De empreendedor para empreendedor. André Street, David Vélez e Guilherme Benchimol, fundadores da Stone, do Nubank e da XP, respectivamente, se uniram e investiram alguns milhões de reais para criar o B55, instituto sem fins lucrativos que atenderá empreendedores que já têm faturamento de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões e produtos, serviços validados, com clientes recorrentes, mas precisam ganhar escala para evitar a mortalidade do negócio. No Brasil, 63% deles não vingam até o quinto ano de vida.
Segundo o CEO do B55, Christiano Faé, tudo o que o empreendedor fez até essa fase não necessariamente vai levá-lo para a próxima etapa. “Muitas vezes ele precisa deixar de ser executor de tarifas e começar a pensar mais estrategicamente em gente, marketing e vendas”. Faé é engenheiro de produção gaúcho que fundou empresas como Accera, W3BOX, Raisy e Scale Partners, e acredita que o desafio passa também por uma mudança de mentalidade do próprio empreendedor. “Nesse estágio ele precisa começar a pensar em montar um time espetacular e entender que não dá para controlar tudo”.
Além dos fundadores, o B55 conta com um grupo de embaixadores formado por Alex Behring, Alexandre Birman, Carlos Alberto Sicupira, Cristina Junqueira, Eduardo Mufarej, Fred Trajano, Jorge Gerdau, Jorge Paulo Lemann, entre outros. A interação do grupo com o instituto será contar histórias, seja por meio de aulas ou palestras, e até tirar dúvidas e realizar mentorias. “O grande ativo dessa turma toda será o tempo deles”, conclui Faé.
O B55 é criado em um contexto no qual ter o próprio negócio é o segundo maior sonho do brasileiro. A pandemia, enfraquecimento de empregos formais e digitalização colaboraram para isso. “Nunca tivemos tantas histórias de sucesso. Queremos fortalecer esse ambiente”, diz Faé.
Segundo o instituto, o Brasil tem 47 milhões de empreendedores, porém mais de 70% das empresas enfrentam algum tipo de estagnação que pode levar o negócio a fechar as portas. Segundo os fundadores, não é por falta de talento, nem de vontade. O mercado é forte, mas falta experiências compartilhadas. E isso passa por juntarmos ingredientes que são o foco do instituto: conhecimento aplicado, método e rede de apoio.
Pilares de atuação
O B55 vai atuar em quatro pilares: Educação & Desenvolvimento, Comunidade & Networking, Jornada & Aceleração e Hub de Empreendedorismo & Inovação. Na primeira frente, destacam-se cursos, programas, formações e trilhas criadas por quem já construiu negócios reais. A segunda consiste na criação de um espaço para empreendedores, líderes, investidores e especialistas se conectarem. Na terceira, startups e empresas que já provaram seu potencial são apoiadas com capital, mentorias e programas de aceleração. Já existem fundos interessados em acompanhar a comunidade de perto, diz Faé.
A última frente trata de um campus físico onde a comunidade poderá conviver, que será construído em dois a três anos e terá salas de aula, espaços para colaboração com grandes companhias, eventos e até dormitórios para estudantes. O grupo se inspira em iniciativas no sul do país, como o Instituto Caldeiras, em Porto Alegre, e Newlab, nos EUA. Em abril, o grupo deve ter um escritório em São Paulo.
Os primeiros produtos já estão sendo estruturados e o primeiro está previsto para ser lançado no início de março. O instituto promete atender a um público amplo até o final do ano, conforme o estágio de cada empreendedor, incluindo iniciativas gratuitas. “Obviamente vamos fazer programas nichados para perfis mais sofisticados e maduros. Mas a oportunidade está em atender o fundador de uma transportadora no interior do estado ou a dona de uma rede de restaurantes fora dos grandes centros”.
FonteCâmara dos Deputados