setor ainda é oportunidade na Bolsa brasileira?

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Os mercados iniciaram o mês reagindo negativamente ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Ao longo da manhã, a bolsa oscilou, com mais perdas que ganhos, e as ações abriram o mês no vermelho. Nadando contra a corrente, o setor de Papel e Celulose iniciou o dia no azul, com ganhos suaves.

Logo após a abertura dos mercados, as ações da Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3) registraram altas. Por volta das 10h20, a Suzano registrava alta de 1,16%, a Klabin de 0,15% e a Irani, com 0,91%. No início da tarde, as ações perderam força e registraram mistas: SUZB3, -0,33%; KLBN11, -0,19%; e RANI3 manteve alta a +0,81%.

De acordo com o Bradesco BBI, o momentum segue sustentado pelas preocupações generalizadas em relação à disponibilidade de oferta nos próximos meses, em especial, após a revogação de licenças florestais na Indonésia.

Viva do lucro de grandes empresas

Em uma análise recente da Fastmarkets RISI, a mudança na política mostrou poder afetar cerca de 1 milhão de hectares de plantações. A alteração pode levar a uma perda anualizada de cerca de 8 milhões de toneladas de biomassa (BDMT) de madeira, ou uma redução de cerca de 4 milhões de toneladas na oferta de celulose.

Por causa dessa preocupação, tanto a APP quanto a APRIL, dois dos maiores conglomerados de papel e celulose do mundo, vêm adquirindo volumes substanciais de BHK (celulose kraft de fibra curta branqueada) sul-americana para revenda na China, afirmaram traders ouvidos pela RISI.

Para o futuro, conforme os analistas do banco, novas iniciativas de aumento de preços do papel devem se concretizar, mesmo com a resistência dos compradores de celulose. Conforme o relatório, o poder de barganha permanece com os fornecedores.

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Cenário brasileiro

Para o Itaú BBA, o setor de celulose no Brasil ainda demonstra apetite para investir, mas sem a “onda” prevista para 2025–2026 e, sim, com uma implementação faseada. Em análise conjunta com entidades especializadas, o banco destacou que restrições práticas no setor, como a disponibilidade de madeira, acabou por adiar os cronogramas de expansões e projetos no país.

Por causa disso, o cenário mudou um pouco. Ao invés do que o banco chama de “boom sincronizado”, o setor deve passar por uma curva de desenvolvimento em fases, a partir da regularização de algumas dessas restrições, em especial, a expansão da base florestal.

De acordo com o banco, a expansão mais rápida pode vir de ganhos de produtividade sobre bases florestais já estabelecidas. O Grupo Index destacou que melhorar a produtividade pode ter prioridade sobre a abertura de novas fronteiras, frente ao desafio de formação de base florestal, licenciamento ambiental e logística em áreas greenfield.

As vantagens em rastreabilidade do mercado brasileiro e da América do Sul têm aparecido como um forte diferencial estrutural, também. Em especial, quando comparados a sistemas mais fragmentados, como da América do Norte.

De acordo com os analistas, esse fator é particularmente relevante “à medida que as exigências dos compradores elevam o valor da credibilidade da cadeia de custódia e aumentam os custos de verificação”, destacam.

A estabilidade regional do país tem se tornado um diferencial competitivo frente às mudanças climáticas, conforme os analistas. A partir do momento em que o risco climático passa a ter uma relevância prática, para além da narrativa de ESG, como um fator concreto de produtividade e risco de ativos, regiões com maior estabilidade ganham destaque.

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FonteCâmara dos Deputados

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