Review: Pokémon FireRed traz forte dose de nostalgia, que não distrai de limitações sérias

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A vida de um jovem rapaz da cidade de Pallet está prestes a mudar para sempre. Após atender ao chamado do Professor Oak, ele escolhe uma entre três criaturas de grande potencial, conquista um grande rival e inicia uma jornada que vai mudar para sempre sua vida. Essa é a premissa de Pokémon FireRed e LeafGreen, títulos que recontam uma história que encantou várias gerações de fãs.

Lançados originalmente em 2004 no Game Boy Advance, os games são os primeiros remakes dos títulos de Game Boy que deram o pontapé inicial da franquia, que celebra 30 anos em 2026. Para comemorar essa data importante, a The Pokémon Company decidiu relançá-los no Nintendo Switch, acompanhados de várias decisões polêmicas.

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Além de um preço salgado e da falta do suporte a múltiplos idiomas, os games chamaram a atenção por serem adaptados bastante “cruas” e com novidades mínimas. Mas será que, mesmo assim, os títulos ainda têm força o suficiente para merecer a atenção dos fãs?

Pokémon FireRed volta a tempos mais simples (e difíceis)

Como um jogo da série lançado há mais de 20 anos, Pokémon FireRed não tem muitas das facilidades e comodidades dos capítulos mais recentes, o que é tanto bom quanto ruim. O lado positivo é que o título é consideravelmente mais desafiador do que games como Sun/Moon, Sword/Shield e Scarlet/Violet, especialmente em sua campanha.

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Pokémon FireRed pode ser bastante desafiador. Imagem: Divulgação/Nintendo

Esse desafio não aparece somente nas batalhas contra treinadores, mas também nas criaturas aleatórias que surgem nos caminhos gramados e em cavernas. Caso você não esteja atento às fraquezas e forças dos tipos de criaturas que possui, ou esteja em um nível muito baixo, sua equipe pode e provavelmente vai ser derrotada.

Com isso, Pokémon FireRed é um game que exige uma quantidade de grind que seria impensável nos títulos mais recentes. A cada um dos oito líderes de ginásios que você enfrenta, se prepare para passar algumas horas evoluindo sua equipe em pelo menos 10 níveis — o que muitas vezes se torna o mínimo para ficar dentro da faixa exigida pelo título.

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Todos os líderes de ginásio clássicos do anime estão presentes no game. Imagem: Divulgação/Nintendo

Outro elemento que tem efeito misto é o fato de que, como um remake dos primeiros capítulos da série, a aventura tem uma quantidade bastante limitada de criaturas. Até que você derrote a Elite dos 4, haverá somente um número restrito dos 150 monstros de bolso originais disponíveis.

Depois disso, esse número se expande mais e passa a abranger algumas das criaturas da segunda e da terceira geração da série, mas não espere conseguir completar sua Pokédex somente com o que as duas versões oferecem. Enquanto para colecionadores essa pode ser uma notícia ruim, confesso que apreciei essa volta a tempos mais simples, na qual decorar os nomes de todos os monstros, seus tipos e golpes era algo mais gerenciável.

Curiosamente, muitos dos elementos de Pokémon FireRed que podem ser considerados antiquados atualmente eram bastante práticos na época em que ele saiu. A barra que mostra quantos pontos de experiência uma criatura precisa para subir de nível, bem como a possibilidade de correr pelos cenários, não existiam no game original — e foram adições muito bem-vindas em 2004. O mesmo acontecia com os tipos metálicos e sombrio, que foram introduzidos posteriormente e estão presentes no remake.

Onde o relançamento da versão Switch erra?

Mesmo levando em consideração a decisão da The Pokémon Company de preservar a forma original de Pokémon FireRed e LeafGreen, alguns elementos do relançamento são inexplicáveis. Embora a empresa tenha facilitado o acesso às ilhas extras do pós-game, ela não fez algumas melhorias de qualidade de vida que parecem básicas diante dos preços que decidiu cobrar.

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As adaptações de FireRed e LeafGreen no Switch trazem quase todas as limitações do passado. Imagem: Divulgação/Nintendo

Para começar, o título não possui qualquer espécie de plano de fundo opcional, filtro de imagem ou mudança no aspecto de tela. Assim, somos forçados a jogar uma aventura que não ocupa totalmente o display do Switch e deixa grandes barras negras em sua lateral (e uma pequena faixa inferior) — um verdadeiro terror para quem tem aparelhos com a tecnologia OLED.

A The Pokémon Company também não fez algo para amenizar o longo tempo de grind necessário para evoluir no game, que poderia se beneficiar muito de “aceleradores” — algo semelhante ao que Pokémon Stadium fazia no Nintendo 64 em relação aos jogos originais de Game Boy seria o ideal. Para completar, em sua estreia, o título não tem qualquer espécie de suporte online.

Embora a compatibilidade futura com o Pokémon Home esteja garantida, parece um grande retrocesso só poder trocar criaturas localmente com outros donos do Switch. Permitir que isso fosse feito pela internet não mudaria o espírito dos jogos e mostraria que o estúdio está mais antenado com a realidade dos jogadores atuais.

Pokémon FireRed e LeafGreen no Nintendo Switch vale a pena?

A resposta para essa pergunta é um grande depende. Caso você aprecie os jogos originais e tenha boas lembranças em relação a eles, é difícil não se contaminar com a nostalgia que eles oferecem. E, mesmo assim, Pokémon FireRed e LeafGreen trazem uma série de “poréns” que devem ser considerados.

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Pokémon FireRed e LeafGreen trazem grande apelo nostálgico, mas muitos defeitos. Imagem: Divulgação/Nintendo

Além das várias restrições listadas neste review, o preço cobrado no eShop é exagerado, especialmente dado que o trabalho de adaptação feito nos games é mínimo. Enquanto o valor justo de um jogo sempre vai ser material de discussão, os R$ 120,99 cobrados por cada versão parecem exagerados diante do que elas oferecem.

Revisitar as origens mais simples da franquia e um título que passou dezenas de horas em meu Game Boy Advance foi bastante prazeroso, e a presença de várias arestas que a série limou com o tempo se mostraram positivas. No entanto, é fácil perceber que aqueles que não têm a mesma nostalgia têm grandes chances de considerar a experiência frustrante e incompleta.

Nota do Voxel: 75

Pontos positivos:

  • Uma volta a um tempo mais simples e com uma quantidade gerenciável de criaturas
  • A dificuldade aprimorada mostra que a série perdeu um pouco ao simplificar excessivamente seus sistemas
  • Os pixels de Pokémon FireRed continuam charmosos, mesmo 20 anos após sua estreia

Pontos negativos:

  • Falta de melhorias de qualidade de vida e filtros visuais
  • Nenhum sistema de trocas online e o suporte ao Pokémon Home ficou para depois
  • Nada de localização para o português
  • Preço que pesa bastante no bolso

Pokémon FireRed e LeafGreen está disponível para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. Uma cópia do game foi cedida para review pela Nintendo Brasil.



FonteTECMUNDO

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