infraestrutura logística especializada.

A XP avalia que o modelo de marketplace adotado por grandes players de tecnologia possui desvantagens críticas em relação à farmácia física. “O Mercado Livre foca em modelos 3P, onde players menores têm desvantagens em preços, armazenamento de GLP-1 e segurança”, destaca o relatório. 

Medicamentos de alta tecnologia exigem rígido controle de temperatura e cadeias de suprimentos seguras, o que blinda a RD contra a perda de mercado para competidores totalmente digitais.

Prévias do primeiro trimestre de 2026

Para o primeiro trimestre de 2026, analistas da XP projetam resultados operacionais robustos. O indicador Vendas em Mesmas Lojas (SSS, em inglês) deve crescer em níveis de dois dígitos, com vendas brutas do varejo subindo 20,6%. 

Já a margem Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada deve expandir para 6,7%, compensando o impacto da maior participação dos medicamentos GLP-1 no mix de vendas, que possuem margens brutas ligeiramente menores.

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O lucro líquido projetado pela XP para o período é de R$ 293 milhões, uma alta de 65,5% ante comparação anual. Tal crescimento será impulsionado tanto pela eficiência operacional quanto pelos benefícios fiscais decorrentes do pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) no trimestre.

Reflexos da venda da 4Bio

A atualização das estimativas também incorpora a alienação da 4Bio, unidade focada em medicamentos especiais, com fechamento previsto para o segundo trimestre de 2026. A operação renderá R$ 600 milhões em dinheiro para a companhia, pagos em seis parcelas. 

Embora a saída da unidade remova entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3 bilhões das projeções de vendas brutas, a XP aumentou a estimativa de lucro líquido em 12% para 2026 e 16% para 2027, refletindo o ganho fiscal e a melhor dinâmica de margens no varejo puro.

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Sob a ótica de valuation, os analistas consideram o preço atual atrativo. A ação negocia a 21 vezes o P/L (Preço sobre Lucro), nível consideravelmente inferior à sua média histórica de 30 vezes. 

O índice PEG Ratio (relação entre o P/L e o crescimento esperado) de 0,7x reforça que o papel está barato em relação ao crescimento projetado do lucro por ação (CAGR, ou Taxa de Crescimento Anual Composta) de aproximadamente 30% para os próximos anos.



Fonte Infomoney

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