Bancos centrais trocarão dólares por ouro, prevê lenda de Wall Street

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O ouro ultrapassou US$ 5.300 por onça no mês passado, enquanto a política externa agressiva do presidente Donald Trump e as ameaças tarifárias levaram investidores a buscar ativos mais seguros. Ao mesmo tempo, o déficit dos EUA aumentou para o que o Escritório de Orçamento do Congresso chamou de insustentáveis US$ 1,9 trilhão, cenário que mina a posição do dólar como principal moeda de reserva mundial.

A confluência desses fatores levou alguns investidores a prever o declínio dos títulos do Tesouro como o único verdadeiro ativo de reserva global. O fundador da Greenlight Capital, David Einhorn, deixou isso claro em uma recente conversa com a CNBC. A lenda dos investimentos prevê uma mudança monumental nos ativos de reserva globais, prevendo que os bancos centrais trocarão dólares pelo metal amarelo.

“Os bancos centrais ao redor do mundo estão comprando ouro,” disse Einhorn. “Enquanto há alguns anos era principalmente títulos do Tesouro.” Ele acrescentou que o ouro “está se tornando o ativo de reserva” porque a política comercial dos EUA “é muito instável, e isso está fazendo com que outros países queiram liquidar seu comércio em algo diferente do dólar americano.”

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Para ser justo, o dólar ainda domina como a moeda de reserva preferida. Enquanto na primeira metade do ano passado os bancos centrais venderam mais de US$ 48 bilhões em títulos do Tesouro, em julho de 2025 o dólar ainda representava cerca de 58% de todas as reservas cambiais, segundo o Federal Reserve de Filadélfia. E as compras de ouro pelos bancos centrais caíram em 2025 em relação ao pico entre 2022 e 2024, segundo dados do World Gold Council.

Além disso, Einhorn há muito prevê que o preço do ouro subirá devido a temores em torno da política monetária e fiscal dos EUA. Em entrevista à CNBC no ano passado, o gestor de hedge fund afirmou que “o ouro não é sobre inflação. Ouro é sobre confiança na política fiscal e monetária.” Embora o investidor não defenda um retorno ao padrão-ouro, ele é um forte defensor de manter o metal como proteção contra a má gestão fiscal e monetária dos EUA.

Na quarta-feira, Einhorn acrescentou que a política comercial dos EUA está causando nervosismo nos mercados globais, alimentando a tendência de “vender América” e levando bancos centrais a buscar ativos mais seguros como o ouro. Embora os preços do ouro tenham recuado desde o pico do mês passado, o valor da commodity permanece alto, em torno de US$ 5.100 por onça na manhã de quinta-feira.

O efeito Einhorn

Einhorn ganhou fama por identificar sinais de alerta financeiro. O gestor de hedge fund ganhou destaque em 2002 após assumir uma posição vendida na Allied Capital, uma empresa financeira de médio porte. Após discursar sobre sua posição na Sohn Investment Research Conference, as ações da empresa caíram 20%, enquanto Einhorn acusava a companhia de fraudar a Small Business Administration.

Einhorn seguiu estratégia semelhante em 2007 ao apostar contra o Lehman Brothers, compartilhando sua tese sobre a superexposição da instituição a títulos lastreados em hipotecas subprime no Value Investing Congress. Suas previsões perspicazes sobre grandes empresas, feitas por meio de apresentações detalhadas — e as quedas de ações que elas provocaram — popularizaram a expressão “Efeito Einhorn”, usada para destacar a influência marcante do gestor nas decisões dos investidores. (Isso não deve ser confundido com a “Einhorn revolving shotgun” do jogo Call of Duty.)

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Temores de déficit impulsionam aposta no ouro

Assim como suas primeiras apostas vendidas expuseram falhas em grandes instituições financeiras, o investidor agora vê vulnerabilidades estruturais nas políticas fiscais e monetárias do governo. Na quarta-feira, Einhorn destacou sua filosofia sobre o ouro, dizendo que “nossa tese sobre o ouro a longo prazo é que nossa política fiscal e monetária não faz sentido.” Com as taxas atuais de gastos, a relação déficit/PIB dos EUA deve atingir 6,7% até 2036, segundo o CBO. No entanto, Einhorn também observou que outras grandes moedas desenvolvidas mantêm altas relações déficit/PIB, explicando por que o ouro, em vez de uma moeda estrangeira, poderia se tornar a reserva global preferida.

Parte da confiança de Einhorn no ouro baseia-se na crença de que o Federal Reserve fará mais cortes de juros do que o atualmente previsto. “Acho que uma das melhores apostas agora é apostar em mais cortes este ano do que o esperado,” disse. “Acho que até o final do ano serão substancialmente mais que dois cortes.”

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Mesmo com o relatório de empregos de janeiro melhor do que o esperado, que fez parecer distante a possibilidade de outro corte, Einhorn aposta que Warsh como presidente do Fed conseguirá convencer o comitê a aprovar os cortes.

“Ele vai apresentar argumentos que vão persuadir as pessoas,” disse Einhorn.

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FonteAgência Brasil

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